Cantinho do pensamento: será que funciona

Sobre castigo e educação


2 de julho de 2013

Semana passada eu li uma matéria muito boa da revista Pais & Filhos sobre o tema castigo. Gostei tanto que resolvi vir aqui, compartilhar com você os principais pontos abordados.

Depois que temos filhos, uma das nossas principais preocupações é como iremos criá-los, educá-los, ensiná-los. Como iremos impor limites, dizer não, proibir essa ou aquela atitude. E nesse cenário é que entra a questão do castigo.

Muito comum e divulgada mundo afora está a teoria da famosa Super Nanny, na qual a criança deve ser colocada no “cantinho do pensar” sempre que fizer algo errado. Segundo ela, com esses minutinhos “fora de circulação” a criança  entenderá que fez algo errado e irá parar para pensar antes de fazer de novo.

Mas será mesmo? Depois de ler a matéria da Pais & Filhos uma outra realidade me foi apresentada, a de que esse tal cantinho do pensar não funciona para nada, pelo menos até a criança ter em média seis ou sete anos, pois crianças até essa idade não tem maturidade suficiente para pensar sobre o que fizeram. E além do mais, e até mais importante que isso, essa atitude pode levar as crianças a associarem o ato de “pensar” a algo negativo, o que eu imagino que ninguém aqui vá querer.

De acordo com a psicóloga e pedagoga Elizabeth Monteiro, “Botar uma criança para pensar sobre o que fez só serve para dar uns minutos de descanso para a mãe, não tem função educativa, porque a criança só consegue pensar sobre o que fez e só compreende o sentido moral das regras e dos valores a partir de seis ou sete anos”.

Mas então, o que fazer nessas situações? Como agir se o ideal não é colocar a criança para “pensar”, um tipo de castigo tão popular e empregado atualmente.

A solução é agir de uma forma diferente para cada situação que se apresentar. E respeitar e ajudar a criança a “transpor” as dificuldades que se apresentaram e que a fizeram agir de forma não adequada. Abaixo eu trago uma listinha do que dá para fazer quando a situação começa a sair do controle e precisamos intervir. Tudo, sempre, com muito carinho, amor e respeito. Como deve ser.

Algumas dicas básicas para educar fugindo do tradicional castigo – o cantinho do pensar:

Quando a criança der um piti, um escândalo ou chegar na famosa fase das birras, em vez de brigar e colocar de castigo tente ajudá-la a nomear suas emoções. Ou seja, diga frases como “Você está irritado porque está com sono. Você está triste porque seu brinquedo quebrou.” Isso ajuda a criança a entender o que está sentindo e a superar essa fase de frustração.

Castigo funciona sim e algumas vezes é necessário, mas ele deve ter uma relação direta com aquilo que o desencadeou e não simplesmente privar a criança de algo que ela gosta. Ou seja, se a criança fez uma cena no supermercado não adianta você tirar o vídeo game para castigá-la e evitar que ela repita o ocorrido. Nesse caso, um castigo adequado seria não levá-la nas próximas vezes junto e explicar que isso está acontecendo porque ela não soube se comportar naquele ambiente. Já se o video game é responsável pela baixa no rendimento escolar, aí sim vale privar a criança desse divertimento, pois o castigo tem ligação com o problema que está acontecendo.

Evitar ficar repetindo NÃO a toda hora também ajuda na hora de educar. Tem situações que a criança escuta tantas vezes não por dia que ele se torna banalizado e passa a não ter mais significado para ela. O ideal, quando a criança está fazendo algo que não pode ser feito é desviar o foco da sua atenção ou mudá-la de ambiente. Por exemplo: se ela quer brincar com algo que não pode, pois ela pode se machucar, chame-a para brincar com outro objeto ou em outro espaço. Funciona muito melhor.

Se sujou, limpa! Se a criança fez uma lambança, riscou a parede ou algo assim, chame-a  para ajudar na limpeza. Mesmo que o resultado não fique bom e que você tenha que refazer é importante ela perceber que é responsável pelos seus atos.

Mostre o que pode e o que não pode fazer de forma gentil, mas firme. Por exemplo, se a criança bateu em você, segure as suas mãozinhas, olhe bem nos seus olhos e fale firme, dizendo que você não gostou do que ela fez e que está brava. Fale isso de forma séria, sem que ela pense que você está brincando. Saiba que, desde muito cedo, a criança percebe se um determinado comportamento seu deixa a mãe triste ou feliz e age muitas vezes tendo isso em mente. Importante: mostre que você não gosta do comportamento da criança, mas não a deixe em dúvida sobre seu amor por ela. Essas duas coisas não podem se confundir.

Vocês também podem negociar. Isso costuma funcionar muito bem. Se o seu filho tem que estudar, deixe que ele escolha o horário mais conveniente, desde que você também concorde com o que está sendo proposto e desde que essa alternativa funcione (estudar às 2h da manhã não rola, né?).

Se você sentir que precisa colocar seu filho de castigo, pense bem onde irá fazer isso. Colocar uma criança de castigo no berço só fará com que ela associe o sono a algo ruim.

Outras dicas interessantes da matéria:

  • Não rotule seu filho: crianças e adolescentes acreditam no que ouvem sobre eles.
  • Fique fora: se seus filhos estiverem brigando, não interfira. Eles querem chamar a sua atenção.
  • Não deixe seu filho chorando: nessa situação a criança introjeta uma sensação de abandono. Principalmente o bebê precisa de toque, colo, cheiro e sensação corporal.

Bom, espero que essa versão resumida da matéria da Pais & Filhos tenha sido útil para você.
Super indico ler a matéria na íntegra e você pode fazer isso clicando aqui.

Essa matéria também foi publicada na ediçao N. 519, de junho de 2013, com o título “Castigo pra pensar? Nem pensar”.