Afinal, o que faz uma doula? | Macetes de Mãe
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Afinal, o que faz uma doula?


11 de setembro de 2018

Quando estava grávida do Leo, meu primogênito, eu não sabia o que era doula. Portanto, não pensei em ter o apoio de uma doula na hora do parto. Hoje, sei exatamente o papel de uma doula. E na gestação do Caê até cogitei ter uma, mas acabei me enrolando e não fui atrás. E confesso, me arrependi um pouco. Como tive o Caê de parto natural, acredito que se estivesse com uma doula me acompanhando, teria contribuído bastante naquele momento.

Atualmente, fala-se muito sobre doula. É cada vez mais comum ter uma doula participando dos partos. Mas ainda surgem dúvidas sobre o papel da doula durante a gestação e na hora do parto. Recentemente, entrou em contato comigo o Rafael, marido da doula Samantha Ribeiro, me apresentando seu trabalho. Fiquei bem encantada com a forma como ela trabalha e como aborda o tema. Achei interessante, principalmente, compartilhar o trabalho que ela realiza. Então, a Samantha escreveu um texto para o MdM explicando o que faz uma doula e seu papel no parto humanizado. Confira!

A doula e o parto humanizado

O que faz uma doula?

Você sabe o que é um parto humanizado? Provavelmente. Mas, e doula, você sabe o que é? A maioria das mulheres só ouvem a palavra “doula” quando está grávida, e ainda assim somente adquirem uma leve noção de qual é a sua função. Isso porque somos uma figura quase invisível, que trabalha nos bastidores, assegurando com informações que a grande protagonista, a mãe, tenha seu parto desejado, com respeito e segurança.

Não somos médicas, nem enfermeiras, tampouco parteiras. Não medimos pressão, não oferecemos remédios (fármacos), nem realizamos qualquer procedimento técnico. Somos mais como aquela amiga querida que está sempre ao seu lado, nos dias bons e nos ruins. Mas com a diferença que estudamos (e muito), para saber exatamente como orientar, o que orientar e quando orientar. No parto, sabemos exatamente onde dói e podemos fazer massagem; estaremos ao seu lado na partolândia quando tudo estiver extremamente desafiador; estaremos ali para lembrar quem é você e o que quer, para que ninguém se valha desse momento de vulnerabilidade e tente persuadi-la a fazer escolhas que não são as suas; lembrar que você é forte e que consegue sim, parir! É aquele anjinho no ombro sussurrando as afirmações que você já sabe!

Mas por que a doula existe?

No final do século XVIII, quando o parto passou para a mão dos médicos, a gestação passou a ser tratada quase como uma doença. Como se uma grávida estivesse permanentemente correndo perigo até que se provasse o contrário. Sendo assim, a última palavra seria sempre a do médico. Antes disso, a mulher paria em casa, tinha o apoio de outras mulheres para lhe dar todo o suporte físico, clínico e emocional, agora ela se vê em um local institucionalizado, sozinha e passando por um procedimento médico considerado de risco.

Não tenho a intenção de diminuir a importância que a medicina teve para a redução da mortalidade, materna e neonatal, nos partos. O que quero dizer é que uma série de fatores econômicos passou a determinar a conduta em relação ao parto, de modo que coube ao médico assumir o papel de executor de um grande negócio que envolve planos de saúde, hospitais, laboratórios, etc. Criou-se, literalmente, uma indústria do parto.

E como isso me afeta?

Pode ser que você tenha uma gestação tranquila tutelada por profissionais tradicionais. Mas é provável que você tenha buscado informações mais aprofundadas sobre o universo do parto. E, então, se veja engolida por uma avalanche de informações. Você já não sabe mais se quer parir em pé ou deitada; se o cordão umbilical enrolado no pescoço do bebê é um perigo ou não; se aquele famoso “pic” é um procedimento que deve ser realizado. É tanta coisa que você pode jurar que no final terá uma prova para te testar hehe.

E é aí que entra a principal função da doula na realidade obstétrica brasileira. O suporte informacional!

Nós, doulas, além da assistência à mulher no parto, preenchendo o vazio de afeto que predomina desde que parto virou assunto médico, também somos a ponte que liga a gestante imersa em tanta informação técnica e rebuscada ao conforto de uma linguagem mais simples e empática sobre todo o universo do gestar, parir e maternar.

Nosso objetivo é garantir que você tenha escolhas informadas a respeito de tudo o que irá ocorrer com você, seu corpo e seu bebê. Garantir que você possua o conhecimento de cada rumo que seu parto pode tomar e, assim, fazer escolhas com segurança e autonomia.

Esse, inclusive, é um dos pilares da humanização. O protagonismo da mulher!

Lembramos que o local de parto, deve ser onde a mulher se sinta mais segura. Seja no hospital, casas de parto ou em casa. Ressaltando que em partos domiciliares, nunca, jamais, será a doula a única profissional. A presença de parteiras (obstetriz/enfermeira obstétrica), é obrigatório. Elas que são as responsáveis pela parte clínica de todo o processo.

Não podemos deixar também de falar que a doula é quase um Sr. Bugiganga, que carrega em sua bolsa, mão e coração, preciosidades para acalentar a mulher que passa pelo seu processo mais transformador. São massagens com óleos essenciais, aromaterapia, ambientação do local de parto. É a comida que é levada à boca da mulher, a água dada por canudinho, um colo, ou apenas um olhar. A doula acolhe, apoia e acredita em tudo o que aquela mulher é capaz.

Mas claro que a doula não é feita apenas de conhecimentos místicos e amor no coração. É também. Porém mais importante que isso, nós andamos junto às pesquisas mais recentes, baseamo-nos em evidências científicas e encaramos tudo de um ponto de vista crítico. Nada de achismos ou experiências daqui e acolá. Ok? São estudos diários para assim proporcionar a melhor assistência que toda mulher merece!

Como disse John H. Kennell: “Se doula fosse remédio, seria antiético não receitar”

Grande abraço,

Doula Samantha Ribeiro

Samantha Ribeiro, 25 anos, Doula, educadora perinatal e facilitadora em aleitamento materno, atuando em São Paulo, capital. Mãe dos pequenos Oliver (2 anos) e Martin (1 ano), sementes de sua jornada pelo parto humanizado. Conheça seu site clicando AQUI.

Se você gostou desse post, poderá gostar também desse vídeo no canal MdM, sobre as diferenças de cada um dos partos – normal, cesárea e natural: