Quando o seu filho está longe de ser a criança que você idealizou

Quando o seu filho está longe de ser a criança que você idealizou


16 de Maio de 2016

Vamos ser sinceras e fazer uma confissão aqui: a gente idealiza os nossos filhos. Antes deles nascerem, já temos uma imagem pré-concebida do filho perfeito. Só que, nem sempre, as coisas saem como a gente espera.

Uma coisa que eu percebo, e muito, por aí, é mãe idealizando filho bonzinho. Aquele bebê que dorme a noite inteira desde cedo, que não faz birra, que aprende as coisas rápido, que come tudo, que é obediente, independente e bem educado. E mais mil e uma coisas. Todas positivas, é claro. E por que pensamos assim? Porque assim dá menos trabalho! E somos comodistas por natureza. Nunca vi uma mãe dizer: “Nossa, sonho em ter um filho que não dorme, que dá trabalho para comer, que tem personalidade forte, é teimoso e birrento. Daqueles eu digo uma coisa, ele diz outra, questiona, faz diferente, me desafia.”. Não, minha gente, isso não acontece. A gente quer sempre o caminho mais fácil.

filho idealizado
Photo Credit: Lynda Giddens via Compfight cc

Só que em se tratando de filhos, o caminho mais fácil não existe. Pode até ser que seu filho durma bem e bata um pratinho cheio, mas, por outro lado, ele pode simplesmente ter uma personalidade do cão. Daquelas que te tiram do sério, que te fazem perguntar: “O que fiz para merecer isso?”.

Em se tratando do Leo, por exemplo, é claro que eu fiz planos para que ele dormisse a noite toda desde 3 meses de idade (ahahaha! que piada), mamasse no peito por muito tempo (não rolou), comesse bem (isso deu certo), fosse educado, tranquilo, obediente e independente (ó a lei do menor esforço aí). E ele é desses? Claaaaaro que não! Leo tem o que a gente costuma chamar de “personalidade forte”, ou seja, só faz o que realmente quer (e dá um trabalho convencê-lo de que ele quer aquilo), questiona, desafia, bate de frente mesmo.

Ou seja, lidar com ele não é das tarefas mais fáceis. Ou seja, em muitos aspectos, ele está longe, muito longe, de tudo aquilo que eu idealizei em um filho. Mas isso faz com que eu o ame menos? Ou faz com que eu o rejeite? Ou, ainda, faz com que eu queira mudá-lo ou moldá-lo ao que eu planejei que ele fosse? Não. Claro que não.

Com o passar do tempo, percebi que o Leo pode não ser aquele filho que eu imaginei, bonziiiiiinho e tranquilo, entretanto, por outro lado, tem inúmeras qualidades que nem passavam pela minha cabeça e que me tornam uma mãe extremamente orgulhosa dele.

Ou seja, com o tempo, passei a ver no meu filho muito mais qualidades que eu admiro do que defeitos que eu quero consertar (apesar de perceber que, como todo ser humano, é claro que ele tem defeitos).

Hoje, sigo achando que o Leo é teimoso, tem uma personalidade forte, é uma criança que questiona e desafia, mas deixei de encarar isso como problema e passei a ver essas coisas como virtudes da sua personalidade. Vendo dessa forma, percebi que eu e o pai dele teremos um bom trabalho pela frente (questionador do jeito que ele é, não vai aceitar qualquer coisa que a gente falar) entretanto, para ele, para o Leo, talvez as coisas sejam até mais fáceis, porque ele é uma criança que sabe o que quer, é decidido, não se intimida e luta pelo que acha ser o certo. Características que, muitas vezes, muitos pais lutam tanto para que seus filhos desenvolvam para que possam superar os desafios que o mundo um dia irá lhes apresentar.

Depois de muito, muito, muito analisar, pensar, questionar e filosofar sobre esse assunto – filho idealizado x filho real, tirei disso tudo alguns aprendizados:

Não adianta idealizar que dificilmente eles sairão do jeitinho que a gente sonhou. Eles tem personalidades próprias e únicas. E, muitas vezes, elas podem nos surpreender.

Podemos escolher ver os defeitos ou as virtudes. Inclusive, defeitos, dependendo de como forem vistos, podem ser virtudes maravilhosas (teimosia nem sempre é ruim, por exemplo).

Não cabe a nós querer moldarmos nossos filhos. Cabe a nós percebermos o que eles tem de melhor e ajudarmos a desenvolver essas características até elas atingirem todo seu potencial. E, é claro, corrigir aqueles pontos que sempre podem ser melhorados (acho melhor falar dessa forma do que simplesmente dizer “corrigir defeitos”. Parece coisa de máquina. Parece muito simplista para o que realmente é).

A partir do momento que passarmos a vermos uma característica não tão positiva de forma positiva (em vez de um filho medroso, você tem um filho prudente; em vez de um filho teimoso, você tem um filho decidido; em vez de um filho mexerico, você tem um filho curioso, e por aí vai) estaremos ajudando nossos filhos a desenvolverem a sua auto-confiança. Estaremos mostrando para eles que ele são especiais e que nós os amamos exatamente do jeito que são.

Se praticarmos desde cedo esse exercício, de olhar para nossos filhos do jeitinho que eles são e vermos neles tudo de bom, de maravilhoso e de encantador que eles tem, com certeza, estaremos nos preparando para aceitar e respeitar o adulto que eles se tornarão (e teremos muito menos pais querendo decidir o que seus filhos farão da vida acreditando que sabem o que é melhor para eles).

Enfim, talvez eu tenha filosofado demais nesse post, mas gosto muito de refletir sobre esse assunto. Sobre a importância de nós mudarmos a nossa visão sobre nossos filhos, de forma criticarmos menos e incentivarmos mais.

Importante: É claro que a intenção desse post também não é vender a idéia de que nossos filhos são perfeitos e de que até os defeitos, vistos sob outro ponto de vista são virtudes. Não é isso. Até porque isso seria, na verdade, extremamente nocivo para eles, pois criaríamos filhos egocêntricos e narcisistas. A intenção é mostrar para nós, que muitas vezes temos a tendência de criticar e reclamar de como nossos filhos se comportam e agem, que se olharmos com outros olhos um defeito pode ser uma virtude. Mas….. sem esquecer que características de personalidade não desejáveis (ou defeitos, se você preferir), devem ser sim corrigidas, e cabe a nós, pais, fazermos isso, pois isso é educação.

Bom, espero que eu não tenha viajado demais e que tenha conseguido me fazer entender. :-) E da próxima vez que você for reclamar de algum “defeito” do seu filho, tente olhar com outros olhos e encontrar naquele comportamento uma virtude a ser incentivada. Quando incentivamos as coisas boas, minimizamos os efeitos das coisas ruins (crianças adooooram um incentivo. Lembrem-se disso!).