Carta para Caê

Carta para Caê


8 de Fevereiro de 2016

Querido Caê,

Hoje você completa 1 ano de vida. O marco que eu tanto esperava chegou. Sim, devo confessar que eu quis que esse seu primeiro ano de vida passasse rápido, pois algumas coisas aconteceram no início da nossa jornada e elas me deixaram insegura e assustada. Mas vou falar sobre isso mais à frente. Agora, vou contar para você como tudo começou.

Você chegou no mundo de forma rápida exatamente como eu sonhava: num parto natural que durou pouco mais de 2h. Na noite da sua chegada, eu estava tranquila e, ao mesmo tempo, ansiosa para conhecê-lo. Você nasceu calmo, chorou logo, mas um choro baixo, de alguém que não está apavorado com a transformação que acaba de acontecer.

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Imagem de arquivo pessoal. É proibida a sua reprodução.

Passamos os dias seguintes grudadinhos, nos conhecendo e nos apaixonando, e alguns sustos cruzaram o nosso caminho: descobrimos que você fraturou as duas clavículas no parto (menino bravo, nem reclamava), você teve um pouco de icterícia e tivemos que tratá-lo no hospital e, para completar, tivemos algumas dificuldades no início da amamentação. Mas tudo isso ficou para trás rapidamente. Assim que viemos para casa, na paz e tranquilidade do nosso lar (por incrível que pareça, os primeiros dias não foram de loucura), tudo se assentou e as coisas entraram nos eixos.

Você era um bebê calmo, tranquilo e que dormia muito. Você me transmitia paz. Sempre me transmitiu. Você não teve cólicas, quase não chorava e depois das dificuldades iniciais passou a mamar bem.

Dos seus três primeiros meses de vida, tenho ótimas lembranças. Foi tudo tão mais tranquilo do que foi com seu irmão e eu achei que seria assim para sempre.

Mas a maternidade sempre nos surpreende, e quando você estava com 3 meses e meio as coisas mudaram. Você teve bronquiolite, acabou tendo que ser internado no hospital, ficou lá por 3 dias e, quando teve alta, passou exatos 2 meses com dificuldades respiratórias, fazendo fisioterapia respiratória praticamente todo santo dia, passou a ganhar pouco peso (pouco mesmo) e também começou a dormir mal.

Nesse período, nesses dois meses, eu senti uma das piores sensações da minha vida. Eu sentia que poderia perdê-lo. Eu tinha um medo absurdo de perdê-lo. Você ganhava pouco peso e respirava mal, por mais que eu fizesse todos os tratamentos indicados, e isso me apavorava. Eu chorava sozinha, eu rezava, eu me perguntava quando isso iria acabar (nesse período também começou a minha depressão pós-parto).

Ao mesmo tempo, eu me entreguei a você de corpo e alma. Eu dei todo o amor, carinho e atenção que uma mãe pode dar para um filho. Eu estava sempre ao seu lado. Eu amava estar ao seu lado. Você dormia e eu não conseguia tirá-lo do meu colo, simplesmente porque para mim era maravilhoso ter você ali, aconchegado nos meus braços.

Até os seus 6 meses vivemos nos equilibrando na corda bamba. Você, virava e mexia, tinha alguma crise respiratória (você virou um bebê chiador) e seguiu dormindo muito mal. Nesse período, resolvi mudar para o seu quarto, dormir num colchãozinho lá no chão, porque assim era mais melhor para nós dois (nas suas acordadas eu voltava a dormir mais rápido).

Quando você estava com 9 meses, mais ou menos, a nossa fase difícil teve fim. Exatamente como disse o pediatra, seis meses depois do episódio da bronquiolite você melhoraria de vez e seu pulmãozinho e ficaria mais forte, e foi o que aconteceu. Nesse momento, parece que você se tornou outra criança: bem mais ativa, animada, corada. Também passou a fazer várias peraltices e mostrar com tudo o seu lado curioso, uma característica bem marcante sua.

Agora, com um ano, você é um bebê simpático, alegre, tranquilo e curioso. Você ainda não anda sozinho, mas já anda segurando nas coisas e se arrisca soltando a mãozinha de vez em quando. Você também já ensaia subir a escada da nossa casa, o que definitivamente me assusta. Você é uma daquelas crianças que não dá para desviar o olho, se não, lá vem alguma surpresa: adora abrir o móvel da sala e tirar o botão do aparelho de som, arrancar as folhas das plantas que eu tenho pela casa, e não esconde seu prazer em subir por tudo.

Eu acho que você puxou ao seu pai. Sua personalidade tem bastante a ver com a dele e isso me deixa imensamente feliz, pois ele é um homem maravilhoso. Definitivamente, um grande exemplo para você.

Filho, agora que eu já contei um pouquinho do que vivemos nesses últimos 12 meses, eu gostaria de dizer algumas coisas para você, do fundo do meu coração.

Você é tudo para mim. Você é meu grande amor (na verdade, divide esse título com seu irmão). Você me transmite paz e consegue me fazer parar, desacelerar, o que é quase impossível em se tratando de mim. Com você, eu consigo sentar e simplesmente te observar, pelo simples prazer de ver você interagindo com as coisas, descobrindo as novidades, explorando. Parar e olhar para você, prestar atenção no que você faz, vê, sente, é algo que me emociona.

Filho, gostaria de ser uma boa mãe para você, não errar muito, fazer as coisas que são importantes e te fazem bem. Gostaria de te proteger da maldade do mundo, de te fazer feliz. E espero conseguir fazer isso. Estou me dedicando a isso.

Tenho certeza que você será um adulto especial, pois já é uma criança especial. Você tem uma energia gostosa, tranquila, alegre, mas ao mesmo tempo viva e apaixonante.

Você tem o dom de fazer as pessoas se apaixonarem por você. Com seu corpinho pequeno e esses olhos enormes você nos seduz.

Querido Caê, se você pudesse me entender agora eu gostaria de te dizer para ser sempre isso tudo que eu vejo em você. Que você seja sempre meigo, calmo e tranquilo, mas que não perca essa curiosidade e inquietação que te fazem nunca desistir do que você quer (sim, você é tranquilo e inquieto ao mesmo tempo. Porque a sua tranquilidade é de alma e a sua inquietude é de corpo). Que você mantenha esse sorriso apaixonante e esse olhar penetrante e que você siga, sempre, me ensinando muito sobre o amor, exatamente como tem feito nesses últimos 12 meses.

Você é a parte de mim que eu ainda não tinha. Você me completa. Eu te amo absurdamente e hoje celebro de alma e coração a alegria imensa que é ser sua mãe.

Obrigada por existir. Obrigada por ter me escolhido como sua mãe. É um privilégio.