Macetes de Mãe

Minha bebê com suspensório de Pavlik: como eu fiz

Há algumas semanas, recebi um e-mail da leitora Leticia Miyabara, mamãe da Catarina, contando como sua experiência com o uso do Suspensório de Pavlik (a Catarina usou) está ajudando também outras mães. A Letícia, após ter que adaptar alguns detalhes importantes da rotina da Catarina para que ela usasse o suspensório, acabou descobrindo alguns macetes e dicas que ajudam, e muito, os bebês que precisam desse acessório.

E como a Leticia viu que a sua experiência está ajudando outras mães de sua cidade, pensou que ela também poderia ajudar mães de todo o Brasil e resolveu compartilhar aqui, no Macetes, as suas dicas.

Então, com vocês, a descrição detalhada do que a Letícia fez para tornar o uso do Suspensório de Pavlik uma experiência mais agradável, segura e eficaz para a Catarina. E como isso pode ajudar todas as demais crianças que precisam fazer uso desse mesmo acessório.

Minha bebê com Suspensório de Pavlik: como eu fiz

Por  Leticia Miyabara, mamãe da Catarina

Este é o relato de uma mãe, que teve uma gestação tranquila, de uma menina linda, primogênita e que, no primeiro dia de vida da sua bebê, descobriu que ela tinha o diagnótisco de Displasia Congênita de Quadril e que teria que usar um aparelho ortopédico chamado Suspensório de Pavlik. O objetivo do meu texto, não é falar sobre a doença e sim da forma como nos adaptamos ao suspensório. Quero falar sobre como ser mãe de uma bebê com Pavlik. Eu também nunca havia visto ou escutado falar do suspensório, e ninguém ao meu redor também sabia nada sobre isto.

O Suspensório de Pavlik é um aparelho maravilhoso e quem dera todas as crianças tivessem o diagnóstico precoce, evitaria-se muito sofrimento posterior. A primeira vez que vi o suspensório foi ainda pela internet, já chorei ali, uma hora depois estava com ele em mãos e parecia algo muito complexo e uma verdadeira judiação! Muitas lágrimas e medo, mas depois de algumas horas entendi que aquilo seria ótimo e era uma benção ter a oportunidade de usá-lo.

Com 7 dias de vida, minha bebezinha começou a usar o Suspensório de Pavlik. Estava muito frio e eu não sabia ainda que as roupas comuns que todos bebês usam não seriam para ela por um período. Eu estava muito preocupada com o quadril, não pensei em roupas, afinal ela tinha muitas roupas! Saímos do ortopedista com ela enrolada em cobertores e eu em prantos! Eu estava muito incomodada, como uma recém-nascida está sem roupa (calça) nestes dias de geada? Nas duas horas de viagem de volta pra casa eu comecei a pensar como faria para aquecê-la. Comecei a imaginar as roupas e o que mais eu poderia fazer para tornar o suspensório eficiente e confortável.

A orientação do ortopedista era manter o suspensório sem remover por 14 dias, as pernas a 90 graus e os joelhos separados, esta posição das perninhas é chamada de posição em M ou fisiológica (a mais confortável).

Como eu fiz:

>>> Leia outro relato de leitora sobre displasia no quadril.

Assim foram os primeiros 14 dias, neste período não removemos o suspensório para um banho, lavávamos o que conseguíamos ou dávamos “banho de pano”.

Após o período de 14 dias, fomos liberadas para finalmente um banho, que teria que ser rápido e neste momento o suspensório seria removido inteiro e recolocado logo após o banho. Um único banho rápido por dia. Quando começamos a tirar o suspensório para banho, eu comprei mais um suspensório e enquanto usava um o outro era lavado (reforcei a marca do tamanho do suspensório com caneta para tecido).O banho era realizado em duas pessoas e montávamos o suspensório, sempre com as meias longas, camiseta, fraldinhas cobrindo as tiras dos suspensório e calças largas ou saco de dormir, assim seguimos por 6 semanas e conforme os dias iam passando o suspensório tornava-se cada vez mais simples e o período de uso também foi diminuindo. Ela não teve machucados e nem assaduras por causa das tiras do suspensório.

Quando minha filha completou 56 dias, finalmente tivemos alta do suspensório. Um alívio ter chegado até ali, estávamos muito felizes por ter evitado um problema muito maior e muito sofrimento no futuro. Continuamos com as roupas adaptadas ainda por mais um mês e mantivemos os cuidados com as posições das pernas, sempre mantendo na posição em M.

Hoje, Catarina tem 10 meses de vida, começou a dar os primeiros passos com 9 meses no Dia das Mães, foi o grande presente que ela me deu! Andar com 9 meses, sem dificuldade foi espetacular!  Cada criança tem seu tempo, mas ver minha filha caminhar bem foi sublime!

Querida mamãe, eu também chorei com o suspensório, mas depois de um tempo comecei a acreditar que minha bebezinha nem o percebia, ela achava que fazia parte da roupa! Fique tranquila!

E foi assim que nós usamos o suspensório de Pavlik e hoje comemoramos ter tido a oportunidade de tratar a Displasia Congênita de Quadril do modo mais simples e menos invasivo, com certeza o melhor! Agradeço a Deus o conhecimento dado aos médicos que cuidaram da minha filha e realizaram o diagnóstico e tratamento precoce, com certeza o suspensório é um aparelho abençoado!

Por Leticia Miyabara, mamãe da Catarina

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