O primeiro dia de férias do Leo (Jesus, dai-me forças!)

O primeiro dia de férias do Leo (Jesus, dai-me forças!)


15 de julho de 2014

super levadoOntem foi o primeiro dia de férias do Leo. Na verdade, as férias começaram no início desse mês, mas eu coloquei o meu pequeno num curso de férias para poder continuar dando conta do recado aqui em casa.

Pois bem, nem preciso dizer que terminei o primeiro dia acabada. Mas gente, A C A B A D A   M E S M O!  E hoje, trocando umas mensagens no Whatsapp com uma amiga grávida, aproveite para chorar as minhas pitangas e deixar a pobre coitada apavorada.

Depois de reclamar várias vezes que estava cansada, estressada, exausta, ela me larga essa: “Ai amiga, por favor, não me apavora! Tive o Lucas (primeiro filho dela) há 14 anos atrás e só tenho boas lembranças. Você está reclamando tanto hoje que está me dando até medo”.

Bom, nessa hora, soltei um “pre-para!” e resolvi deixar o assunto morrer. Mas, na verdade, o que eu estava quase contando para ela era o seguinte:

Resumo do meu dia (mas bem resumido mesmo, juro!):

Acordei às 6h30min da manhã com o Leo chorando e querendo ir para a sala naquele frio de renguear cusco, como se diz no RS (e eu louca para ficar na cama por mais umas duas semanas, mais ou menos).

Em seguida, quando eu já tinha me alojado ao lado dele, embaixo de um cobertorzinho quente, e estava crente que ia tirar uma soneca sem ele perceber (ele via o desenho do gatinho na TV – Tom & Jerry, traduzindo), ele resolveu que queria brincar no tapetinho. E lá fomos nós.

Nessa hora, eu montei a pista dos carrinhos, fiz dinossauro de massinha, reorganizei os brinquedos dentro das devidas caixas (fingindo que era um brincadeira), montei um cenário de Jurassic Park e nem lembro mais o que, pois ainda estava meio dormindo, meio acordada.

Um tantinho depois, quando o resto da humanidade já tinha acordado, dei uma enrolada no pequeno e liguei para o pedreiro que vai dar um tapa no apartamento que vamos devolver e para cinco transportadoras para pedir orçamento de mudança. Enquanto gritava 60 mil vezes: “Filho, agora não”, “Leo, não mexe aí”, “Querido, desce do sofá”, “Amado, não puxa o telefone”, e por aí foi…

Até o fim da manhã, troquei a fralda umas três vezes. Uma vez por número um e duas vezes por número 2. E, claro, sempre com o processo todo sendo uma luta: “Vem aqui. Não, não rola! Por que sempre que falo para trocar a fralda você foge? Se você ficar com xixi vai molhar toda a roupa e eu terei que trocar tudo. Volta aqui! Aí atrás do móvel não. Eu vou te pegar! Deus, preciso de folga, férias, um domador!”.

Quando deu 11h, fui terminar de preparar o almoço dele e, na sequência, dei o papá do pequeno. Que nessa hora foi bonzinho, compreensivo, benevolente, gente boa e camarada e colaborou super bem comendo tudo (tem horas que sinto Deus olhando lá de cima e sendo justo).

Segundos depois, corri eu para almoçar, e entre uma garfada e outra eu via o Leo roubando o arroz do meu prato, eu brigando com ele pelo controle da TV, eu quase chorando e repetindo que não, naquele momento eu não colocaria no Discovery Kids porque ia almoçar vendo telejornal e pronto, afinal, eu também tinha esse direito (ele não aceitou muito bem, mas foi brincar um pouco e me deixou terminar o meu prato desfalcado de arroz).

Na sequência, recebi a melhor notícia do dia (SQN): o orçamento do meu computador, que estava no conserto, havia chegado. Abri o email e chorei. Chorei de verdade. Liguei para meu marido em desespero e quase pedi um abraço da faxineira. O conserto iria custar apenas R$ 2.700,00. Melhor jogar esse no lixo e comprar um computador novo de uma vez (E perder tudo que tinha dentro, com dor no coração. Além de jurar nunca mais tomar água na frente do computador. PS: o problema foi causado por uma garrafa de água que eu derrubei sobre o teclado do meu MAC).

