Quando um bebê sofre bullying, o mundo está perdido

Quando um bebê sofre bullying, o mundo está perdido


25 de Fevereiro de 2016

Vou contar para vocês duas histórias.

Há pouco tempo, participamos de um amigo secreto. Eu, meu marido, meus dois filhos. Quando a pessoa que tirou o Caê no amigo secreto foi dar as características dele, para que os demais adivinhassem, citou justamente as suas orelhinhas, que são o que se costuma chamar de “orelha de abano”.

Dias depois, postei uma foto do Caê Instagram e o que aconteceu? Um leitor comentou, de forma pejorativa e bem maldosa, sobre as orelhas dele. Comentário esse totalmente desnecessário.

orelha de abano

Caê não tinha nem 1 ano quando esses dois episódios aconteceram. E o que isso me leva a constatar? Que meu filho não irá sofrer bullying devido a essa característica física, que ele JÁ está sofrendo.

Gente, estamos falando de um bebê! O que faz adultos acharem engraçado, divertido, fazerem piada com uma característica física de um bebê? (não, bullying não é divertido em nenhuma idade, mas com um bebê me parece ainda mais maldoso).

Eu vi, desde que o Caê nasceu, que ele tem orelha de abano. E sinceramente, isso nunca me incomodou. Me incomodaria se meu filho tivesse uma doença grave, eu sofreria se meu filho tivesse alguma deficiência. Mas orelha de abano, ah, isso se conserta. Tem cirurgia para fazer a correção e não é uma cirurgia complicada. Simples de resolver (se chegarmos à conclusão que vale a pena fazer a correção).

Mas o que não é simples de resolver é o bullying ao qual ele estará exposto. O que não é simples de resolver é a ignorância humana, que acha divertido fazer piada com possíveis “defeitos” dos outros. O que não é simples de resolver é a necessidade de mudança de uma cultura tosca que existe desde que o mundo é mundo.

E aqui, quando falo sobre o nojo que é o bullying, não me refiro só ao problema do meu filho, mas me refiro a todo tipo de bullying: por ser gordo, por ser magro, por usar óculos, por ser gay, por ser quem se é.

Uma pena que nosso mundo é assim. Que em vez de se ver a vivacidade do olhar, em vez de se ver a graça do sorriso ou de se perceber a doçura dos gestos de um bebê as pessoas ainda prefiram ver as orelhinhas que não são “perfeitas”.

E assim, deixo aqui o meu pedido: ensinem seus filhos a respeitarem as diferenças. Mostrem para seus filhos, desde cedo, que rir e fazer piada dos outros não tem a mínima graça. Deixem claro que bullying não é legal, não leva a nada e, pelo contrário, traz sofrimento.

Enfim, um post de desabafo, para nos fazer pensar e buscar, através da educação dos nossos filhos, construir um mundo melhor para se viver.