Como ensinar as crianças a serem positivas | Macetes de Mãe

Como ensinar as crianças a serem positivas


30 de março de 2019

É possível ensinar as crianças a serem positivas? Sim!!! Segundo a nossa colunista e psicóloga Nívea Loza, é possível ensinar otimismo, felicidade e bem-estar para os nossos pequenos. E nesse post, ela compartilha conosco dicas valiosas para colocarmos em prática na criação dos nossos filhos. Confira abaixo e compartilhe! ;)

Podemos ensinar otimismo, felicidade e bem-estar para nossos filhos?

Essa é uma perguntinha que me fazem muito no consultório. Muitas vezes, de pais ansiosos tentando fazer a vida do filho diferente da sua. Alguns querem, de verdade, que o filho não tenha uma visão ruim da vida e acreditam que poupar os filhos das emoções negativas garante a felicidade.

Na verdade, eu adoro falar sobre esse tema. Falar de bem-estar é comigo mesma. No entanto, primeiro preciso explicar uma coisinha…Quando se fala em felicidade, otimismo e bem-estar, não querem dizer que precisamos viver assim o tempo todo, viver no mundo cor-de-rosa, sucumbir nossos momentos de dor, sofrimento ou tristeza e fazer com que essas emoções não existam. Não, emoções são emoções, sentidas independente do nosso querer.

As crianças possuem essa facilidade de ser e sentir o que são de verdade. Por exemplo, quando uma criança cai e se machuca, ela geralmente fica triste, chora, fica com raiva. Ela demostra isso para qualquer um. Contudo, é nessa hora que nós, adultos e pais, ensinamos essas crianças a sucumbirem tais emoções.

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Sabemos que emoções negativas intensificam quando tentamos reprimi-las. Quem nunca ouviu um pai ou uma mãe, frente a um joelho ralado, dizer “Não foi nada”, “Não precisa chorar” e, o pior, “Quando casar sara”…? Curiosamente, quando criança, minha mãe dizia: “quando casar sara”! Eu ficava imaginando o quanto iria demorar a casar, afinal, só tinha seis anos. Em consequência, aquilo não iria sarar nunca mais e minha dor se intensificava ainda mais.

Sucumbir, engolir ou guardar na caixinha do peito não ajuda em nada, pois sabemos que o fluxo das emoções para o corpo é o mesmo, ou seja, o nosso corpo não sabe se a emoção é positiva ou negativa, emoção é emoção. E quando sucumbimos, ou seja, não damos valor à emoção negativa, fechamos também o fluxo da emoção positiva.

Negar o sentimento da criança, não importa qual for, impede o desenvolvimento da saúde emocional. Devemos ter limites claros nos comportamentos e não nas emoções. O comportamento sim pode ser escolhido, direcionado e aprendido.

Sempre gosto de fazer a indicação do filme “Divertidamente”. Ele é perfeito para entendermos como as emoções funcionam e a importância de cada uma. O que seria de nós sem o medo ou sem o nojo? Colocar-nos-íamos em risco o tempo todo.

No meu curso de formação em Psicologia Positiva do Centro Sofia Bauer, aprendi um termo que gosto muito e que tenho utilizado no consultório com frequência – “Permissão para ser humano”, ou seja, precisamos urgentemente nos dar permissão para ser o que somos, sentir e acolher qual emoção for. Precisamos lidar com a realidade, mesmo que esta não seja tão feliz.

Só assim, o fluxo das emoções segue em frente e podemos escolher qual comportamento queremos seguir.

Bem, e como podemos ajudar nossos filhos com isso?

Primeiro você precisa ter a consciência que você pai ou mãe é o exemplo para seu filho. Falar é fácil, mas é a ação que faz o exemplo a ser seguido. Não adianta o “blá…blá…blá…” se o seu filho não te ver praticando o “blá…blá..blá…” É o famoso “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Esqueça, seu filho vai fazer exatamente o que você faz. Talvez, quando adulto, consiga ter a consciência sobre a ação e modifique, mas geralmente não é o que acontece.

Famosas frases como “Não quero que meu filho me veja sofrendo” ou “Não posso chorar na frente dos meus filhos, porque senão serei um fraco”, são evidências disso. Se você mostrar para seu filho que tem emoção, tanto positiva como negativa, ele entenderá desde cedo que tê-las é normal, que podemos sim sentir, que faz parte da vida, que é natural. Quando escondemos, mostramos o contrário. “Não sinta”, “não mostre”, “não fale sobre isso”. Fluxo fechado, erro total pra você e para ele.

Assim como o contrário também é verdadeiro. Costumo dançar pela sala com minha filha quando algo me traz felicidade, quando algo foi bom. Comemoramos juntas. Hoje, o apelido dela é borboletinha, porque quando está feliz, dança como uma.