Bom, nisso já era uma e tanto da tarde e resolvi que era hora do Leo dormir. E como agora o bicho briga contra o sono, me aventurei a dar um banho nele para a criaturinha relaxar e pegar no sono sem muito stress. Oi? Como é que foi? O que é que eu disse? Stress foi colocá-lo no banho. Ele berrou como se eu estivesse arrancando um braço e me deixou com vergonha da faxineira, da vizinha, do moço que estava parado no sinal da esquina e do vendedor da fruteira que fica a 10 quadras daqui. E como desgraça pouca é bobagem, quando enfim eu consegui domar a fera e coloquei-o no berço, então relaxado de tanto sono e de tanto chorar, ele começou com uma crise de tosse que me fez tirá-lo de lá em menos de dois minutos (e lá voltamos nós para a sala).

De volta para a sala e para o sofá, Leo assistiu mais um desenho enquanto eu tentava trabalhar e rezava para ele pegar no sono, assim, do nada, como que por milagre. E, claro que ele não pegou. Em vez disso, ele preferiu pegar as massinhas para brincar em cima do sofá (nem discuti), resolveu chutar as mais de 12 bolas que ele tem pela casa toda (nem discuti), resolveu colocar diversos objetos de um porte considerável sobre mim e meu computador velho (eu seguia sem discutir) e assim foi até ele se entediar novamente e demandar a minha atenção.

Bom, passamos a tarde mais ou menos nesse puxa e frouxa: Leo brincando, Leo querendo que eu brincasse com ele, eu brincando, eu tentando trabalhar, Leo reclamando, eu tendo vontade de riscar na parede o número de dias de férias já sobrevividos (mas aí lembrei que não era nem um ainda) até que tive a brilhante ideia de ir ao mercado com ele. E lá fomos nós.

Chegar no mercado foi fácil. Fazer as compras até que também foi. Mas na hora de ir embora é que o bicho pegou. Ele estava morto, acabado, exausto (só perdendo para mim nesse quesito) e é claro que deu piti. Bem na hora de passar no caixa ele resolveu que queria colo, que queria a bala com aviãozinho que estava próxima do check out (mato quem posiciona esse tipo de produto perto do caixa dos mercados), que a nossa presença naquele mercado não devia passar despercebida (jurei mais uma vez que só volto ao mercado sozinha. Não vou mais com ele nem que ele já tenha 25 anos!) e por aí foi. Quem é mãe pode imaginar.

Chegando em casa, era a hora de tirar tudo do carro e guardar. Mas ainda tinha que trocar a fralda antes (ou melhor, a roupa toda, porque tinha vazado o xixi) e ainda dar o jantar.

Em tempo record, fiz tudo isso levando algo perto de 40 minutos e depois respirei um pouco até ir para a fase final, que costuma ser bem desafiadora por aqui: dar banho na cria com sono. Que, quando está cansada, dá o piti dos pitis e me torna forte candidata a ser denunciada por maus tratos (sim, quem escuta deve pensar que eu tento afogá-lo na banheira).

O banho foi como eu previa, cheio de grito, objetos jogados ao chão, choro e eu só cantando mentalmente para tentar manter a calma.

E por fim, quando o coloquei no berço, já desmaiado e quase dormindo, começa outra crise de tosse que me fez ir até o quarto para socorrê-lo mais umas duas vezes até que o pobre coitado pegou no sono (tadinho. morri de dó).

Enfim, amigas grávidas de primeira viagem ou aquelas que já esqueceram tudo do primeiro filho: ser mão não é moleza não. Não é brincar de boneca e nem desfilar com o filho bonito, arrumadinho e comportado no shopping. Ser mãe, e ainda de criança de férias, é ir no mercado descabelada, contar as horas para colocar o filho na cama e rezar para ter uma noite de sono razoavelmente tranquila porque no dia seguinte o bicho pega e começa tudo de novo.

Boas férias!