Mais respeito, por favor.

Mais respeito, por favor.


9 de julho de 2014

sandyImagine a seguinte situação: você acaba de ter um filho. Está cansada, com medo, cheia de dúvidas e inseguranças. Além disso, está sofrendo com a privação de sono e com os hormônios que parecem terem entrado em ebulição. E aí, no meio de tudo isso, algumas pessoas próximas, que tem contato com você e sabem da sua vida, resolvem fazer algumas críticas, nada, nada construtivas. Questionam a sua forma de amamentar e o quanto de leite de você tem, põem em dúvida se o seu filho está ganhando peso realmente, julgam a sua escolha de parto e dão a entender que você não será uma boa mãe porque tomou essa ou aquela decisão ou porque está fazendo as coisas desse ou daquele jeito.

Como você se sentiria? Péssima! Qual a consequência disso na sua vida? Arrasadora!

E por que isso? Porque como eu disse lá no início, você está sensível, você está com medo, a coisa mais importante da sua vida acaba de acontecer e você ainda não sabe lidar direito com isso, seus hormônios estão doidinhos da Silva e você está passando por um momento que se chama puerpério, que significa tudo isso que eu acabei de relatar e mais uma pá de outras coisas difíceis, delicadas e que só quem já passou pode entender.

Agora, imagine essa situação – você no puerpério e sofrendo críticas – sendo elevada à décima potência. Imagine essa ou essas críticas que você viveu sendo escancaradas em sites, revistas, blogs e redes sociais. Ou seja, a sua vida pessoal, o seu momento difícil, uma escolha sua, uma situação que só diz respeito a você e seu filho sendo discutida (e julgada/condenada) por centenas de milhares de outras mães.

Pois é, minha gente. Quem acabou de passar por isso, há poucos dias, é a pobre da Sandy, que depois que pariu um bebê, na cabeça e boca de muita gente, virou a vilã nacional.

E qual é o crime que a Sandy cometeu? Ela acabou de ter um bebê através de uma cesárea. E, para completar, logo depois da também famosa Wanessa Camargo ter tido o filho via parto normal. Ou seja, para gente ignorante, a Wanessa virou heroína e a Sandy uma crápula, uma escória, uma “menos mãe” diante das outras mães, perfeitas no seu próprio entendimento.

Eu não sei o que vocês pensam disso, mas para mim parece óbvio que à Sandy cabe o direito de escolha que cabe a todas as outras mães. Se eu tive o direito de escolher ter o meu filho de parto normal e ele foi respeitado, a Sandy também tem o direito de escolher ter o dela da forma que bem entender (seja cesárea, seja parto natural, seja parto de cócoras, seja parto na água, seja o escambau).

Eu não acompanho a vida pessoal ou profissional da Sandy, mas não posso dizer que sou totalmente alheia às notícias sobre ela. E até agora, de tudo que vi e ouvi sobre essa moça (agora já mulher, é a gente que não percebe que o tempo passa para ela também), ela me parece gente boa. Me parece uma pessoa delicada, sensível, carinhosa, amorosa, cuidadosa, que casou com um cara legal e que está tentando constituir uma família bacana, do bem, saudável e cercada de amor.

Ou seja, a Sandy, ao meu ver (mesmo que eu conhecendo pouco sobre a história dela) tem muitos dos pré-requisitos que fazem de uma mulher uma boa mãe. E eu não vejo porque a escolha do parto possa vir a prejudicar isso.

Eu tinha jurado não me meter nessa balbúrdia do parto da Wanessa x o parto da Sandy, mas tem horas que não dá para calar. Eu super respeito quem defende a sua escolha de parto, até porque, se a gente escolhe algo é porque acredita que esse algo é o melhor, e quando acreditamos no melhor nós queremos compartilhar esse bem com outras pessoas. Mas também acho um absurdo as pessoas criticarem as escolhas alheias de forma mal educada, hostil  e agressiva só porque elas são diferentes da sua. E ainda mais num momento tão delicado como esse.

E antes de finalizar, quero dizer que só espero que toda essa discussão em cima do parto da Sandy sirva para trazer alguns aprendizados:

  • Que ninguém tem o direito de julgar e condenar as decisões alheias (afinal, ninguém sabe o que esteve em jogo naquela situação);
  • Que o puerpério é um período extremamente delicado da vida de uma mulher e que há de se ter muito cuidado como que se fala, sob pena de trazer prejuízos realmente significativos para mãe e bebê (ou você nunca ouviu falar que situações de stress podem levar à diminuição da produção de leite, por exemplo).
  • Que diferentes tipos de parto trazer diferentes benefícios para mãe e filho, mas que isso não faz de alguém uma mãe melhor ou pior.
  • Que o tempo livre que a gente tem é muito melhor aproveitado curtindo a companhia dos nossos filhos que dedicando-se a julgar o que os outros fazem de suas vidas.