O que é ser pai

O que é ser pai


8 de agosto de 2013

Gentein! Hoje tem post diferente aqui no blog. E mais do que especial! Depois de inúmeros convites para o papai do Léo dar a sua contribuição, ele tomou coragem e aqui vos escreve. Provavelmente porque é a semana que antecede o dia dos pais e isso deve ter mexido com ele. :-)

E então agora, com vocês, um pouquinho do que É Ser Pai, pela visão do meu querido maridão.

O que é ser pai

Léo, na sua primeira semana de vida, nos braços do papai

A minha querida esposa-blogueira me pediu, por várias vezes, que eu escrevesse um depoimento sobre a experiência de ser pai, mas eu sempre encontrava uma [genuína] desculpa para não fazê-lo.

Para começar, sou engenheiro de formação e, como vocês bem sabem, os engenheiros gostam de números, não de letras; são racionais, não emocionais; são comedidos, não expansivos; são objetivos, não subjetivos… e por aí vai. Resumo da ópera: se me arriscasse a escrever algo, seria um depoimento de 5 linhas, no máximo, caso eu estivesse em um daqueles dias super inspirados. E, muito provavelmente, ainda seria em bullet points. Enfim, o resultado estaria certamente distante daquilo que a minha linda esposa-blogueira imaginava ao pedir que eu escrevesse um depoimento sobre esta experiência.

Conclusão: seria um desastre!! Eu traçava possíveis cenários e nenhum deles me convencia. Em um deles, talvez o mais provável, eu enviaria o “depoimento de 5 linhas” pra minha linda esposa-blogueira que, com toda a razão, se negaria a publicar. Até aí tudo bem, se eu não tivesse levado umas 5 horas para escrever aquilo (1 hora por linha era a minha estimativa [otimista]) e se não ficasse possuído por ter jogado meu tempo no lixo!

Em outro cenário, ela elogiaria minhas 5 linhas – para não me chatear, claro – e se ofereceria para fazer alguns pequenos ajustes com o intuito de deixar a leitura mais agradável  – ou “fluída”, como ela gosta de dizer. Bacana, se o resultado não fosse um texto de mais de 50 linhas, relatando múltiplos aspectos da vida paterna, como as alterações no relacionamento com os amigos – e realmente mudam – ou as alterações na vida do casal – e se mudam! Enfim… descaracterizaria por completo o meu relato e, por mais genuíno que fosse abordar estes tópicos, são coisas que nós homens dificilmente escreveríamos… e muito menos nós engenheiros!

Mas, por força do acaso, os planos mudaram. Talvez eu teria sim um bom motivo para iniciar esse post que ela tanto pediu, e agora vocês vão entender porque.

Fiquei sabendo que precisaria viajar para os EUA a trabalho, para atender alguns compromissos que se estenderiam de segunda à quinta-feira. Quando soube disso, pensei que seria uma oportunidade  para ir já na sexta-feira anterior e aproveitar o final de semana por lá. Pensei em visitar alguns amigos, passear pela cidade e, obviamente, fazer compras! (sim, os homens também curtem fazer compras de vez em quando, MUITO de vez em quando).

Como um bom engenheiro, resolvi começar uma pequena lista de compras com os itens que potencialmente compraria nos EUA para já deixar tudo organizado. Mas fazer a lista onde? Na hora, pensei que deveria usar algo prático e simples e que estivesse comigo sempre, do contrário eu poderia ter ideias brilhantes e acabar esquecendo (sim, minha memória não é das mais admiráveis).

Após pensar um pouco, me veio à mente o óbvio: o telefone celular! É claro que teria algum aplicativo para “notas” lá. E foi então que veio a surpresa. Ao abrir o aplicativo percebi que nele já existia uma lista preenchida!! Wow! Que lista seria essa?

Eu realmente já não me lembrava, mas essa lista tinha sido iniciada no dia do nascimento do Léo. Sim, eu havia decidido anotar, com o nascimento daquela coisinha linda, as mudanças – geralmente simples, cotidianas – que sua chegada trazia e que faziam com que a minha vida tivesse muito mais brilho e ganhasse novas perspectivas.

Pelos meus cálculos recentes, a lista parou de ser preenchida após duas semanas de vida do meu pequeno e, com a loucura que veio a seguir, caiu no esquecimento para ser encontrada só agora, mais de um ano depois.

Se por um lado lamento não ter continuado a escrever a lista, por outro entendo que tê-la deixado cair no esquecimento resultou em uma lista de enorme valor sentimental já que registra, justamente, os primeiros dias da fase mais transformadora da minha vida. Pois é, quando meus amigos solteiros compartilham comigo o temor de um possível casamento, as estratégias para “enrolar” a noiva por mais alguns anos (rsrsrsrs… brincadeira, claro), costumo dizer que casamento pouco muda as nossas vidas, mas ter filho, sim, é algo transformacional. Realmente, muita coisa muda, mas essa parte eu deixo para a minha esposa-blogueira pois, como dito acima, engenheiros não escrevem sobre essas questões muito sentimentais.

Enfim, vamos ao que interessa: a lista! Antes disso, porém, apenas um alerta. Não esperem algo emocionante, sensacionalista, Hollywoodiano! Como dito acima, é uma lista de pequenos eventos e cenas muito pessoais, muito simples, mas que eu gostaria de guardar para sempre na minha memória.

Parece contraditório, mas não é. Já pararam para refletir sobre a palavra “sublime”? Segundo Alain de Botton, trata-se do “sentimento no qual o medo e o respeito por algo muito grandioso se fundem em uma estranha sensação prazerosa de humildade”. Pois é, posso dizer que a magia daquele momento deixou meu coração mais aberto para admirar a vida em seu estado mais puro, sem excessos, sem brilhos… apenas a vida.

Agora sim, a lista:

“Ser pai é…

… admirar o maravilhoso nascer do Sol em São Paulo da janela do berçário da maternidade

… esquecer sua própria assinatura ao dar entrada na maternidade e só lembrar 3 dias depois

… ficar no estado de mais pura felicidade quando o filho mama bastante e cai em sono profundo

… sair a 1h00 da manhã e rodar São Paulo atrás de farmácias 24h para comprar um tal leite “especial” e não encontrar

… descobrir que esse leite “especial” é um tipo de leite em pó que se vende também em supermercado e, às 2h30, conseguir comprar

… observar em sua esposa o limite da sanidade humana resultante da falta de sono

… assumir as rédeas quando a sua esposa, já exausta, precisa de um ombro amigo e um braço forte

… curtir 30 minutos de ociosidade para ficar admirando aquela coisinha linda em sono profundo

Coincidentemente ou não, o dia dos pais está chegando e se me perguntarem o presente que eu quero ganhar, eu digo: “não quero presente nenhum, quero passar o tempo com essa minha família linda… e isso basta”.

Léo e Shi, amo vocês!