Um breve relato do que é fazer um bebê dormir

Um breve relato do que é fazer um bebê dormir


13 de Março de 2014

bebe dormirVocê está grávida e, nesse período, se prepara dia e noite para ser mãe. Lê dezenas de livros, devora blogs inteiros e já faz a assinatura da melhor revista nacional sobre o assunto. Lá você lê T U D I N H O sobre como fazer um bebê dormir e, pelo que você entendeu, é super simples. Basicamente, o que você tem a fazer é (1) seguir uma rotininha pré-estabelecida – dar de mamar, trocar a fralda, etc…-, (2) colocar o bebê sonolento – mas ainda acordado – no berço, aguardar alguns e instantes e… Pimba! Está tudo resolvido! O bebê estará dormindo, lindo, leve e tranquilo por horas a fio. 

Ahahahahahaha! Faça-me rir. Faça-me gargalhar. Faça-me me jogar no chão e rolar 10 vezes. É claro que não é assim. É claro que com você não funciona. É claro que você tem vontade de arrancar todas as páginas dos livros que leu e tacar fogo em todas as revistas da sua assinatura que já foram entregues porque com você tudo é diferente. Você simplesmente não consegue fazer o seu filho dormir. Seja seguindo ou não seguindo tudo que leu, viu ou ouviu sobre o assunto. Fazer um bebê dormir, para você, é mais ou menos assim:

Você pega o bebê sonolento, mas ainda acordado (porque foi assim que falaram que tem que ser) e o coloca no berço. Lá e ele fica, bem bonzinho, e você acredita que tudo dará certo. Você sai do quarto, pé por pé e, assim que bate (bate não, encosta delicadamente) a porta atrás de você, a criaturinha abre o berreiro. Aí, você volta, faz carinho, faz aconchego, faz cafuné e faz tudo que mandaram antes de tirá-lo do berço e nada acontece. Então, você tira a pequerrucho de lá e parte para a segunda fase.

Na segunda fase, você senta na cadeira de amamentação, que também é de balanço, e jura que vai embalá-lo só um pouquinho, pois logo ele irá se acalmar e pegar no sono feito um anjinho. Que nada! Você balança aquela cadeira por horas, o braço começa a formigar, passa uma meia eternidade e nada do pequeno fechar os olhos. Nisso, ele se enche o saco, já para lá de irritado, e o berreiro reinicia. Nesse ponto, você passa para a fase três.

Na três, você resolve embalar o bebê de pé. Com os seus braços já formigando é a hora de perder os sentidos das pernas. Você se move delicadamente para frente e para trás, para um lado e para o outro, para cima e para baixo e nada. Lá se foram minutos, até horas, e a criaturinha segue com os dois olhões abertos e, nesse instante, já demonstra uma irritação que está chegando no seu ápice, já que o sono aumentou, mas nada dele ceder e se entregar a uma boa dormida. Ai você lembra da amiga que comentou que a filha só dormia com agachamento. Isso mesmo, agachamento, aqueles que fazem as coxas arderem, queimarem, doerem pra car@#$%. E lá vai você. Afinal, mais que o braço está doendo  a perna não irá doer e tudo que você quer é que a criatura D U R M A P E L O A M O R D E D E U S!!!!!

E assim você parte para a fase quatro, na qual o negócio é hard. Agachamento bombando no quarto e você parecendo uma chaleira fervendo e quase derretendo no fogo de tanto que chia (isso porque você resolveu usar a tal técnica do Shhhh, do Dr Harvey Karp e fica fazendo shhhhh no ouvido da criaturinha).  Assim você passa horas e quase cogita trocar as canções de ninar que tocam ao fundo por um rock pauleira. Afinal, outra conhecida também relatou que o filho, diferente do resto da humanidade, relaxava ouvindo rock pesado. Mas como você acha isso meio insano, pelo menos para esse início (quem sabe dentro de alguns dias), segue lá agachando e fazendo ssshhhhhh incessantemente. E não é que o negócio dá resultado! O filho embala. Pega no sono. Desmaia. Capota. E você quase o acorda na empolgação da comemoração do feito, mas se controla, porque sabe que depois de tanto esforço, não pode jogar tudo por terra. 

Nesse ponto, se entra na fase cinco, na qual você vai, pé por pé, e coloca o bebezinho (que nesse ponto você já voltou a amar porque, afinal, ele dormiu) no berço. Você coloca, tira seus braços debaixo dele com o maior cuidado do mundo (como se tivesse tentando assaltar um cofre forte de banco e não pudesse ser detectada pelo sistema de segurança de raios infra-vermelhos) e começa a se afastar. Assim que você se afasta um segundo e já começa planejar se jogar você numa cama para dormir, tamanha a exaustão, acontece o que? O bebê acorda. Isso mesmo. ACORDA! Você leva horas pra fazê-lo dormir e é só largar no berço que ele desperta.

E aí, quando você percebe que terá que começar tudo de novo, passando pelas fases um, dois, três, quatro, cinco, ad infinitum… você desiste. Sim, você desiste. Você joga a toalha, você se entrega, você se dá por vencida. E aí, você não tem mais dúvidas. Você arranca os seus chinelos, agarra a grades, escala o berço e entra pra dentro dele. Sim, você entra lá para dormir com o bebê. Afinal, se maomé não vai à montanha, a montanha vai a maomé. Nesse caso, a montanha só reza para Maomé pegar logo no sono, pois ela já está capotada ao lado. Babando e tudo.

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