Quando viramos mãe a gente paga a língua

Quando nos tornamos mãe a gente paga a língua


14 de Maio de 2013

Vou confessar uma coisa para vocês, mas, por favor, não espalhem: eu, antes de me tornar mãe, costumava julgar, e MUITO, outras mães e suas atitudes (e que atire a primeira mamadeira que nunca fez isso).

Hoje, olho para trás e meia duzia de coisas (ou muito mais do que isso) que eu costumava recriminar me vejo fazendo igual, ou até um pouco pior (nada como um dia após, o outro).Sempre fui daquelas que quando via um casal com filhos e babá num restaurante pensava: Que absurdo! Como é que se coloca um filho no mundo para ele ser criado por uma babá? Claro que continuo achando que uma criança não pode ser criada por uma babá, é óbvio (ela existe para ajudar, e não para fazer o papel de mãe), mas hoje eu já consigo entender (e muito bem) algumas das circunstâncias que levam uma família a optar pela ajuda de uma profissional (Ajuda, gente. Ajuda! Não comecem a me crucificar por estar falando isso aqui).

Também era daquelas que pensava: Ah! Não tem essa de não conseguir amamentar. Aposto que a mãe não teve paciência de amamentar e aí veio com essa de que não tem leite, o filho não mama, não sei o que deu errado. Ahahahahahaha! Nessa paguei a minha lingua feio, pois eu, a pessoinha que teve esse pensamento feio aí de cima, não conseguiu amamentar o filho da forma que esperava e julgava ser tão fácil e natural.

Sem contar as vezes que vi uma criança chorando ou fazendo birra e pensei que eram os pais que não sabiam educar, dar limite, controlar. As vezes que vi uma mãe estressada e me perguntei porque cargas d’água ela decidiu ter um filho se não tinha paciência para cuidar. Ou às vezes que via mães super preocupadas, zelosas e cuidadosas e as taxei de neuróticas.

Enfim, paguei a lingua em quase tudo isso aí de cima: hoje eu tenho uma babá para me ajudar (ok, ela não vai para o restaurante no final de semana, mas ela existe na minha vida de segunda a sexta), não consegui amamentar por mais de três meses, tenho um filho que chora, grita e berra em muitas, mas muitas circunstâncias, já me peguei estressada diversas vezes e sou um tanto, se não um monte, neurótica.

E o que tudo isso aí me fez ver que é muito, mas muito feio julgar os outros, e ainda mais quando se trata de julgar outras mães.

Hoje, que vivo na pele a experiência de ser mãe, percebo que nem sempre as coisas saem como a gente gostaria, que nem sempre temos controle de tudo, que tem horas que vamos jogar a toalha e que há momentos que vamos pedir arrego. Sim, somos humanas, somos imperfeitas, temos nossos momentos de fraqueza, de cansaço, de desespero, e até de insanidade. E é esse conjunto todo, esse lado incontrolável da maternidade, que nos leva a fazer ou aceitar coisas que antes nos pareciam impossíveis, ridículas, uma afronta a nossa capacidade de ser mãe.

Minha experiência nesse um ano de convivência com o Léo me ensinou muitas coisas, mas uma das principais coisas que aprendi é que não temos o direito de julgar outras mães, não temos o direito de achar que sabemos o que é melhor para o filho dos outros, e não temos o direito de dar palpites achando que só porque funcionou com a gente vai funcionar com o resto do mundo.

Eu faço uma força sobre humana para que, quando eu escrevo aqui no blog, não pareça que estou (desculpem a expressão, mas não dava para usar outra) “cagando verdade”. Até porque, em maternidade e criação de filhos, não há uma verdade absoluta. Então, o que faço é sempre contar o que aconteceu e funcionou comigo e deixar a informação à disposição para que talvez, quem sabe, por ventura, ela venha a ser útil para outras pessoas também.

Hoje, vejo o quanto a gente é ignorante quando, sem ainda ser mãe, se acha no direito de saber o que é o certo e o errado nesse terreno tão arenoso que é a maternidade. Quando lembro de todos os julgamentos que fiz mentalmente (graças a Deus só mentalmente) chego a ter vergonha e a pedir desculpas (também mentalmente) às pobre coitadas que um dia eu julguei sem elas nem sequer sonhar que passavam por isso.

Esses são apenas alguns exemplos de situações que na teoria e na prática são completamente diferentes. Que olhando de fora nos parecem ser uma coisa, mas que na hora de vivê-los a coisa muda de figura. Tenho certeza que tem muita mamãe aí lendo esse post e se identificando. Pensando: e não é que é  bem assim mesmo! Um dia de caça, outro de caçador. Não é minha gente? Só que neste caso, na ordem contrária.

E você? Também julgou, condenou e agora está no mesmo barco dessas pobres condenadas? Se sim, conte sua história aqui, deixando um comentário abaixo. Se não, na boa… conta outra! Porque, eu euzinha aqui não acredito não. :-)

Gostou desse post? Leia outro sobre esse mesmo assunto: 

Em maternidade não tem jeito de acertar. Pelo menos não aos olhos dos outros.