Descoberta de gravidez tardia

Depoimento: Descobri que estava grávida no sétimo mês de gestação


8 de julho de 2013

Será possível alguém ficar grávida e não perceber? Muitas vão responder que sim, que é bem comum algumas mulheres descobrirem só quando estão com dois, três ou até quatro meses de gestação. Mas e o que dizer quando alguém se descobre grávida apenas no sétimo mês? Isso é possível? É sim. Hoje, a leitora Iara Teixeira conta para nós a sua história, bastante emocionante. Ela descobriu que esperava sua filha quando já estava quase no fim da gestação e aí a sua vida virou de pernas para o ar. Não deixe de ler e conhecer essa história inusitada e linda.

Iara e Anna Clara

Meu nome é Iara Rezende Costa Teixeira, tenho 23 anos, sou professora de Ballet e historiadora e tive uma gravidez de três meses. Sim, de três meses. Muita gente vai dizer que menti, que escondi minha gestação, mas eu REALMENTE  não tinha ideia de que estava grávida.

Há dois anos, eu tinha uma vida normal. Trabalhava em um shopping da cidade e me dividia entre estudar, dançar, namorar, ajudar em casa e me divertir. Saia às 7 da manhã  e, na maioria das vezes, voltava por volta da 1h. Normal pra alguém de 21 anos.

Em setembro de 2010 fui demitida, uma semana depois terminei meu relacionamento e passei a me dedicar somente aos estudos e à família. Foi aí que eu engravidei e nem percebi. Minha menstruação nunca foi regular, por conta de eu ser bailarina, estar sempre preocupada com a forma e treinar até meu corpo dizer chega. Alguns meses eu menstruava duas vezes e em outros a minha menstruação simplesmente não vinha. Assim, quando engravidei e a minha menstruação não veio, não achei que fosse nada demais.

Mas e os outros sinais comuns da gestação? Eles também não apareceram? Não, eu também não tive enjôos, meus seios não incharam, minha barriga não cresceu, não tive nenhum desejo e aquela marquinha escura no meio barriga nem deu as caras. Eu tive sangramentos por pelo menos 5 meses  e como também não apresentei os sinais clássico de uma gestação, foi fácil acreditar que tudo estava dentro da nomalidade.

Nesse tempo todo, a única coisa que eu sentia eram dores nas costas, no estomago e azia, mas como eu tenho gastrite e sempre tenho crises, também não estranhei muito. E foi numa dessas crises, quando o meu gastro solicitiou um exame de ultrassom (não aceito bem endoscopia) foi que descobri que estava com 30 semanas de gestação e esperava uma menina. Quase morri! Chorei desesperadamente, me perdi no caminho de casa e quase fui atropelada por uma bicicleta.

Hoje, olho para trás e vejo que a minha gestação teve todos os motivos pra não ter evoluído, mas resolveu vingar. Pra se ter uma ideia, eu cai de bunda de uma mangueira, carreguei trinta kg de peso nas costas, caí dentro de um ônibus após uma freada brusca, minha irmã, que na época pesava 29 kg, subiu nas minhas costas enquanto eu estava deitada, entre tantas outras coisas parecidas com essas. Mas ela foi em frente, eu já sabia da sua existência e precisava tomar uma atitude.

Eu tive três dias para pensar em como contar essa louca novidade para os meus pais e para todas as pessoas próximas. Quando contei para eles, foi horrível. Fui bombardeada com todos os tipos de perguntas de uma só vez e eles ficaram três dias sem me dirigir a palavra. Chorei todos esses dias sem parar,  desesperada por ser mãe tão nova e não ter contato nenhum  com o pai. E só fui me acalmar e ficar mais segura quando meu pai me chamou e disse que o mundo podia estar acabando, mas ele não iria sair do meu lado. Pronto, foi aí que eu comecei a tomar as decisões.

Foram três meses contra o tempo. Comprar as coisas da bebê, adaptar o quarto e fazer todos os exames para saber se ela estava bem. Eu não me sentia mãe, na verdade eu me sentia super incomodada. Depois que a gravidez foi descoberta, e bebê resolveu dar todos os sinais de que estava ali. Mexia muito, a barriga apareceu e cresceu. Eu não conseguia dormir direito, tinha sempre alguém fazendo perguntas indiscretas e eu queria dançar na sapatilha de ponta, como antes.

Houve decepções, amigos que pensava que nunca iam sair do meu lado e que ao ouvir a noticia me chamaram de coisas indizíveis. Eu passei a sair menos, a evitar lugares onde essas mesmas pessoas iam e a chorar por ter acreditado que eles seriam meus amigos em qualquer situação. Mas também houve surpresas, pessoas que eu jamais imaginei do meu lado me deram todo o apoio do mundo e estão até hoje comigo, nos momentos bons e ruins.

Além do estresse por conta da descoberta tardia, eu escolhi o primeiro ginecologista obstreta disponível pelo meu plano. Um erro. Ele era frio, me tratava como  um lixo, não respondia minhas perguntas e reclamava sempre que eu aparecia para uma consulta. Como foi muito em cima da hora, aceitei sem reclamar.

No dia 10 de maio de 2011, a uma da manhã eu entrei em trabalho de parto. Meu Deus, que dor foi aquela? Esperei até 04h30min para ligar para o meu médico e ainda tive que ouvi-lo dizer que só podia ir ao hospital às sete, pois estava de plantão em outro, e que eu devia esperar. Não, eu não aguentava esperar e fui pro hospital. Assim que cheguei, lembro que a medica de plantão solicitou outro GO urgentemente e me mandou pro soro. Nessa hora, a dor ficou intolerável. Eu gritava muito, olhava pra minha mãe e pedia desesperada “Mãe, faz parar! Eu não quero mais brincar disso!” Hoje dou risadas, Mas no dia foi tenso.

Meu medico apareceu por volta de 05h30min, fez o toque (eu o xinguei bastante), disse que voltava às sete para realizar a cesárea e foi embora. Assim que ele saiu, em questão de 10 minutos, o médico solicitado com urgência apareceu, fez o toque (não, eu não xinguei este. kkkk!) e me mandou às pressas para o centro cirúrgico pois a minha filha já estava quase nascendo.

Anna Clara nasceu as 06h50min da manhã do dia 10 de maio, ela não chorou. Nasceu perfeita, sem defeitos. Pesava 3.500 e tinha 49 centímetros. Eu só fui vê-la as 11h da manhã.

Eu só fui realmente amar a minha filha depois da nossa primeira noite em casa. Quando eu acordei, olhei para o lado e vi aquele pingo de gente toda encolhidinha procurando o calor do meu corpo. Foi ai que eu descobri que a amava. Que ela era a minha vida.

Agora, pra onde eu vou ela vai. Ela é o meu pedaço mais precioso, a pimentinha da casa, a que alegra a todos por onde passa.

Hoje ela tem 2 aninhos. Às vezes bate desespero, decepção, arrependimento, mas é só olhar pra ela que tudo passa. E fica só o amor incondicional.

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