Dicas para a criança abandonar a chupeta ou hábito de chupar o dedo

Dicas para a criança abandonar a chupeta ou hábito de chupar o dedo


25 de setembro de 2014

Mamães, hoje, teremos mais uma especial participação da dentista Graziela Botton. Nesse seu segundo texto escrito para o blog Macetes de Mãe ela abordará novamente os prejuízos relacionados ao uso contínuo de chupeta ou ao hábito de chupar o dedo e dará dicas para ajudar as crianças a abandonar esses hábitos.

Um texto muito claro e elucidativo. Definitivamente, vale a pena ser lido, afinal, informação nunca é demais.

Dicas para a criança abandonar a chupeta ou hábito de chupar o dedo

Por Graziela Botton

para o bebe abandonar o habito de chupeta e dedo
Photo Credit: CarbonNYC via Compfight cc

Olá mamães! Estou de volta para continuarmos a conversa sobre hábitos de sucção não nutritiva de chupeta e dedo. Neste texto, abordarei aspectos relacionados aos prejuízos, os efeitos da ação contínua, e espero ajudar com algumas dicas para a remoção do hábito. Lembrando: são dicas! Não existe uma receita milagrosa. Cada criança responderá de maneira diferente, de acordo com seus aspectos individuais, como nota-se na adaptação à escola, na reação ao serem contrariadas, sendo também importante entender o estágio de compreensão da criança, de acordo com a idade que se iniciará a remoção do hábito.

A severidade dos prejuízos aos dentes e estruturas bucofaciais adjacentes vai depender principalmente de três fatores importantes: DURAÇÃO, FREQUÊNCIA e INTENSIDADE. A duração é o tempo de atividade, quantas horas por dia. Lembrando que, em torno de 4 a 6 horas de sucção não nutritiva diárias, já é suficiente para induzir uma movimentação dentária. A frequência é quantas vezes por dia. E a intensidade está relacionada ao grau de atividade muscular durante a atividade. A POSIÇÃO da chupeta/dedo na boca, IDADE DO TÉRMINO do hábito e o padrão do crescimento (FATORES GENÉTICOS) também influenciam na severidade dos efeitos maléficos.

Esse conhecimento reforça a idéia de prevenção. Devemos aplicar aquelas dicas do texto anterior: “evitar a instalação do hábito”, “saber usar” a chupeta, oferecendo-a com cautela quando perceber necessidade, e ao notar a criança mais tranquila removê-la suavemente, com delicadeza e distração. Evitar “apego” da criança à chupeta, pois isso reforça o hábito, dificultar o acesso, não associá-la a paninhos, nem mantê-la amarrada à criança, além de ter apenas uma e não várias à disposição. Essas dicas, claro, não se aplicam ao dedo, e por isso a remoção hábito de sucção do dedo é mais complexa. “Ele está sempre ali”.

A dica para sucção do dedo é tentar substituir pela chupeta quando notamos que o bebê está iniciando a ação, antes de tornar-se um hábito, pois geralmente a remoção da chupeta é mais “fácil”. Isso é uma tentativa, nem sempre o bebê aceita essa troca. Como relatei anteriormente, cada caso tem suas particularidades, devendo ser orientado individualmente com profissionais de sua confiança.

Quanto à retirada do hábito de sucção de chupeta/dedo, a primeira oportunidade para INICIAR ocorre por volta dos 7 meses, principalmente para as crianças que foram bem estimuladas com a sucção através da amamentação. Nessa época, aparecem os primeiros dentinhos e inicia o amadurecimento das estruturas neuromusculares relacionadas à mastigação, assim o reflexo da sucção começa a ser desnecessário, assim pode-se diminuir o uso da chupeta e evitar o dedo. Em torno dos 18 meses, com o amadurecimento do sistema mastigatório, já não haverá mais necessidade da sucção da chupeta/dedo. Alerta! Ótima época para quem ainda não iniciou a retirada do hábito.

Quando as alterações dentárias e de estruturas bucofaciais adjacente são discretas, há grandes chances de uma “autocorreção” com a remoção do hábito até os 3 ou 4 anos, IDADE LIMITE para remoção da chupeta/dedo, considerando orientações odontológicas.

É importante observar que, o quanto antes for iniciada a remoção do hábito, maior a chance de sucesso, pois haverá menos alterações bucodentárias a corrigir e menor apego à chupeta/dedo. Vale salientar que cabe ao profissional o papel de orientar e instruir, mas o PAPEL ATIVO ESTÁ COM OS PAIS, responsáveis pelo REFORÇO POSITIVO NO DIA A DIA.

Quando há envolvimento psicológico acentuado associado ao hábito, alterações na fala ou alterações na postura da língua, que são algumas consequências do hábito intenso ou por tempo prolongado, pode ser necessária uma ação conjunta entre profissionais de diferentes áreas (psicólogos, fonoaudiólogos, odontopediatras e ortodontistas).

Nos casos de persistência do hábito, com crianças maiores de 4 anos, aproveitamos a maturidade delas nesta época, como aliada. A conscientização da criança e aprovação do método provam maiores chances de sucesso. Nesses casos, a TABELA DE COMPORTAMENTO mostra-se um bom método, recompensando o comportamento positivo. Nesse método desenvolve-se na criança a vontade de mudar, pela possibilidade de recompensa com algo esperado por ela. Mas CUIDADO, não é para comprá-la! Não são necessários artigos caros, a recompensa pode ser um passeio a um lugar que ela goste, um livro, um caderno para escolinha, coisas do dia a dia. Por exemplo: 3 dias sem a chupeta/dedo, vale um passeio a um lugar esperado, uma pracinha. Quanto mais tempo, maior o prêmio. E nada de castigos caso não se atinja o objetivo, simplesmente recomeça-se a contagem ao observar a falha. A tabela deve ser colorida, atrativa, com um tema de interesse da criança e ela deve participar da confecção, com a colagem de figuras positivas, por exemplo, nos dias de êxito. Esse método tem grandes índices de sucesso, e as metas, claro, devem estar de acordo com as possibilidades da criança.

Orientamos sempre o emprego de uma linguagem positiva, metas e recompensas. Métodos punitivos ou agressivos são sempre contra indicados. A eliminação do hábito não deve ser de forma abrupta, sob pena de levar a traumas ou conduzir a outro hábito. A sucção do dedo geralmente é mais difícil, se prolongando por mais tempo. Cuidado mamães, para a ansiedade em tirar o hábito não chamar mais atenção para ele! Tenha profissionais para acompanhar o caso e orientá-la. É importante sempre lembrar que independentemente da técnica usada para remoção do hábito, os aspectos individuais da criança devem ser respeitados e que a maturidade da criança será um aliado na aceitação.

foto perfil grazi-1Graziela Botton é Cirurgiã Dentista (CRO-RS 13931), Mestre em Ciências Odontológicas/Ênfase em Odontopediatria-UFSM e Doutoranda em Ciências Odontológicas/Ênfase em Odontopediatria-UFSM.