Tem horas que a gente faz o que dá

Tem horas que a gente faz o que dá


20 de Janeiro de 2016

Nesse final de semana, recebemos dois casais de amigos para almoçarem aqui em casa. Os babies desses casais tem a idade do Caê. Caê é o mais velho, na verdade, mas a diferença entre eles não é maior que um mês.

Papo vai, papo vem, é claro que entramos na pauta-mais-comum-de-conversa-de-mãe: o sono do bebê. Conversando, confirmamos o que já sabíamos. O Caê e o filho de uma dessas amigas dormem muito, muito, muito mal. E o filho da outra, dorme suuuuper bem. Daqueles que vão para a cama às 21h e acordam só as 8h do dia seguinte.

E aí, como o assunto era esse, eu e a minha outra amiga-azarada-do-filho-que-não-dorme começamos a chorar as nossas pitangas e a contar as coisas que a gente fazia para sobreviver e tentar ser menos zumbis no dia seguinte.

a gente faz o que da
Photo Credit: dkjd via Compfight cc

Minha amiga contou que assim que o filho dá a primeira acordada ela já leva para a sua cama e ele termina a noite lá. Eu falei que, há meses, me mudei para o quarto do Caê e durmo num colchão no chão, pois assim, quando tenho que levantar e dar mamá (peito) para o Caê voltar a dormir de novo não desperto tanto e depois pego no sono rapidinho.

Quando nós falamos que a gente se vira assim para que as noites sejam menos difíceis, nossa amiga-sortuda-do-filho-que-dorme-a-noite-toda disse que a gente era louca de estar fazendo isso. Que levar para a cama do casal só ia complicar ainda mais as coisas (o bebê iria acostumar e depois ia ser um parto para ele voltar para o quarto dele) e que ficar dando o peito a noite inteirinha para o Caê voltar a dormir também não era um hábito legal (já que ele iria viciar nisso e depois tirar esse hábito seria complicado). Além do que ele também iria acostumar com a minha presença no quarto e o dia que eu saisse seria um Deus nos acuda.

Quer saber? Em partes eu concordo com ela. Com um olhar frio e absolutamente imparcial sobre a questão eu acho que ela não está errada. Eu preferiria que o meu bebê dormisse no berço dele em vez de fazer cama compartilhada e eu também preferiria que o Caê dormisse sozinho como sempre fez o Leo, em vez de eu ter que ficar dando o peito para ele voltar a dormir. Mas a verdade é que cada caso é um caso e que a gente se vira do jeito que dá. A verdade, é que chega uma hora que nós, mães, simplesmente nos damos por vencidas (normalmente é o cansaço que nos leva a isso) e fazemos coisas antes impensáveis simplesmente porque a gente precisa sobreviver, precisa levantar no dia seguinte, precisa ter alguns minutos de sono a mais.

E por isso, eu não julgo quem “faz o que dá”, faz o que está ao alcance, opta pelo caminho mais fácil em muitas e muitas situações da maternidade. Isso porque, só quem vive determinada situação pode saber onde o calo aperta e o que seria capaz de fazer para sobreviver àquele desafio (PS: aqui no blog tem até um post entitulado Nunca diga nunca, onde conto a história de uma vez que ouvi de uma amiga que ela andava de carro para a filha dormir e que eu pensei “ah, mas isso não faria nunca” e depois me vi fazendo exatamente igual. Enfim, leia a história, entenda e, com certeza, identifique-se. ahahah!)

Para a minha amiga-sortuda-do-filho-que-dorme-a-noite-toda é fácil falar que não faria isso ou aquilo porque ela não está na pele de quem tem um filho que acorda infinitas vezes à noite ou desperta e fica 3h acordado. E justamente por isso, por ela não viver o que a gente vive, que eu também não julgo a opinião dela a respeito do que a gente está fazendo. Como eu disse, a experiência dela é outra e por ser outra é difícil dela se colocar no nosso lugar.

Mas enfim, com certeza, eu e a minha outra amiga-azarada-do-bebe-que-nao-dorme não somos as únicas que entregamos os pontos, que jogamos a toalha e que recorremos à solução “a gente faz o que dá” para resolver nossos problemas. Muitas e muitas mães vivem isso e isso é normal, é absolutamente comum e é até sinal de inteligência, afinal, sobreviver é prioridade e, para isso, muitas vezes, a gente tem que ir pelo caminho mais fácil porque forças para encarar pedras, buracos, desvios, subidas e descidas a gente não tem mais.

Por isso, se você também está fazendo algo que não é e nunca seria a sua primeira opção para solucionar um deternidado problema, saiba que você não está sozinha. Nas melhores famílias (e até na casa das blogueiras de maternidade. Ahahaha!) sempre haverá uma ou centenas de situações em que a gente faz o que é possível e não o que é ideal.