Bebê e papinha

Um breve relato da experiência de introduzir papinhas para um bebê (Humor)


7 de junho de 2013
Há alguns anos atrás, recebi um e-mail beeeeeeem engraçado, que relatava em detalhes o que pessoas sem filhos deveriam fazer para aprender a ser pais. Na verdade era a descrição de um treinamento bem heterodoxo, bim bizarro mesmo (e debochado, é claro), que ensinava a dois seres perdidos no mundo e no universo (os futuros pais) todas as técnicas para alimentar, dar banho, vestir e colocar para dormir as criaturinhas que estavam para chegar. Até hoje me recordo da técnica sugerida para se preparar para a hora de dar papinha para o bebê. Era assim: pegue uma melancia, amarre numa corda. A outra extremidade da corda você prende no teto. Em seguida, faça um furo na melancia. Depois, dê uns tapas nessa melancia, deixe-a rodando pelo ar e aí tente colocar colheradas de comidas dentro do buraco que você fez. Pronto! Depois de treinar por, mais ou menos, sete dias, você estará pronto para alimentar um bebê.
Bom, com a minha experiência, posso dizer que tem um detalhe errado nessa técnica. Se eu fosse relatá-la eu faria tudo igual, só diria: esqueça o furo! Vá tentando enfiar uma colherada de comida dentro da melancia sem que haja um buraco para isso.
Sim, minha gente, porque é exatamente isso que acontece. Quando a gente passa para a terceira fase da alimentação dos nossos amados rebentos (a das papinhas salgadas), aquela para a qual já vamos cheias de dedos e nós, morrendo de medo que eles não aceitem, eles resolvem que não vão aceitar mesmo e aí … f u d @ % !  Eles  N Ã O   A B R E M   A   BOCA  por nada nesse mundo!
Sim, são raras, são quase objeto de estudo, aquelas mamães que não passam por nenhum perrengue na hora que vão introduzir papinha salgadas. Para as demais, as reles mortais, a vida é mais ou menos assim:
Então você vai na consulta de rotina do pediatra e lá ele dá o aviso: agora, mamãe, vamos passar para a introdução dos salgados. É muito simples, você cozinha o legume x, y, x, esmaga com um garfinho e oferece para seu bebê na colherinha (ok, aqui a descrição está bem resumidinha, porque, na verdade, você sai de lá com tanta informação do que fazer, como fazer, por quantos dias fazer, que acha que deveria ter levado um maço de papel sulfite para notar tudo. Só que como esse não é o foco da conversa, resolvi resumir e seguir o baile).
Aí você chega em casa, e começa a confusão: Qual era o ingrediente que ele mandou eu dar primeiro mesmo? Eu posso misturar o X com o Y? Por quantos dias tenho que dar? Misturo água? Só esmagar com o garfo ou passar na peneira também? Passar tudo? E posso bater no liquidificador? Ai, não lembro! Isso se você ainda não ficar na dúvida se cozinha na água, no vapor, no tal do BabyCook, na grelha, num buraco com braza aberto no chão… enfim… dúvidas e mais dúvidas, porque é uma fase importante, você quer acertar, e está tão insegura quanto o seu próprio bebê ficará dentro de algumas horas, quando colocar pela primeira vez uma coisa pegajosa na sua boquinha que até aquele dia só provou líquidos e frutinhas (isso se ele aceitou as frutinha, né!).
Bom, papinha feita, hora de alimentar o pequerrucho. Você pega a criaturinha, coloca um babador daquelas ultra, mega, super, hiper preparados para catar até asteróide que cai do céu, quanto mais resto de papinha que despencou da colher e vai com fé. Com muuuiiiiiiitttttta fé porque te disseram que a mãe que vai com medo, vai cheia de dúvidas, vai achando que vai dar tudo errado é cagada de urubu e dá tudo errado mesmo. Então você vai cheia de fé! Quer dizer, acha que vai.
Assim que a criaturinha é colocada no cadeirão (ou carrinho, ou cadeirinha compacta, ou o escambau) ela vê um objeto longo, colorido, com uma caca em cima (e não é nenhuma das suas frutinhas) vindo em sua direção e tentando se aproximar da sua boca. Enquanto isso, a mãe faz cara de doida, emite uns barulhos estranhos, e diz que aquele negócio bizarro trata-se de uma aviãozinho (oi? mamãe tomou ácido na noite passada?). Moral da história: a criatura se apavora com aquela tensão e novidade toda no ar e resolve não abrir a boca. Resolve não abrir a boca POR NADA DESSE MUNDO (por isso que eu falei da falta de furo na abóbora! Agora você entendeu, né!?).