Outra coisa que pode ajudar muito é usar os momentos certos com nossos filhos. Eu os chamo de momentos mágicos para a aprendizagem.

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Segundo o professor da cadeira de Psicologia Positiva de Harvard, o israelense Tal Ben-Shahar, precisamos aproveitar esses momentos mágicos para ensinar sobre otimismo, felicidade e gratidão para nossos filhos. Ele conta uma história sobre o nascimento da sua segunda filha que, ao chegar em casa, seu irmão mais velho com muito ciúme perguntou para o pai se poderia jogar a irmãzinha no lixo. O professor Tal, por conhecer do assunto, aproveitou esse momento para mostrar e ensinar ao filho sobre as emoções e sobre comportamento.

Diante da pergunta do garotinho, sentou-se calmante ao seu  lado e disse para ele que entendia perfeitamente o que ele estava sentindo: ciúmes, medo, raiva, tristeza, etc. Afinal, a irmã tinha momentaneamente tirado seu espaço e seus pais dele. Todavia, mesmo sentido tudo aquilo, ele não poderia fazer mal a irmã. Tal não reprimiu as emoções do filho! Muito menos pediu que ele o fizesse. Mostrou que sabia que aquelas emoções estavam ali, deixando- o chateado, mas que poderia escolher o seu comportamento com a irmã, e jamais faze-la mal. Ele não condenou ou julgou o filho pelas emoções daquele momento. Pelo contrário, acolheu todas elas junto do filho, mas pontuou certeiramente o que não poderia fazer.

Exemplos na nossa vida

Entre os meus momentos mágicos com minha filha, tenho um que gosto muito de usar como exemplo. Em um feriado de Páscoa, fomos viajar para um hotel que ela simplesmente adora. Fomos todos da minha família e mais a família de um amigo irmão que tenho. Esse amigo tem um filho da idade da minha e que por vezes sente ciúmes dele. Estava tudo ótimo, uma delícia, até que um dia, no almoço, o menino me pediu para fazer o prato dele e, eu, com todo meu carinho, fiz. A pequena que não estava muito acostumada a dividir a mãe ficou com um pouco de ciúmes.

À tarde, eles foram brincar com os monitores e eu aproveitei para fazer uma caminhada. Num determinado momento da brincadeira ela resolveu sair e me procurar pelo hotel, e demorou a me achar. Pense numa menina doce e meiga virar do avesso; ficou irada, fez uma cena que ninguém nunca havia visto na vida toda dela, muito brava, todas as emoções ruins juntas, medo, raiva, ciúmes… Quando me encontrou aos prantos, levei até um susto. Pensei que algo grave tinha acontecido, mas eram somente as emoções em alto grau dentro dela. Acalmando a situação, para até mesmo entender o que estava acontecendo, percebi que a doce menininha tinha se permitido colocar para fora tudo que estava sentindo. Confesso que fiquei bem feliz com isso.

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Diante de mim, estava um belo momento mágico, um momento que poderia mostrar e ensinar muito para aquela que mais amo na vida. Subi para o quarto sozinha com ela, com calma, sentei junto dela e começamos a conversar. Disse que entendia bem tudo aquilo que ela estava sentindo, que tinha ficado feliz que ela tinha demostrado aqueles sentimentos todos, que faziam parte da vida e que ela poderia sempre que quisesse conversar sobre todas aquelas emoções e sentimentos, que era normal sentir aquilo, afinal, ela era humana.

Acrescentei que, entretanto, ela poderia ter agido diferente, poderia ter escolhido outro comportamento, um mais tranquilo, sem exposição, visto que ela odeia se expor. Disse-lhe que no almoço, ao sentir ciúmes do amigo, ela poderia ter me pedido para fazer o prato dela também, simples assim. E que, se ela entendesse que o comportamento poderia amenizar a potencialidade das emoções dela, tudo ficaria bem. Hoje, minha pequena declara os ciúmes quando o sente, e é acolhida imediatamente com um longo abraço que faz aquela emoção ruim se tornar uma bela emoção de acalanto.

Quantos momentos mágicos você já não teve com seu filho? Hora de aproveitá-los. Ensine seu filho que as emoções fazem parte da vida, elas vão surgir mesmo que não queiramos, são involuntárias, simplesmente aparecem. Elas são importantes para nós, principalmente para nossa saúde emocional. Segundo o professor Tal, existem dois tipos de pessoas que não experienciam emoções, os psicopatas, que não sentem nada mesmo, e os mortos.

Enfim, converse. Muita conversa com amor faz a diferença na vida de um filho. E, daqui em diante, aproveite para se dar “Permissão para ser humano”!

Assista também, esse vídeo no Canal MdM, sobre como ter um diário me ajudou a ser mais feliz e mais grata:

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