Minha bebê com suspensório de Pavlik: como eu fiz | Macetes de Mãe

Minha bebê com suspensório de Pavlik: como eu fiz


23 de agosto de 2017

Há algumas semanas, recebi um e-mail da leitora Leticia Miyabara, mamãe da Catarina, contando como sua experiência com o uso do Suspensório de Pavlik (a Catarina usou) está ajudando também outras mães. A Letícia, após ter que adaptar alguns detalhes importantes da rotina da Catarina para que ela usasse o suspensório, acabou descobrindo alguns macetes e dicas que ajudam, e muito, os bebês que precisam desse acessório.

E como a Leticia viu que a sua experiência está ajudando outras mães de sua cidade, pensou que ela também poderia ajudar mães de todo o Brasil e resolveu compartilhar aqui, no Macetes, as suas dicas.

Então, com vocês, a descrição detalhada do que a Letícia fez para tornar o uso do Suspensório de Pavlik uma experiência mais agradável, segura e eficaz para a Catarina. E como isso pode ajudar todas as demais crianças que precisam fazer uso desse mesmo acessório.

Minha bebê com Suspensório de Pavlik: como eu fiz

Por  Leticia Miyabara, mamãe da Catarina

Este é o relato de uma mãe, que teve uma gestação tranquila, de uma menina linda, primogênita e que, no primeiro dia de vida da sua bebê, descobriu que ela tinha o diagnótisco de Displasia Congênita de Quadril e que teria que usar um aparelho ortopédico chamado Suspensório de Pavlik. O objetivo do meu texto, não é falar sobre a doença e sim da forma como nos adaptamos ao suspensório. Quero falar sobre como ser mãe de uma bebê com Pavlik. Eu também nunca havia visto ou escutado falar do suspensório, e ninguém ao meu redor também sabia nada sobre isto.

O Suspensório de Pavlik é um aparelho maravilhoso e quem dera todas as crianças tivessem o diagnóstico precoce, evitaria-se muito sofrimento posterior. A primeira vez que vi o suspensório foi ainda pela internet, já chorei ali, uma hora depois estava com ele em mãos e parecia algo muito complexo e uma verdadeira judiação! Muitas lágrimas e medo, mas depois de algumas horas entendi que aquilo seria ótimo e era uma benção ter a oportunidade de usá-lo.

Com 7 dias de vida, minha bebezinha começou a usar o Suspensório de Pavlik. Estava muito frio e eu não sabia ainda que as roupas comuns que todos bebês usam não seriam para ela por um período. Eu estava muito preocupada com o quadril, não pensei em roupas, afinal ela tinha muitas roupas! Saímos do ortopedista com ela enrolada em cobertores e eu em prantos! Eu estava muito incomodada, como uma recém-nascida está sem roupa (calça) nestes dias de geada? Nas duas horas de viagem de volta pra casa eu comecei a pensar como faria para aquecê-la. Comecei a imaginar as roupas e o que mais eu poderia fazer para tornar o suspensório eficiente e confortável.

A orientação do ortopedista era manter o suspensório sem remover por 14 dias, as pernas a 90 graus e os joelhos separados, esta posição das perninhas é chamada de posição em M ou fisiológica (a mais confortável).

Como eu fiz:

  • Diminui a largura e arredondei as pontas dos velcros do suspensório;

  • Cortei fraldas de pano (20x10cm duplas), costurei as bordas e encapei as tiras do suspensório para não ferir a pele tão fina e delicada. Fechava com fita adesiva. Encapei todas as fitas (menos a do peito, por que tinha roupa por baixo) e fazia trocas destas “fraldinhas” sempre que as notava sujas;

  • “Dei banho de gato” na parte superior (soltei as tiras do suspensório), reposicionei e fiz o mesmo na parte inferior. Tive o cuidado de reforçar com caneta para tecido a posição ideal das tiras do suspensório que o médico havia marcado;
  • Coloquei meias de bebês maiores que cobriam até a altura dos joelhos;
  • Não usava macacões com botões (bodies), usava camisetas e sem botão no ombro, cortei a parte inferior dos macacões;

