Eu era uma mãe perfeita, até ter filhos

Eu era uma mãe perfeita, até ter filhos


11 de Janeiro de 2016

Antes de ter filhos, quando eu me imaginava como mãe, eu era perfeita. Eu teria paciência de sobra, nunca perderia a calma, brincaria muito, não daria nada que não fosse absolutamente saudável, conheceria as melhores teorias sobre criação dos filhos, saberia exatamente como agir no caso de um ataque de birra, saberia educar, entender e corrigir, não gritaria, não reclamaria, não deixaria assistir à TV, não deixaria brincar com tablets e afins, priorizaria só brincadeiras lúdicas, seguiria sempre uma rotina organizada, dentre tantas outras coisas que eu julgava ideais na criação de filhos.

mae perfeita
Photo Credit: Lauren Odell Usher Sharpton via Compfight cc

Mas aí o bebê nasce, a gente descobre que eles tem uma personalidade própria e única, tem vontades que nem sempre condizem com a nossa e que não podemos controlar tudo. Aí a gente percebe que tudo aquilo que planejamos é completamente diferente na prática e que iremos, muito provavelmente, ser uma mãe muito diferente daquilo que idealizamos.

E assim, acabamos abandonando o caminho planejado, porque percebemos que pegar o atalho é o que nos resta, afinal, a maternidade não é uma equação perfeita e entre o preto e o branco da criação de filhos há uma infinidade de tons de cinza.

E isso nos faz péssimas mães? É claro que não! Na vida, nem tudo precisa ser 8 ou 80. Não é porque não somos perfeitas que somos um verdadeiro fracasso, não é porque não tiramos 10 que seremos reprovadas. A maternidade é uma experiência que nos ensina, dia a dia, e com ela vamos mudando, nos adaptando, fazendo o que de melhor conseguimos diante de uma determinada situação. Crianças são seres únicos, com vontades próprias, e elas demandarão de nós adaptação constante e diante de tantos desafios nós fazemos os nosso melhor, o que nem sempre (ou quase nunca) é aquilo que a gente imaginava antes de colocar um serzinho no mundo.

Eu estou longe, muito longe de ser a mãe que idealizei. Tenho muito menos paciência do que gostaria, muitas e muitas vezes não sei como agir, nunca sei se estou sendo dura de mais ou de menos, tenho dúvidas se estou conseguindo educar adequadamente, dentre tantas outras inseguranças e falhas.

Mas no fim das contas, essa é a melhor mãe que eu consigo ser, pois sei que tento, dia após dia, dar o meu melhor. Posso não ser perfeita (e tenho certeza que nunca serei), mas também sei que busco sempre melhorar e aprender. Como eu já disse, a maternidade não é uma equação perfeita e filhos não são uma variável completamente controlável, assim, o resultado depende de vários fatores e, no fim, se estamos dispostos a melhorar e aprender sempre, dará tudo certo.

Se existe amor, existe compreensão, existe carinho e existe limites, podemos ter certeza de que estamos no caminho certo. Podemos não ser perfeitas, podemos ter nossas falhas, podemos fazer menos do que gostaríamos, mas estamos fazendo o que está ao nosso alcance. E da melhor forma possível.