Você deixa seu filho brincar? Tem certeza? | Macetes de Mãe

Você deixa seu filho brincar? Tem certeza?


29 de dezembro de 2017

No post de hoje, a Ale Palazzin e a Graziela Faelli, fisioterapeutas e autoras do blog Tempo Mágico (blog que compartilha informações relevantes sobre desenvolvimento infantil) nos convidam para uma reflexão muito interessante: será que nós realmente deixamos nossos filhos brincarem? Do jeito que eles gostariam de brincar? Pense nisso!

Confira o texto abaixo e surpreenda-se!

Você deixa seu filho brincar? Tem certeza?

Por Ale Palazzin e a Graziela Faelli, fisioterapeutas e autoras do blog Tempo Mágico

Photo Credit: jaumescar Flickr via Compfight cc

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Quem é mãe já deve ter passado pela seguinte situação: você pára para observar seu filho mas não consegue ver sentido no que ele está fazendo ou onde quer chegar. E em muitos momentos acabamos entendendo (sob o nosso ponto de vista) que na verdade aquilo não é uma brincadeira, e interrompemos a atividade, tirando o objeto (que achamos não ser um brinquedo) ou mesmo ele da própria situação.

Pois é, muitas vezes, aparentemente, o brincar não tem um propósito definido. Acontece que a importância e o significado da brincadeira está nos olhos de quem a criou, ou seja, dos nossos filhos.

Nós, adultos, tendemos a definir brincadeira como algo “não serio”, despretensioso, mas Maria Montessori já dizia que “o brincar é o trabalho da criança”, no sentido de que ela faz com concentração, com esforço e com seriedade. Diferente do que acontece para nós adultos, a importância das ações dela não está no resultado final, em “onde ela chegará com isso”, mas em todo o processo de descoberta. Como para a criança tudo é novo, qualquer coisa ao seu redor pode despertar curiosidade e levar a uma investigação incrível. Por isso, sempre vale um olhar mais atento ao que a criança está fazendo antes de interromper o trabalho desse pequeno investigador.

Mas e na hora que a brincadeira precisa terminar? Se depender da criança a brincadeira nunca acaba, né? Mas sabemos que isso não é possível e muitas vezes precisamos fazer algum tipo de interferência para que ela passe para a próxima atividade, como banho ou jantar.

A dica é dar um tempo para a criança se organizar, para ela tentar concluir a atividade que estiver fazendo ou pelo menos se preparar para esse momento de finalização (ou de pausa, se for o caso).

Para as crianças mais velhas, que já aprenderam a ver as horas, você pode marcar uma “hora no relógio”. Para as mais novas, você pode estabelecer um tempo, de 5 a 10 minutos (dependendo da idade), avisá-la de tempos e tempos e colocar um despertador (ter um estimulo sonoro funciona muito bem aqui em casa, na maioria das vezes. rsrs). Melhor ainda será se você estabelecer junto com a criança em que momento a brincadeira será interrompida. Por exemplo: depois que acabar de montar o quebra-cabeça, depois de mais 5 chutes ao gol, e assim por diante.

O mesmo principio vale para os bebês, certo? Eles podem não ter uma noção exata de tempo nem conseguirão escolher junto com você o final da brincadeira mas podemos ir preparando-os para essa finalização da mesma forma. Nesse caso exige mais observação da nossa parte para tentar entender o que ele está fazendo, qual seria um bom momento para interromper a atividade e, a partir dai, podemos descrever o que está acontecendo e o que será feito em seguida (“você está tentando encaixar a peça na caixinha? vamos tentar de novo e depois nós vamos para o banho combinado?”). Pode parecer que não mas eles entendem muito mais do que podemos imaginar…

Sim, isso envolve uma certa organização da nossa parte. Não é simplesmente falar “agora a brincadeira acabou” ou “agora é hora do jantar”. Mas essa é uma forma de realmente valorizarmos esse momento que para nossos filhos é tão importante, que é o de brincar, da mesma forma que muitas vezes eles tem que aprender a esperar quando nós precisamos terminar nossas atividades.

Pode ser que nem sempre isso seja possível mas se você conseguir fazer isso na maioria das vezes provavelmente seu filho ficará muito mais satisfeito por poder concluir seu trabalho (ops!), sua brincadeira.

Alessandra Palazzin é fisioterapeuta, especializada em neuropediatra, mestre em aprendizado motor e mãe do Pedro. Graziela Faelli também é fisioterapeuta, especializada em neurologia pela USP, mestre em neurociências (UNICID) e mãe do Rafael. As duas são autoras do blog Tempo Mágico, que trata sobre desenvolvimento infantil. Siga o blog Tempo Mágico nas suas redes sociais e fique por dentro de informações interessantes e úteis sobre desenvolvimento infantil: Facebook e Instagram.