Como preparar psicologicamente as crianças para um procedimento médico importante

Como preparar psicologicamente as crianças para um procedimento médico importante


5 de Abril de 2016

Há poucos dias, Leo passou por uma pequena cirurgia, e eu, sem saber exatamente como tratar essa situação com ele e também sem saber exatamente como tranquilizá-lo quanto ao procedimento, pedi ajuda a uma psicóloga, leitora do blog.

Assim, nesse texto, Cristina Mesquita dá dicas simples, mas muito úteis, para pais e mães tranquilizarem-se e passarem essa tranquilidade aos pequenos.

Sugestões muito boas que serão, com toda certeza, colocadas em prática aqui em casa.

Boa leitura!

procedimento medico crianca
Photo Credit: Jason Fiori via Compfight cc

Como preparar psicologicamente as crianças para um procedimento médico importante

Por Cristina Mesquita, Psicóloga

Olá! Vamos falar sobre um assunto que desperta tensão em todos nós: a realização de intervenções médicas em crianças. Muitas vezes, a quantidade e a complexidade dos procedimentos podem deixar pais e crianças confusos e assustados. O texto reúne algumas reflexões sobre a preparação psicológica das crianças e de seus pais diante desse tipo de situação.

Independente da idade da criança, sempre explique o que acontecerá.

É importante que os pais confiem no vínculo que tem com seus filhos e na capacidade de comunicação que existe entre eles. Mesmo para bebês e crianças pequenas é válido explicar, de uma forma que eles entendam, o que será feito. Utilize uma linguagem simples e, sempre que possível, faça uso de elementos familiares para a criança, como papel e lápis, livros de histórias ou brinquedos favoritos para ilustrar a conversa. A brincadeira é uma grande aliada dos pais em momentos como esses, pois ajuda a aliviar a ansiedade e atende as necessidades afetivas da criança, principalmente através do contato físico.

Conheça os profissionais envolvidos e o local onde acontecerá o procedimento.

Conhecer o local e os profissionais que realizarão o procedimento pode ser uma boa idéia (isso vale para os pais. Não é necessário levar a criança antes). Há hospitais e clínicas que permitem visitas às instalações, inclusive ao centro cirúrgico. Em alguns casos, os pais estão tão assustados e ansiosos que transmitem toda essa ansiedade e insegurança aos filhos. É preciso que uma relação de confiança entre os pais e a equipe se estabeleça, pois desta forma os pais se sentirão mais seguros e, consequentemente, transmitirão maior segurança ao filho.

Reúna informações sobre o procedimento a ser realizado.

Obter informações a respeito do procedimento, por mais grave e arriscado que este seja, traz mais segurança, aproxima os pais da equipe e, consequentemente, tranquiliza as crianças. Algo que também pode ajudar muito é compreender exatamente tudo o que será feito. Em casos de intervenções cirúrgicas, os pais podem e devem solicitar à equipe médica todo o esclarecimento de que necessitam. Se for preciso, faça uma lista com todas as questões para que não pairem dúvidas.

Diga sempre a verdade.

Se vai doer, diga à criança que vai doer, mas que você tem certeza de que ela pode aguentar. Dizer que um procedimento é indolor, quando na verdade não é, além de assustar a criança no momento da realização, pode minar a relação de confiança entre pais e filhos.

Acolha os sentimentos da criança.

Não menospreze os sentimentos do seu filho. Demonstrar o que se sente não é sinal de fraqueza. Permita que a criança sinta medo, raiva, dor… Acolha, abrace, beije e, principalmente, ouça (muitas vezes o que você vai ouvir é um choro, mas ouça, esteja presente, tenha paciência, seja forte!). Essa atitude, além de empática, fortalece muito o vínculo entre vocês. Quando estamos abertos para ouvir o que o outro quer dizer, muitas vezes nos surpreendemos, pois ainda que seja tão pequeno, trata-se de um indivíduo diferente de nós, que tem seus próprios desejos, pensamentos e suas próprias inseguranças. Importante: os medos dos pais não são, necessariamente, iguais aos dos filhos! Por isso, ouça, pode ser que a dúvida ou o medo da criança seja muito mais simples do que você pensa, como por exemplo, a criança quer saber se a sala de cirurgia estará com as luzes acesas!

Acolha os seus próprios sentimentos.

Situações que envolvem procedimentos médicos mais ou menos invasivos são, por natureza, tensas. Quando os envolvidos são os filhos, os sentimentos parecem potencializados e podem estar tão emaranhados que acabam confundindo e angustiando ainda mais os pais. Portanto, fale! Se sentir que o “fardo está pesado demais”, cogite solicitar ajuda profissional. Quando o procedimento é realizado em hospitais, em geral, há uma equipe multiprofissional disponível para dar suporte aos pacientes e familiares. Vale a pena se informar se o serviço é oferecido e se há psicólogos na equipe. Diante da impossibilidade de ter acesso a um serviço profissional, é válido conversar com familiares, amigos, enfim, falar, compartilhar os momentos difíceis com pessoas queridas pode ajudar a aliviar o sofrimento. É importante ter em mente que não é proibido sentir medo, insegurança, ansiedade ou angústia. É preciso reconhecer a existência desses sentimentos, “olhá-los”, a fim de que eles ocupem o devido lugar.

Sem dúvida, essa situação não é nada confortável, mas é preciso enfrentá-la da melhor maneira possível. Espero que o texto tenha inspirado algumas reflexões em vocês.

Maria Cristina Lopes I. Mesquita, psicóloga clínica em Campinas/SP e mãe do Lucas de 1 ano e 11 meses.