Sobre ter um bebê pequeno em casa e experimentar uma certa melancolia

Sobre ter um bebê pequeno em casa e experimentar uma certa melancolia


11 de junho de 2015

Ninguém duvida que é uma delícia ter um bebê novinho em casa. Abraçar aquela coisinha redonda e cheirosa é muito gostoso, ver aquele sorriso banguela é encantador, acompanhar o desenvolvimento dia a dia é de se apaixonar. Mas essa também é uma das fases mais complicadas da maternidade, aquela em que, que apesar de tudo de bom que se vive, também traz sentimentos bastante contraditórios.

Eu falo sobre isso com propriedade porque é exatamente o que estou vivendo. Todos os dia, experimento o prazer de conviver com todo o encantamento que o Caê me proporciona, mas também vivo um período de grandes e intensa privações, que me fazem surtar de vez em quando.

bebe novinho em casa
Photo Credit: modenadude via Compfight cc

Quando falo em privações, me refiro a privação de sono, privação de descanso, privação de vida social, privação de tempo e até privação de comida. Sim, pois muitas de nós optamos por fazer dietas, muitas vezes rigorosas, seja por causa das fatídicas cólicas ou por conta de alergias (coisa que eu vivo na pele atualmente).

E esse monte de privações, mês após mês, é de pirar. Essa é a verdade. Tem dias que eu surto, entro em parafuso e tenho vontade de chorar (e choro, efetivamente). Isso costuma acontecer depois de uma noite que eu levantei 6 ou 7 vezes porque o Caê chorou, depois de eu estar há mais de 120 dias sem comer aquele monte de coisas que adoro (e que levam leite, por isso não como), de estar sem sair para bater um papo com uma amiga ou de ter que me virar nos 30 para dar conta de coisas básicas nos curtíssimos intervalos entre uma mamada e outra.

Gente, sendo sincera, não é fácil. Claro que ninguém disse que seria, eu mesma sabia que não seria, pois é meu segundo filho (e confesso que com o Leo foi ainda mais difícil, infinitamente mais difícil), mas como tem horas que dá vontade da gente jogar a toalha. Como tem horas que dá vontade de gritar “quero um tempo para mim, quero dormir pelo menos 5 horas seguidas, quero passar umas horas fora de casa sem me preocupar em voltar correndo porque tenho que dar de mamar”.

Sei lá, acho que a falta de sono tem me deixado meio zureta, mas o que sei é que esse iniciozinho de maternidade nos traz sim uma certa melancolia, uma saudade forte daquela vida “normal” que a gente tinha antes do bebê chegar, uma carência de sermos nós mesmas e não só uma extensão do nosso bebê.

É claro que todos esses sentimentos não ofuscam em nada o amor que sentimos pelos nossos pequenos, mas é importante a gente assumir que eles existem e nos perdoarmos por sentir isso de vez em quando (ou todo santo dia). Afinal, somos de carne e osso, ficamos abaladas quando dormimos mal, sentimos falta dos nossos programas e comidas favoritas e sentimos saudade, acima de tudo, de nós mesmas.

Viver quase que exclusivamente para uma criança, como acontece no início da maternidade, é uma doação sem fim. E temos sim que aceitar isso e levar as coisas adiante. Mas também temos que ter o direito de querer e poder chorar de vez em quando. Afinal, como diz o ditado, não choramos porque estamos sendo fracas, mas porque fomos fortes por muito tempo. E dar conta desse turbilhão de emoções e demandas que é ter um bebê novo em casa é sim ser bastante forte.