Depressão infantil: como identificar? | Macetes de Mãe

Depressão infantil: como identificar?


15 de dezembro de 2017

No texto de hoje, a psicóloga Bruna Moreira, especialista em Neuropsicologia, fala das sintomas a observar para identificarmos se uma criança está com depressão infantil. Achei muito interessante as colocações dela, já que a própria criança não tem condições de identificar o problema e, assim, cabe a nós, pais, ficarmos atentos.

Depressão infantil: como identificar?

Por Bruna Moreira, psicóloga especialista em Neuropsicologia

Depressão é uma doença grave. Se não for tratada adequadamente, interfere no dia a dia das pessoas e compromete a qualidade de vida. Nos adultos, é mais fácil de ser diagnosticada. Com as crianças, é diferente, elas aceitam a depressão como fato natural, próprio de seu jeito de ser.

Embora estejam sofrendo, não sabem que aqueles sintomas são resultado de uma doença e que podem ser aliviados. Calam-se, retraem-se e os pais, de modo geral, custam a dar conta de que o filho precisa de ajuda.

Os sinais mais significativos e mais frequentes na criança é a tristeza, irritabilidade, mau humor e a anedonia, que é a falta de prazer com as atividades habituais, como brincar, sair com os amigos, jogar videogame, ver TV etc.

Quais os sinais de uma criança com depressão?

A criança tem grande dificuldade para expressar que está deprimida. Primeiro, porque não sabe nomear as próprias emoções. Depende do adulto para dar o significado daquilo que se chama tristeza, ansiedade, angústia. Por isso, tende a somatizar o sofrimento e queixa-se de problemas físicos, porque é mais fácil explicar males concretos, orgânicos, do que um de caráter emocional.

Alguns aspectos do comportamento infantil podem revelar que a depressão está instalada. Por natureza, a criança está sempre em atividade, explorando o ambiente, querendo descobrir coisas novas. Quando se sente insegura, retrai-se e o desejo de exploração do ambiente desaparece. Por isso, é preciso estar atento quando ela começa a ficar quieta, parada, com muito medo de separar-se das pessoas que lhe servem de referência, como o pai, a mãe ou o cuidador. Outro ponto importante a ser observado é a qualidade de sono que muda muito nos quadros depressivos.

O que se tem percebido nos últimos anos é que a depressão, na infância, caracteriza-se pela associação de vários sintomas que vão além da ansiedade de separação.

Ocorre principalmente no ambiente escolar onde a criança sente-se sozinha, sem a companhia de defesa, os pais. Portanto, a criança pode estar dando sinais de depressão quando a ansiedade de separação persiste e ela reclama o tempo todo de dores de cabeça ou de barriga, nunca demonstrando que está bem.

O Manual de Estatística e Diagnóstico de Transtornos Mentais determina a necessidade de identificar pelo menos cinco destes sintomas, com durabilidade de duas semanas, para comprovação do quadro.

Fique atenta a esses sinais para saber quando levar seu filho para uma avaliação profissional.

  • Alteração de humor, com irritabilidade e / ou choro fácil
  • Ansiedade
  • Desinteresse em atividades sociais, como ir a escola, brincar com os amigos ou com brinquedos
  • Falta de atenção e queda no rendimento escolar
  • Distúrbios de sono, como dificuldade pra dormir ou ter sono o dia inteiro
  • Perda de energia física e mental
  • Reclamações por cansaço ou ficar sem energia
  • Sofrimento moral ou insatisfação consigo mesmo, sentimento de que nada do que faz está certo
  • Dores na barriga, na cabeça ou nas pernas
  • Sentimento de rejeição
  • Condutas antissociais e destrutivas
  • Distúrbios de peso, emagrecer ou engordar demais
  • Enurese e encoprese (xixi na cama e eliminação involuntária das fezes).

Essas são algumas dicas para que os pais fiquem alerta a esses comportamentos, lembrando que somente esses itens não concretizam um diagnóstico. Mas é o primeiro passo de identificação para que os pais procurem um profissional e iniciem o processo de terapia. As taxas de suicídio na vida adulta estão aumentando cada vez mais, e essas crianças de hoje serão os adultos do futuro. Vamos diminuir esse índice do futuro, desde já trabalhando essas crianças para serem adultos felizes e bem resolvidos.

Como é a avaliação psicológica da criança?

A criança nunca vai dizer que está deprimida. O profissional de Psicologia usa técnicas de ludoterapia para observar essa depressão de forma mais clara através dos desenhos e de testes. Portanto a avaliação psicológica é fundamental como forma complementar e de auxílio de diagnóstico.

É muito importante, tanto para o médico quanto para o psicólogo, procurar sempre conhecer a dinâmica familiar em toda a sua extensão no sentido de buscar a causa da depressão infantil na criança e a partir dela fazer uma intervenção direta. Em algumas situações os pais devem, também, ser orientados a uma terapia familiar.

Caso a depressão infantil não seja diagnosticada e tratada, a tendência é que a doença permaneça à espreita, acompanhando o paciente durante a adolescência e depois na vida adulta. Neste caso, o quadro pode assumir contornos diversos como isolamento, dificuldades de interação social, transtornos alimentares, abuso de drogas e ideações suicidas.

Vale lembrar que depressão é a doença do século e estudos mostram que ela vai aumentar significativamente, vamos começar a tratar as crianças no hoje, para que sejam adultos saudáveis.

Leia outro texto escrito por Bruna Moreira para o blog MdM:

Pais superprotetores e as consequências para os filhos

Texto escrito por Bruna Moreira, psicóloga, com especialização em Neuropsicologia. Bruna atende em consultório particular, na cidade de Curitiba. Seu foco de trabalho é o público infantil, com o qual realiza avaliação e reabilitação neuropsicológica e também presta consultoria online para pais. Conheça mais sobre o trabalho de Bruna no seu site e suas redes sociais: Facebook e Instagram.