E você, que já estava preparada para ver seu filho provar três ou quatro colheradas e não gostar do novo sabor, tem que refazer o seu mind set (ou seja, reorganizar as suas ideias) e aceitar que antes dele não gostar ele não quer sequer provar. Ai Jesus! Para isso você não estava preparada. Nada preparada!
Aí, nesse ponto, a maionese desanda mesmo! Você já começa ter um ataque se perguntando porque a criaturinha não quer abrir a boca, se é só seu filho que faz isso, se os filhos dos outros também fazem ou já fizeram. Po fim, você desiste de dar a comida e cata o telefone, liga para a mãe, a amiga, a sogra, a parente distante e pergunta: o que eu faço? ele não quer nem provar! Ou então, corre para a internet, pesquisa no Google, pesquisa nos blogs, pesquisa nos grupos do Face, e entra em desespero total. Meu filho não come! (detalhe: você está só começando!).
Bom, com o tempo você descobre que se der algum brinquedinho atrativo a criaturinha vai abrir a boca para colocá-lo dentro e aí você aproveita a deixa, faz uma manobra de corredor de fórmula um, ultrapassa a mãozinha do seu pequeno que estava levando o brinquedo para a boca com a sua que empunha uma colher cheia de papa em cima e invade a boca dele antes dele pensar em se defender. E assim você vai fazendo, e assim ele vai experimentando, e assim você vai achando que ele vai comer. Só que a inocência (sua e dele) dura pouco, e em poucas colheradas ele descobre seu truque e volta a não querer mais abrir a sua doce boquinha como se disso dependesse a paz mundial.
Aí você tenta outras técnicas, todas que pode imaginar para que ele aceite melhor a comidinha maravilhosa que você perdeu horas preparando no fim do seu glorioso dia (exatamente naquele momento que você queria mais era estar deitada, de pernas para o ar, descansando da correria das últimas horas – que pareceram últimos dias, de tão intensas). Entre as técnicas estão: dar mais quente, dar mais fria, dar na temperatura ambiente, esmagar mais, esmagar menos, fazer metade esmagada, metade passada na peneira, metade batida no liquidificador, mudar os ingredientes, diminuir os ingredientes, colocar sal, tirar o sal, dar em outro pratinho, dar com outra colher, trocar o cadeirão, trocar o babador, trocar a pessoa que dá a papinha e, por fim, se render à Galinha Pintadinha.
Sim, tem casas que o negócio é tão feio que só recorrendo à penosa para a criança ficar totalmente hipnotizada e aceitar qualquer coisa que venha em sua direção (coisa que, minha gente, é totalmente errada, mas que com certeza, no momento do desespero, qualquer uma recorre, pelo menos uma vez na vida).
E assim o negócio vai indo. No início, parece um daqueles reality show de sobrevivência, dos quais você tem certeza que será eliminada na próxima semana, mas com o tempo vai melhorando, a ferinha vai cedendo e as comidinhas vão, pouco a pouco, sendo aceitadas.
Claro que nisso, você já quase arrancou seus cabelos, optou por alimentar seu filho com shakes ou sonda ou pensou em dar o peito para o resto da vida. Mas faz parte e um dia passa. Mesmo que seja quando ele tiver 18 anos ou mesmo que o passar seja evoluir para um estágio onde ele só coma banana e salsicha. Mas que ele vai comer, ah vai! Um dia vai!
PS: pessoal, não há necessidade de vocês ficarem morrendo de dó de mim porque eu não passei por todo esse relato super exagerado aí de cima. O Léo, até que foi bonzinho para comer (principalmente se formos comparar para o caos que foi amamentá-lo). O relato é só uma visão exagerada e bem humorada para trazer um pouco de graça para o nosso final de semana.
Se alguém tiver alguma situação engraçada, inusitada ou bizarra para relatar, inclua nos comentários abaixo que, quanto mais motivos tivermos para rir, melhor para nós (afinal, não dá para ficar só com a parte ruim da desgraça, é preciso também saber rir dela).
Beijos e um ótimo final de semana para todas!