Sobre nem tudo serem rosas no primeiro ano de vida do bebê

Sobre nem tudo serem rosas no primeiro ano de vida do bebê


10 de setembro de 2015

Certa vez, postei na fanpage do Macetes de Mãe que não via a hora do Caê completar 6 meses, pois aí estaria mais espertinho, estaria comendo, estaria interagindo mais e eu me sentiria mais segura. Muita gente entendeu o que eu quis dizer e concordou, mas um número significativo de pessoas também criticou. Comentaram que, agora, eu dizia isso, mas que depois estaria me lamentando que o tempo havia passado muito rápido, sentindo falta de tudo que ficou para trás, querendo viver de novo o que tinha ficado no passado.

primeiro ano de vida
Photo Credit: Sinthonia via Compfight cc

Na verdade, eu entendo o que essas pessoas que criticaram tentaram dizer, mas eu não concordo. Sei, claro, que com certeza sentirei saudade de um monte de coisas (ou alguém aí duvida que bebê é uma coisa deliciosa?), mas não sou daquelas pessoas que fica vivendo o passado e se lamentando pelo que ficou para trás. Pelo contrário, sou daquelas que sempre acha a nova fase mais bacana e gostosa que a anterior e considero isso uma maravilha, pois assim eu vivo o presente e não fico presa ao passado.

E além de curtir as fases novas mais ainda que as anteriores, outra coisa que me faz não sofrer com a passagem do tempo é que, para mim, nem tudo são rosas no primeiro ano de vida do bebê. Na verdade, eu considero os primeiros 12 meses uma fase bem, bem, bem desafiadora e não tenho medo, receio ou vergonha de admitir isso para ninguém.

Para mim, a festa de 1 aninho do bebê é mais do que uma comemoração para celebrar o primeiro aniversário da criança. Ela é, também, ou até principalmente, uma forma de marcar e celebrar uma conquista da mãe, que passou por um período importante, desafiador e nem sempre fácil.

Leo me deu muito trabalho no primeiro ano de vida por ter APLV, refluxo oculto e dormir muito, mas muito mal. Agora, com Caê, as coisas também não são muito diferentes. Eu não sei o que é dormir mais de 3h seguidas (e isso que ele já tem 7 meses), sofri demais com os problemas respiratórios que ele apresentou e vivo insegura por conta do pouco peso que ele costuma ganhar mês a mês. Ou seja, dizer que está sendo um mar de rosas esse primeiro ano do meu pequeno é mentira.

E sei que isso não acontece só por aqui. Converso com muitas amigas que tem bebês novinhos e também escuto desabafos de leitoras e muitas delas falam que sim, o primeiro ano é barra, é difícil, é exaustivo, é uma fase em que se testa os nossos limites. Ficar sem dormir, passar por problemas de saúde, aprender a lidar com um serzinho que a gente ainda não conhece, tudo isso e muito mais não é fácil. E quem vive sabe disso.

O problema, é que nem sempre a gente pode admitir. Muitas vezes, parece que se a gente abre a boca para dizer que as coisas não são fáceis a gente está dizendo que não ama nossos filhos o que, nem de longe, é verdade. Justamente por amarmos tanto nossas crianças é que muitas vezes sofremos tanto, porque o amor é proporcional à dedicação, à preocupação e à entrega.

Como disse, eu não tenho vergonha de admitir que comemoro sim quando meus filhos completam um ano de vida. Acho que a fase mais rica e cheia de novidades de suas vidas está ficando para trás, mas está ficando também para trás a fase mais difícil e desafiadora que a gente vive junto.

Aí tem gente que vai dizer que sempre é difícil e sempre será desafiador. Não duvido nada disso, mas acho que o  pior  já passou. Depois de um ano, eles já dormem melhor, eles já estão com a saúde mais fortalecida, eles já estão um tantinho mais independente da gente e a gente pode, aos poucos, voltar a pensar em todo o resto que foi deixado para trás, incluindo nós mesmas.

Sei que muita gente vai discordar desse texto, mas sei também que tantas outras pessoas irão entender direitinho o que eu estou querendo dizer. Acima de tudo, amamos nossos filhos, mas isso não nos impede de admitir que as coisas nem sempre são fáceis e que torcemos, sim, para que fiquem para trás os momentos mais desafiadores e que a gente possa curtir a maternidade com mais calma e tranquilidade.