Relato de amamentação de gêmeos

Relato de amamentação de gêmeos


1 de Maio de 2015

A amamentação é uma experiência linda e prazerosa, mas também desafiadora. E mais desafiadora ainda quando se trata de amamentar gêmeos. Pois hoje, trago aqui para vocês, o relato de uma mãe que amamentou seus filhos gêmeos e fala sobre a experiência em detalhes, com muita ternura e amor.

Vale a pena conferir e se encantar com as delicadas e tocantes fotos (créditos das fotos: Patricia Magallanes).

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Amamentando gêmeos

Por Justine de Mello Roesller

A amamentação sempre me pareceu fundamental. Mesmo antes de engravidar, eu tinha conhecimento dos benefícios do leite materno e só de imaginar a sensação do contato mãe e filho já me emocionava.

Foi então que, em janeiro de 2014, descobri que estava grávida. Após algumas semanas, chegou a tão esperada ecografia e a grande surpresa: eram duas placentas e dois embriões. Grávida de gêmeos bivitelinos!!!

Por incrível que pareça, nossa reação foi tranquila, acho que em razão de, dias antes, minha prima e o irmão do meu marido também anunciarem a mesma descoberta. Sim, gêmeos primos de primeiro e segundo graus estavam a caminho.

Como acontece com todas as mães de primeira viagem, comecei a me informar sobre tudo daquele mundo até então desconhecido, o de ser mãe e ainda por cima, de gêmeos. E a primeira dúvida surgiu: será que vou conseguir amamentar dois bebês? Como farei isso? E logo iniciei o processo de acreditar e manter o pensamento positivo. Sim, eu vou amamentar meus dois filhos até os 6 meses de vida, pelo menos.

O tempo foi passando e comecei a cometer aquele pequeno “erro” das mães, de querer e falar o que vão fazer e como vão fazer, antes de terem a real noção de como é esse novo mundo da maternidade. E por algum motivo, falei para algumas pessoas que eu não iria amamentar os dois ao mesmo tempo. Que eu iria priorizar aquele momento individualmente, que cada um teria minha total dedicação na hora de mamar.

Em agosto, os gêmeos vieram! Nasceram de 35 semanas e precisaram ficar 10 dias na UTI Neonatal pegando peso e fazendo banho de luz, tempo suficiente pra nós assimilarmos a chegada deles e aprendermos muita coisa com as enfermeiras (sem esses ensinamentos não sei o que seria de nós quatro!).

Os dois, Joana e Francisco, foram levados ao meu seio com todo o amor que fui capaz de transmitir. A aceitação da Joana foi imediata e seguiu assim porque ela permaneceu comigo 2 dias, antes de ir para a NEO. Francisco apresentou “gemidinhos” e logo foi fortalecer o pulmãozinho por esse motivo. Assim, a luta para amamentá-lo iniciou, de fato, aos oito dias de seu nascimento.

Meu filho teve dificuldade em pegar o peito. Foi uma “briga” entre ele e meu seio, mas eu insisti, persisti e em uma semana ele já estava totalmente entrosado e amando o leite da mamãe.  Já a Joana parecia conhecer e amar aquele momento desde que estava na barriga.

Não tenho palavras para descrever a emoção de amamentar meus dois filhos. Claro que desde o nascimento, os dois receberam complemento, mas eu oferecia o seio em todas as mamadas. Nunca intercalei. Dica da maravilhosa da pediatra Clarissa Miura, que está sendo essencial nas nossas vidas.

Em poucos dias, minha opinião formada anteriormente caiu por terra. Meus dois filhos choravam de fome na mesma hora e junto com o nervosismo, surgiu a ideia de colocar os dois nos seios. Lembro bem, eu segurando um e o pai, o outro bebê. Eu completamente desengonçada, sem jeito e com medo de deixá-los desconfortáveis. Depois dessa primeira tentativa, eu coloquei eles umas duas ou três vezes simplesmente para registrar aquele momento, mas de repente olhei para aquelas duas benções de Deus, juntos, se alimentando e trocando calor, e a emoção foi tanta que decidi que daria mama para eles daquela forma sempre que necessário.

Em pouco tempo, eu já amamentava os dois juntos pelo menos uma vez por dia. E a verdade seja dita, essa possibilidade me salvou inúmeras vezes da tensão de ter dois bebês chorando ao mesmo tempo. E o mais maravilhoso foi perceber que aquele contato dos dois, que logo se transformou em carinho, através de suas pequenas mãozinhas, será eternamente registrado e penso eu, fará muita diferença na relação que eles terão.

Quando eles estavam com três meses e meio consegui dar o leite materno quase que exclusivamente. Eles recebiam uma mamadeira apenas por dia. Sim, mamães de gêmeos, é possível. Com muita dedicação, disposição e força de vontade é possível amamentar dois bebês.

Meus filhos foram crescendo saudáveis e fortes, e com o crescimento, meu leite não sustentava mais e passei a oferecer de duas a três mamadeiras, principalmente para meu gurizão. Sim, meninos são mais gulosos!

Os seis meses chegaram e a sensação de dever cumprido foi ótima. Logo introduzimos as frutas na alimentação e em seguida as papinhas salgadas, mas mesmo assim, segui amamentando. Junto com essas mudanças, retornei ao trabalho e é claro que houve uma redução no número de mamadas diárias, mas eles continuam com o mesmo entusiasmo. Eles mamam à noite, na madrugada (hábito que está sendo difícil de tirar), manhã e ao meio dia.

Bom, espero que minha intenção de motivar as mamães, principalmente as de gêmeos, a amamentar tenha dado certo com esse relato. Falo agora por experiência: o leite materno é fundamental para um crescimento sadio dos bebês. Meus filhos até os 7 meses e meio não apresentaram nada mais que nariz escorrendo, também em decorrência das mudanças bruscas de temperaturas do nosso querido Rio Grande do Sul.

Eu, Justine, mãe de Joana e Francisco, sou muito grata por ter eles em minha vida e também por ter tido apoio do meu marido, da minha mãe, irmãos, cunhada e tia. Só assim, encontrei forças para conseguir me dedicar ao máximo à amamentação. Onde existe amor, existe esperança e tudo é possível.

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>>>Confira, nesse vídeo, 10 dicas para aumentar a produção de leite: