Voltar ou não ao trabalho após a licença: nem sempre a escolha é da mãe

Voltar ou não ao trabalho após a licença: nem sempre a escolha é da mãe


27 de Janeiro de 2017

Hoje, trago aqui no blog o relato de uma leitora que me contatou para contar a sua história de “volta” ao trabalho depois do nascimento do seu bebê. Ela tirou a sua licença maternidade (no caso dela de 4 meses), tirou mais um mês de férias, depois desse período organizou toda a rotina do bebê para voltar ao trabalho e, quando chegou o dia, veio a surpresa.

Com certeza, uma situação que deve ter sido enfrentada por diversas outras mães, por isso, achei importante compartilhar o relato para podermos refletir sobre a questão.

Voltar ou não ao trabalho após a licença: nem sempre a escolha é da mãe

Por Adriana Oechsler, mãe do Henrique, de 1 ano

Trabalho fora desde os 14 anos e, em 20 anos de atuação, havia ficado apenas 30 dias sem emprego. Os piores 30 dias da minha vida! E se antes a minha renda era importante para as despesas da casa, com a chegada de um bebê ela seria essencial. Então, foi meio que natural decidirmos por eu voltar ao trabalho após a licença maternidade.

Photo Credit: Simon Laroche_8 Flickr via Compfight cc

Tive os 4 meses da licença mais 30 dias de férias. Escolhemos uma boa escola para meio período; contratamos uma pessoa de confiança para o restante do dia e passei a estocar leite materno, pois o objetivo era manter o aleitamento exclusivo até os 6 meses. Começamos a adaptação duas semanas antes, quando meu bebê tinha 4 meses e meio. Não foi fácil, mas estávamos confiantes de que ia dar tudo certo, mesmo com bastante aperto no peito.

Meu trabalho ficava há 50km de casa. Estive lá três ou quatro vezes durante a licença para ver a todos, exibir o pequeno e entender como as coisas estavam na minha ausência. Tudo estava bem! Chegou o dia de voltar e… surpresa! Demissão. Tempos de crise, empresa de estrutura enxuta, salário de supervisor e, assim como milhares de brasileiros, entrei para o rol dos desempregados. Acredito que as empresas precisam mesmo se adequar às situações de mercado, afinal, é negócio e precisa lucrar para continuar empregando. Mas o meu pensamento imediatamente foi: precisava esperar eu mudar completamente a vida de um bebezinho tão pequeno?

E então voltei para casa com minha bomba tira-leite, frascos esterilizados e caixa de isopor. Um contrato com uma escola boa, cara e agora desnecessária, além da infeliz tarefa de demitir a babá que havia trabalhado apenas dois dias.

Nossa legislação permite isso. Na verdade, ela não dá muitas saídas nem para empregadas, nem para empregadores. Cabe a nós, mães, esperar pelo bom senso e empatia por parte das empresas. E às empresas, confiar em suas funcionárias ao ponto de antecipar informação tão importante. Mas bom mesmo seria se todos pudessem zelar pelo bem estar e saúde de bebês tão pequeninos e delicados!

Já se passou um ano e posso dizer que foi o melhor e mais difícil ano das nossas vidas. Acompanhar o desenvolvimento de um filho, de perto, não tem preço. Fui eu quem viu sua careta ao provar mamão pela primeira vez. Meu marido e eu vibramos juntos ao vê-lo engatinhar e bater palminhas em comemoração. Ele ainda mama, raramente fica doente e é um bebê tranquilo e feliz. Vivemos uma vida mais simples e mais completa, com menos renda e mais tempo compartilhado. Nessas horas, penso como foi bom perder o emprego na volta da licença. Gostaria apenas que tivesse sido de outra forma, sem separações e gastos desnecessários, sem traumas e com mais tranquilidade. Quem sabe em uma próxima vez!

Adriana Oechsler

Mãe do Henrique – 1 ano