  • As calças eram sempre de tamanhos grandes para bebês de 1 ou 2 anos e de preferência modelo saruel, não colocávamos calças de pernas justas;

  • Utilizei muitos sacos de dormir adaptados, onde as pernas ficavam bem livres para manter a posição em M;

  • Os sapatinhos utilizados eram apenas pantufas ou sapatinhos de lã/tricô, pois o suspensório é preso nos pezinhos;
  • Na hora de amamentar: mudei a posição mais convencional de deitada para sentada no meu colo de frente comigo, assim as pernas manteriam a posição;
  • Na hora de dormir: coloquei um travesseiro um pouco mais alto e ela dormia de barriga pra cima;
  • Para carregar no colo: sempre carreguei de frente e não deitada como a maioria dos recém-nascidos. As perninhas da minha bebê ficavam abertas e ela de frente comigo;
  • Trocava as fraldas com maior frequência para não vazar.
  • Utilizei desde o nascimento ainda o sling, eu ganhei o sling durante a gravidez e percebi também que mesmo com o suspensório as pernas mantinham-se na posição ideal e seria muito benéfico ao tratamento ortopédico;
  • Minha filha não usou bebê conforto, preferi colocá-la em casa em uma cadeirinha (cadeirinha de descanso ou bouncer) para crianças maiores, onde as pernas mantinha-se na posição e no carro também optei por uma cadeirinha para crianças maiores, porém utilizava uma almofada com redutor de tamanho para o pescoço;
  • Optei por não furar a orelha da Catarina, pois o suspensório podia esbarrar na tachinha;

>>> Leia outro relato de leitora sobre displasia no quadril.

Assim foram os primeiros 14 dias, neste período não removemos o suspensório para um banho, lavávamos o que conseguíamos ou dávamos “banho de pano”.

Após o período de 14 dias, fomos liberadas para finalmente um banho, que teria que ser rápido e neste momento o suspensório seria removido inteiro e recolocado logo após o banho. Um único banho rápido por dia. Quando começamos a tirar o suspensório para banho, eu comprei mais um suspensório e enquanto usava um o outro era lavado (reforcei a marca do tamanho do suspensório com caneta para tecido).O banho era realizado em duas pessoas e montávamos o suspensório, sempre com as meias longas, camiseta, fraldinhas cobrindo as tiras dos suspensório e calças largas ou saco de dormir, assim seguimos por 6 semanas e conforme os dias iam passando o suspensório tornava-se cada vez mais simples e o período de uso também foi diminuindo. Ela não teve machucados e nem assaduras por causa das tiras do suspensório.

Quando minha filha completou 56 dias, finalmente tivemos alta do suspensório. Um alívio ter chegado até ali, estávamos muito felizes por ter evitado um problema muito maior e muito sofrimento no futuro. Continuamos com as roupas adaptadas ainda por mais um mês e mantivemos os cuidados com as posições das pernas, sempre mantendo na posição em M.

Hoje, Catarina tem 10 meses de vida, começou a dar os primeiros passos com 9 meses no Dia das Mães, foi o grande presente que ela me deu! Andar com 9 meses, sem dificuldade foi espetacular!  Cada criança tem seu tempo, mas ver minha filha caminhar bem foi sublime!

Querida mamãe, eu também chorei com o suspensório, mas depois de um tempo comecei a acreditar que minha bebezinha nem o percebia, ela achava que fazia parte da roupa! Fique tranquila!

E foi assim que nós usamos o suspensório de Pavlik e hoje comemoramos ter tido a oportunidade de tratar a Displasia Congênita de Quadril do modo mais simples e menos invasivo, com certeza o melhor! Agradeço a Deus o conhecimento dado aos médicos que cuidaram da minha filha e realizaram o diagnóstico e tratamento precoce, com certeza o suspensório é um aparelho abençoado!

Por Leticia Miyabara, mamãe da Catarina