Recém nascido em casa: os limites necessários

O verdadeiro (e necessário) limite


19 de julho de 2013

Amigas! Mais novidade aqui no blog (adoro!!!)! A partir de hoje, teremos mais uma coluna super interessante e útil escrita por uma especialista no assunto: a coluna Psicologia.

Nela, mensalmente, a psicóloga especialista em Infância e Adolescência, Raquel Suertegaray, irá abordar diversos temas dos universos materno e infantil, sempre com uma abordagem positiva e tendo como intuito ampliar horizontes e ajudar na tomada de decisões.

Neste seu primeiro teto, o tema abordado é Limite. Espero que gostem e aguardem as próximas contribuições, sempre às sextas-feiras, uma vez por mês.

O verdadeiro (e necessário) limite

Olá! Hoje é a minha primeira participação aqui no Macetes de Mãe. Primeira como colaboradora, mas já experimentei como leitora do blog e integrante do grupo de discussão MdM. Gosto muito desse espaço porque ele traz a medida exata do desamparo que as mães sentem nessa fase tão cheia de dúvidas, angústias e alegrias que é o início da maternidade, e também por isso me senti tão feliz e confortável em colaborar com ele.

Minha intenção aqui, pelos próximos meses, será a de trazer algumas questões para serem pensadas. Não irei ditar regras ou caminhos a serem seguidos, mas apenas passar algumas orientações e esclarecimentos que ajudarão a ampliar horizontes e servirão de balizas para decisões futuras.

Isto mesmo, a ideia é trazer um tom de reflexão para esta coluna, fugindo de verdades absolutas e fórmulas milagrosas, pois quem vive o dia-dia de cuidar de crianças sabe bem que somos surpreendidas por novidades a todo instante e temos nossas certezas desconstruídas com muita frequência.

Pensei em muitos temas para abordar nessa primeira participação, mas achei que o ideal seria começar pelo princípio: o inicio da vida do bebê. Mas no que focar?

Ao longo destes 11 anos que atuo junto a crianças, percebo que um dos assuntos mais presente em qualquer roda de discussão sobre infância também é um dos que sofre mais distorções: o limite.

Apesar deste ser um tema muito abordado quando se trata de crianças, raramente é pensado quando falamos de bebês, pois, para muitos, a ideia de estabelecer limites nesta fase pode parecer extrema rigidez.

Entretanto, é o limite adequado, aquele sem rigidez, que irá permitir que tudo flua bem, afinal, temos que ter em mente que o bebê está diante de um mundo desconhecido, assim como a sua mãe, e uma rotina bem estabelecida funciona como organizador para ambos.

Gosto muito de levar o adulto a se colocar no lugar do bebê, pois este é um exercício valioso. Nada melhor que uma boa dose de empatia para transmitir conforto à alguém. Então, vamos lá… Imagine-se no seu primeiro dia de trabalho, em uma função que você não conhece muito bem, onde todos estão de olho em você. Se houver uma continuidade na sua rotina você vai se tranquilizar. Porém, se a cada pouco suas tarefas forem alteradas, sua mesa trocada de lugar e a pessoa que lhe orienta substituída, você provavelmente entrará em pânico. Isso que você já viveu longos anos e tem uma boa bagagem para lidar com essa situação.

Só que o bebê ainda não viveu nada disso, não conhece a si mesmo, nem conhece o ambiente, não sabe o que fazer para se acalmar e nem como acalmar sua mãe. Este desconhecimento causa um profundo sentimento de desamparo no recém-nascido e este desamparo se converte em choro e, não raras vezes, em um estado de desorganização, difícil de ser manejado. E assim,  diante de um ambiente caótico, esta catástrofe é quase uma regra.

Chorar é o único recurso do bebê. É o choro que mostra ao mundo que o bebê precisa ser atendido e uma boa conexão entre ele e a mãe trará qualidade a este entendimento e atendimento. Só que esta conexão não é mágica, ela se constrói, e para ser construída a mãe precisa de espaço.

Seguindo este raciocínio, nesta fase inicial, o limite não é para o bebê, pois ele precisa ter todas suas necessidades atendidas (ter seu desconforto atendido integra o bebê), mas para o mundo. Este limite é para as visitas, para a família, para a exposição do bebê. Ele precisa de um ambiente tranquilo e acolhedor e sua mãe precisa descansar, para ter energia para atender as suas necessidades e as do bebê (algo que, muitas vezes, torna-se impossível em muitos lares).

Vejo que muitas vezes, na ânsia de ajudar, pois é normal que ocorram muitos desacertos nessa fase inicial, as pessoas invadem o espaço da mãe e seu bebê, com mil conselhos e receitas infalíveis para amamentar, para fazer dormir, para arrotar (etc…) causando na mãe ansiedade e, muitas vezes, um sentimento de incapacidade.

Aqui, muitas vezes, começam os problemas. O bebê que mal enxerga, não fala, não tem controle do próprio corpo, tem uma ligação telepática com a mãe, percebe seu estado emocional e se baliza por este. Não é preciso ser expert para entender que se a mãe se desorganiza internamente, o bebê tende a se desorganizar também, como ato contínuo.

As mães precisam de ajuda, muita ajuda, para limpar a casa, fazer comida, dar colo, escutar, entre outros. Mas é necessário, também, que quem irá prestar essa ajuda esteja preparado para lidar com as oscilações de humor da mãe nessa fase. Nesse início, a mãe está mexida por um turbilhão hormonal e, provavelmente, atormentada por um medo avassalador de não saber o que fazer, e ela e o bebê precisam de espaço e privacidade para lidar com isto.

Traduzindo e finalizando a minha participação de hoje: as pessoas precisam ser colocadas no “seu lugar”. Ou seja: avós, tias, amigas ou quem quer que seja não são A MÃE. Elas podem, sim, dar alguns palpites, mas não devem se exceder, pois quem decide é a mãe. Lugares e papéis são a base para que os limites adequados se estabeleçam, e é isto que deverá ser feito com a criança e com o adulto, até o fim da vida, para que esse possa viver em equilíbrio e ser feliz.

Espero que minha contribuição de hoje seja útil para muitas mães que estão vivendo essa fase ou que ainda irão viver. Nos próximos meses, trarei outros assuntos relativos à psicologia e bem estar infantil e será um prazer trocar ideias com vocês, por isso, sintam-se à vontade para deixar seus comentários abaixo e sugerir novos assuntos.

Obrigada pela atenção e até mais!
Raquel Suertegaray

Raquel e a encantadora Karol

Raquel Suertegaray é psicóloga e mãe da Karol, de 10 anos, uma menina inteligente, esperta e linda que foi adotada aos seis anos de idade. Ela é formada pela PUC-RS e é especialista em Infância e Adolescência e em Avaliação Psicológica pelo Instituto Contemporâneo de Psicanálise e Transdisciplinaridade de Porto Alegre. Já trabalhou como psicóloga de abrigos infanto-juvenis e atualmente atua em consultório particular e como psicóloga escolar. Sob sua responsabilidade também está a Escola Pirlimpimpim de Educação Infantil, da qual é dona e diretora há dois anos.