Placenta prévia ou placenta baixa

Placenta prévia ou placenta baixa


12 de Fevereiro de 2015

O assunto abordado no post de hoje é placenta prévia ou placenta baixa e ele foi escrito por uma obstetra, a Melissa Bianchi. Melissa teve esse problema na sua gestação e, nesse texto, explica direitinho o que é as consequências dele mas, também, relata a sua experiência pessoal, dúvidas e angústias. Boa leitura!

placenta previa final
Photo Credit: Jesse Michael Nix via Compfight cc

Placenta prévia ou placenta baixa

Por Melissa Bianchi

Olá! Primeiramente, vou me apresentar para vocês. Meu nome é Melissa, sou médica ginecologista e obstetra, tenho boa experiência na área de endometriose e cirurgia laparoscópica, e sou também uma gravidinha. No post de hoje, vou falar de um assunto que assusta muitas gestantes, a placenta prévia. Mas antes de entrar nos detalhes desse problema, vou contar um pouco da minha história para vocês (bom, pelo menos parte dela, senão o post vai virar um livro. Risos!) e vocês vão ver as ironias que o destino me preparou.

Como toda mulher moderna, eu esperei até o momento ideal para planejar minha gestação, e, claro, também sempre tive aquele medo de não conseguir. E, no meu caso, esse medo se tornou realidade. Após 1 ano e meio de tentativas, das mais variadas, desde as crendices populares até técnicas de fertilizaçao de baixa complexidade, fui diagnosticada com endometriose. Realizei cirurgia, aguardei mais alguns meses e nada. Após, iniciei o tratamento para fertilizaçao in vitro e esse também me preparou algumas surpresas. Tive síndrome do hiperestímulo ovariano (resposta exagerada do ovário aos medicamentos utilizados para indução da ovulação, que leva à produção de um grande número de óvulos, porém de baixa qualidade) e também sofri com endométrio pouco responsivo (que é uma resposta “abaixo” do esperado aos medicamentos utilizados no prepare endometrial para fertilização). Mas mesmo assim, após a primeira transferência embrionária, eu estava grávida!!!

A partir daí, acordei em um mundo cor de rosa! Mesmo antes de saber q ele se tornaria literalmente rosa, pois hoje espero a Alice. Segui todas as recomendações e fiz tudo bem direitinho. Planejei meu parto, decidi que queria ter parto normal, conveci minha familía que esta era a minha opção e era a melhor. Foi dificil, principalmente convencer o meu marido, mas consegui. E para minha surpresa, em um dos meus exames de ultrassom, foi observado que eu tinha placenta prévia.

A placenta prévia é uma complicação obstétrica de baixa incidência e acontece em apenas cerca de 0,5 a 1% das gestações. Nesses casos, a placenta se fixa à parede uterina de forma anormal, em uma localização mais baixa do que o habitual, e pode recobrir total ou parcialmente o orifício interno do colo uterino (que seria a saída do útero) no terceiro trimestre da gestação. Antes deste período, a baixa implantaçao da placenta pode não ter significado patológico, já que esta ainda esta em desenvolvimento e sofre migração de sua posição. Alguns dos fatores de risco que podem causar esse problema são: idade materna avançada, maior número de gestações, cirurgias uterinas anteriores como curetagens e cesáreas e tabagismo.

Temos três tipos de placenta prévia: total, quando recobre toda a área do orifício interno do colo; parcial, quando o faz parcialmente; e marginal, quando a borda da placenta atinge a borda do orifício interno do colo.

O diagnóstico é feito através dos sintomas e do exame de ultrassom. A gestante pode ter sangramentos súbitos, sem dores e de forma recorrente e no exame de ultrassom pode-se visualizar a baixa implantação da placenta.

As complicações deste problema podem ser: sangramentos, podendo ser discretos, mas também muito volumosos e acarretarem prejuízos tanto ao feto quanto à mãe; apresentações anomalas do feto, em posição pélvica (sentado) ou córmico (deitado); e, ainda, acretismo placentário em 10% dos casos, que seria uma penetração anormal da placenta na parede do útero, mais profunda e em diferentes graus.

Não existe forma de prevenção desse problema e, quando ocorre, a gestante deve seguir as orientações dadas pelo seu obstetra. Normalmente, deve guardar repouso relativo, ou seja, não realizar grande esforços ou atividades físicas, deve permanecer em abstinência sexual e realizar os exames de controle periodicamente.

Quanto ao parto, ele irá depender do tipo de placenta prévia que a gestante tiver. Se for total ou parcial, o parto indicado será cesárea devido a possibilidade de hemorragias, podendo ser antecipado caso ocorra sangramentos volumosos. Já se for marginal, o parto normal pode ser realizado. Lembrando que quanto mais próximo da data prevista melhor para o bebê, desde que as condições da mãe permitam, claro.

Hoje, minha situação é essa: placenta prévia total, sem fatores de risco, sem sangramentos, mantendo os cuidados e parto cesárea.

Bom, espero que a minha história e as minhas explicações possam ter colaborado com alguém que esteja passando por essa situação. Se alguém tiver dúvidas, peço que deixe nos comentários abaixo que tentarei respondê-las.

Abraços, Melissa

Sobre a autora do texto:

Melissa Bianchi Escudero é médica ginecologista e obstetra, com experiência na área de endometriose e cirurgia laparoscópica, e está grávida da Alice.