Vacinas – saiba como elas protegem seu filho

Vacinas – saiba como elas protegem seu filho


20 de Janeiro de 2015

No post de hoje, a Dra. Kelly Oliveira explica como as vacinas funcionam no nosso organismo e por que elas são tão importantes para as crianças. Não deixem de conferir. Boa leitura!

Vacinas – saiba como elas protegem seu filho

Por Kelly Oliveira

As vacinas conferem uma proteção duradoura contra inúmeras doenças, e essa medida, sozinha, foi capaz de diminuir a mortalidade infantil e aumentar a expectativa de vida da população como um todo. Assim, uma vez sabendo da importância de vacinar o seu filho, vamos entender um pouco como funcionam as vacinas. Os mecanismos de defesa do nosso corpo são complexos, mas tentarei “traduzir” toda essa linguagem numa forma mais simples.

a importancia das vacinas
Photo Credit: Ministério da Saúde via Compfight cc

Como a vacina protege o meu filho contra doenças?

Costumo dizer que a vacina funciona como um “sinalizador” de doença. Você injeta uma mistura do próprio micro-organismo causador da doença, o antígeno, e o seu corpo reconhece aquilo como estranho. Isso é incapaz de causar uma doença, porém é suficiente para iniciar um processo complexo de defesa no nosso corpo que produz várias células e anticorpos para combater a doença. A vacina não “mata” o bichinho como um antibiótico, mas avisa o nosso corpo que há algo de errado. Quando ficamos exposto a uma doença que fomos vacinados anteriormente, o nosso corpo reconhece aquele antígeno e rapidamente combate o “invasor”, sem produzir a doença. Isso chamamos de imunização.

Do que a vacina é feita?

O seu conteúdo varia muito de vacina para vacina, em algumas é o próprio micro-organismo enfraquecido ou morto, em outras uma parte da sua cápsula, toxina ou de uma proteína que existe no vírus ou bactéria, ou ainda por engenharia genética. Algumas vacinas ainda são conjugadas a proteínas, como a vacina contra pneumococo e meningite, o que confere uma proteção duradoura e maior eficácia.

Qual a diferença entre o Calendário Nacional de Vacinação (SUS) e o da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)?

Existem algumas vacinas no calendário da SBP que não tem no calendário do SUS, porém cada vez mais o calendário do SUS está mais abrangente e completo. Ao final, seguem os dois calendários para comparação.

Vacinação nos postos de saúde x clínicas particulares

Em relação à fiscalização e qualidade das vacinas não há diferenças, pois a fiscalização é feita pela Vigilância Sanitária. Algumas vacinas das clínicas particulares oferecem proteção contra mais sorotipos de determinada doença (isto é, mais variações dela) ou menos efeitos colaterais. O ideal é sempre conversar com o pediatra para saber qual a melhor opção.

Como escolher a clínica de vacinação para o meu filho?

Tanto os postos de saúde públicos como as clínicas particulares são fiscalizadas pela Vigilância Sanitária. É importante verificar se a clínica particular segue as exigências da ANVISA para sua existência e se possui acreditação pela Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), veja aqui a lista (http://www.sbim.org.br/clinicas-acreditadas/).

Contraindicações das vacinas

Há muitos mitos com relação à contraindicação das vacinas mas, na verdade, elas são poucas. Veja em que casos algumas vacinas não são indicadas:

  • Crianças com imunodeficiência congênita ou adquirida, como por exemplo crianças com AIDS (com desenvolvimento da doença e não somente portadoras do HIV) ou doença granulomatosa crônica. Ainda assim, algumas vacinas podem e devem ser aplicadas, sempre com indicação do médico que acompanha a criança.
  • Crianças com câncer. Mais uma vez o médico da criança deve indicar ou não a aplicação da vacina, pois crianças em tratamento quimioterápico, além de não responderem à vacina, podem desenvolver a doença se a vacina for de micro-organismo vivo atenuado (enfraquecido).
  • Crianças em tratamento com corticosteroides em doses imunossupressoras (2mg/kg/dia de prednisolona por duas semanas ou mais, ou outras doses correspondentes de outros corticosteroides).
  • Crianças que estão recebendo tratamento imunossupressor, como quimioterapia e radioterapia.

Falsas contra indicações a vacinas

Atenção às falsas contraindicações a vacinas (a lista é muito maior…)!

  • Doenças benignas comuns, como infecções respiratórias com tosse e coriza, diarréia leve a moderada, doenças de pele, como impetigo ou escabiose. Mamãe, fique atenta: aquele resfriadinho do seu bebê não é contraindicação! Não deixe de vaciná-lo! Febre não é contraindicação para vacina.
  • Desnutrição.
  • Vacinação contra raiva.
  • Doença neurológica pré-existente, com sequela presente.
  • Antecedente familiar de convulsão (Isso é diferente de episódio de convulsão prévia após a administração de vacina!)
  • Tratamento com corticosteroide por período menor que 2 semanas ou tratamento prolongado em dias alternados com doses baixas a moderadas. Por isso, se seu filho fez uso de Predsin® por 5 dias, não é contra indicação.
  • Alergias, com exceção das reações sistêmicas graves, relacionadas a um componente específico da vacina. Informe-se com seu médico.
  • Bebês prematuros ou de baixo peso. Podem e devem ser vacinados, com exceção para a vacina BCG para bebês menores de 2kg. Existe inclusive algumas vacinas especiais para eles.
  • História ou diagnóstico prévio de tuberculose, coqueluche, tétano, difteria, poliomielite, sarampo, rubéola, caxumba…

Quando adiar a vacina?

  • Crianças com sintomas febris graves, principalmente para que os seus sinais e sintomas não sejam confundidos com possíveis reações da vacina.
  • Crianças que tenham feito tratamento com medicamentos imunossupressores, ou com doses imunossupressoras, como os corticoides. A vacina deve ser adiada por um mês quando usados corticóides e por três meses se outras drogas imunossupressoras (quimioterápicos por exemplo) forem administradas.
  • Uso de imunoglobulina, sendo que o prazo depende da dose. O médico deve ser consultado. Isso se aplica a vacina tríplice viral, por exemplo, mas não se aplica a vacina de febre amarela ou poliomielite oral.
  • Não existe interferência entre uma vacina e outra no calendário, podendo ser aplicadas simultaneamente ou com qualquer intervalo entre elas. As únicas que devem ser aplicadas com 2 semanas de diferença entre elas ão as vacinas de poliomielite oral e febre amarela.

Veja abaixo os calendários de vacinação Nacional e o da Sociedade Brasileira de Pediatria:

Calendário Nacional de Vacinação (esse é o mais atualizado). O calendário está muito mais completo, e agora o governo oferece vacina contra Varicela (Catapora) e HPV (em meninas), além das vacinas Pneumocócica-10 Valente e Meningocócica C, recentemente implementadas. A vacina contra hepatite A encontra-se em processo de implementação.

Calendário de Vacinação da SBP de 2015.

Ainda tem muito para falar desse tema, mas espero ter ajudado a tirar muitas dúvidas!

Um abraço,

Dra. Kelly

Referências bibliográficas: Tratado de Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria, 3ª edição, 2014.

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