Depoimento - engravidei 3 meses depois de dar à luz

Depoimento – engravidei 3 meses depois de dar à luz


9 de novembro de 2014

Quando a leitora Andressa me escreveu para tirar algumas dúvidas e comentou, em sua mensagem, que ela tinha dois filhos com uma diferença de menos de um ano de idade, eu fiquei impressionada e perguntei se ela não topava escrever um depoimento contando a história toda aqui no blog. Ela topou na hora e eu adorei!

Quis que ela contasse como tudo aconteceu porque eu fui uma daquelas pessoas que até o Leo ter 3 meses eu não conseguia nem ir ao banheiro direito, quanto mais pensar em outro filho, e aí quis saber, direitinho, como é que tudo tinha acontecido com ela, como tinha surgido essa ideia e como ela tinha tomado coragem para isso (talvez para ela não se tratasse de coragem, bem longe disso, mas era só o que eu pensava considerando a minha experiência com o Leo).

Pois bem, aqui está a história da Andressa. Tenho certeza que vocês irão curtir como eu curti.

engravidei 3 meses depois de dar a luz
Photo Credit: VinothChandar via Compfight cc

Engravidei 3 meses depois de dar à luz

Por Andressa Prestes Barbosa

Meu nome é Andressa, tenho 29 anos e dois filhos. Sou instrumentadora cirúrgica na área de Transplante Capilar há 7 anos, além de Advogada. Pois é, eu sei, profissões totalmente distintas, mas que para mim conciliam-se muito bem. Isso, por si só, já serve como um bom exemplo de como eu gosto de fazer tudo ao mesmo tempo.

Quando eu e meu marido decidimos aumentar a família levamos muito em conta nossa experiência pessoal. Eu, filha única, ele, o caçula, com uma diferença de 10 anos para o irmão do meio. Não tínhamos muita certeza de nada, mas sabíamos que nosso desejo era mais de um filho. Escolhemos o mesmo obstetra que realizou o parto da minha mãe quando eu nasci, alguém de muita confiança que nos passou muita tranquilidade e segurança durante todo o processo.

Engravideido João Lucca pouco tempo depois de começar a tentar. Durante os três primeiros meses sofri muito devido a hiperêmese gravídica, emagreci 5 quilos e mal conseguia levar minha rotina normal. Quando os enjôos cessaram eu comecei a curtir mais a gravidez, os preparativos de enxoval e outros detalhes. No meu baile de formatura de Direito eu estava com 8 meses de gravidez, e meu marido defendeu a dissertação do Mestrado 1 semana antes do parto. Imaginem como estava tudo corrido?!

Meu príncipe nasceu no dia 13 de abril de 2013. Realizei uma cesárea pois meu bebê estava sentadinho. Tive alguns probleminhas, incompatibilidade de RH, problemas na anestesia, falta de leite, … várias histórias para contar e obstáculos à superar. Mas, mesmo assim, ainda na maternidade, nós dizíamos que nossos planos eram o de engravidar da Júlia após 3 meses.

Conversei com meu obstetra, e assim que ele disse que a gravidez seria segura, nós buscamos o segundo filho. Dito e feito, 3 meses depois, engravidei da Júlia, nossa princesinha.

A segunda gravidez foi naturalmente mais puxada. A hiperêmese gravídica atacando novamente, mais uma vez perdendo peso no primeiro trimestre, e agora com um bebê recém nascido para cuidar.

Apesar disso, as que já tem filhos devem concordar, um bebê de 3 meses é muito mais calmo e fácil de cuidar do que um bebê de 1 ano. Neste ponto a decisão de engravidar foi relativamente fácil. Quando o João estava aprendendo a andar e demandando muito mais cuidados, eu já estava no final da gravidez da Júlia.

O mais engraçado é que 90% dos comentários (ainda hoje) são negativos em relação à nossa escolha. Ouvir coisas como “nossa, que pena”, “deve ter sido um susto”, “não tem televisão em casa?”, “coitado dos filhos”, “que loucura”, tornou-se corriqueiro. A maioria das pessoas encara dois filhos tão próximos como um “acidente” e não como uma possível escolha.

Tudo correu relativamente bem na segunda gestação, e a Júlia nasceu no dia 12 de abril de 2014. Escolhemos um dia antes para que cada um deles, apesar da proximidade, tivesse o seu próprio dia de aniversário. Assim, a individualidade poderá ser estimulada, ao mesmo tempo que o companheirismo poderá ser vivenciado com o passar dos anos.

Antes de engravidar do João eu dizia que não tinha tempo pra nada. Veio o primeiro filho e eu arranjei tempo. Com ele pequeno eu novamente afirmava que não tinha tempo nem para respirar. E veio a segunda filha … e não é que apareceu tempo?

Conforme o esperado, o problema de ciúmes simplesmente não existiu. Com um aninho o João não tinha o conceito de que a bebê viria “tirar um pouco do seu lugar”. Ele acompanhou enquanto pintávamos o quarto metade rosa, metade azul (optamos por deixar os bebês juntos no início, aprendendo a dividir o espaço e a conviver); comprou conosco o enxoval da irmã, estava na maternidade quando ela chegou. E desde que a viu tudo foi lindo.

Precisamos cuidar porque a todo momento ele quer dar brinquedos, beijar, dar suco, bolacha para ela. Ele traz os livrinhos para ela ver. Quando ela chora ele corre buscar a chupeta e ver o que está acontecendo. Então nossos cuidados são com o excesso de amor. Ele até já pulou dentro do berço para dormir com ela, precisamos ficar atentos porque, como ele ainda é um bebê, não tem noção da força e do peso que tem. Fora isso, os dois se adoram. Quando ele vem perto a Júlia se abre em mil risadas, esforçando-se para levantar e correr com ele.

Tivemos muita sorte também. O João é super carinhoso, um fofo. Está na fase de dar uns chiliques quando contrariado, mas nada que não seja esperado para a idade. Ele ainda acorda 1 ou 2 vezes por noite para mamar, mas dorme bem na caminha do quarto dele. A Júlia quase nunca chora, e com 4 meses já dorme a noite inteira no bercinho.

Decidimos por criá-los em casa até cerca de 2 anos e 1/2, antes de colocarmos na escolinha. É bem mais trabalhoso, dedicação integral, mas vale por vê-los sempre saudáveis e aprendendo novas coisas dia após dia.

Não posso dizer que é fácil, apenas que é possível. A fórmula que deu certo aqui em casa foi criar uma rotina. Eles acordam perto das 7 horas. Café da manhã, desenho e algumas atividades pela manhã. Após o almoço, em geral, o João e a Júlia tiram uma soneca de um pouco mais de 1 hora. Neste período, eu aproveito para lavar roupas, tratar dos nossos animais (temos 2 cachorras e 1 gata), e fazer alguma outra tarefa da casa. A tarde as atividades (lanches, brincadeiras, banho) com as crianças estendem-se até perto das 20:30, quando o João costuma dormir novamente. Das 21:00 às 00:00 é quando eu tenho para cuidar de algum processo, tomar um banho, comer com mais calma…

Vocês conhecem esse enigma? “Um fazendeiro está levando uma raposa, uma galinha e um saco de grãos para casa. Para chegar lá, ele precisa atravessa um rio, mas ele pode, apenas, levar um item consigo de cada vez. Se a raposa for deixada sozinha com a galinha, ela comerá a galinha. Se a galinha for deixada sozinha com os grãos, ela comerá os grãos. Como o fazendeiro poderá atravessar o rio sem que nada seja comido?”

Então… esse é, guardadas as devidas peculiaridades, o resumo da nossa vida.

Isto pode não ser o ideal para muitas pessoas, mas com certeza era exatamente o que a nossa família precisava. Nós quatro somos perfeitos juntos. Sem tirar nem por. Claro, temos nossos momentos de fraqueza, quando tudo parece estar um caos e temos vontade de tirar férias. Mas quando as coisas ficam muito cansativas, levamos os dois para a casa dos avós, tiramos um sábado ` noite para ir ao cinema, jantar a dois, essas coisas.

Se aprendemos uma coisa é que o amor apenas cresce, dia a dia e isso faz todas as escolhas valerem a pena. E, mesmo para quem não foi planejado, ou seja, houve o tal “acidente”, eu digo que tudo vai der certo. Eu garanto. Mesmo que tudo pareça de pernas pro ar, amanhã vai ser um dia melhor, seus filhos vão te amar ainda mais e tudo vai se encaixar no seu devido lugar.

Isso é amor, é família.

Obs: tudo isso somente é possível graças à ajuda do meu marido, que além de trabalhar 14/15 horas por dia ainda arranja tempo para brincar com os bebês, me ajudar com os banhos, ir à panificadora, ao mercado, à farmácia, e ainda levanta de madrugada para atender ao choro do João Lucca. Meu muito obrigada, publicamente, ao melhor companheiro que a vida poderia me dar. Te amo Adriano.

foto perfil andressa

 

 

Andressa tem 28 anos, mora em Curitiba e é mãe de João Lucca, 1 ano e 7 meses e de Júlia, 7 meses.