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Diferentes maneiras de ser

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Muitas vezes a gente se depara com situações em que a criança está cansada ou com fome e chora e a gente fica achando que ela poderia se comportar de outra maneira. Chegamos a acreditar até que o comportamento da criança é para nos irritar. Mas se a gente parar com calma pra analisar, vai ver que não tem nada a ver e vamos descobrir o motivo real do incômodo da criança.

Nesse post, da nossa querida colunista Ana Paula, educadora especialista em crianças, nos lembra que muitas das situações cotidianas com as crianças não precisam se tornar palco de um campo de batalhas.

Diferentes maneiras de ser

Da mesma maneira que as crianças estão em pleno desenvolvimento da linguagem, nós, que nos ocupamos delas, também devemos aprender sobre como elas se comunicam e se relacionam com o mundo.

A lógica e a moralidade infantil são pautadas por critérios que nem sempre nós, adultos, conseguimos entender.

Certamente seria tudo mais simples, se um bebê, que demonstra estar com sono, dormisse assim que fosse colocado num berço. Também entenderíamos melhor, se as crianças deixassem de chorar ao ficarem sob os cuidados dos outros, já que também choram quando chegamos para buscá-las. Ou se não chorassem para entrar no banho, já que choram também para sair.

Nos é difícil entender porquê, num minuto uma criança se recusa a fazer o que é esperado e, no outro, se delicia plenamente com o objeto de sua recusa.

Muitas vezes acreditamos que tais comportamentos ocorrem de forma intencional, e têm como objetivo irritar os adultos.

Ledo engano! Pois, se assim fosse, até que seria mais simples! As crianças resistem em fazer o que é esperado por, pelo menos, dois motivos. O primeiro, porque ainda não têm a capacidade de prever que continuarão em segurança, ao deixarem de fazer uma coisa para iniciar outra. O segundo, porque são movidas pelo princípio do prazer; isto é, se aquilo que estão fazendo num determinado instante lhes proporciona prazer, qual é o sentido de ter que interromper, por algo que ela ainda não consegue antecipar?

Dormir, por mais restaurador que seja, é sinônimo de desligamento do mundo. Ficar sob os cuidados de outros é deixar o confortável papel de filho, para tornar-se neto, aluno ou amigo (e vice-versa). Entrar no banho, é deixar de lado as brincadeiras, a televisão. Sair do banho é interromper novas brincadeiras…

E qual a melhor maneira de comunicar aos adultos esta dificuldade? Chorando, fazendo corpo duro, jogando-se no chão…

E o que os adultos podem fazer, para que muitas das situações cotidianas com as crianças não se tornem palco de um campo de batalhas?

Felizmente, não há uma resposta única, pronta e acabada para toda e qualquer situação. Os relacionamentos entre pais e filhos são únicos. Cada um dos personagens envolvidos tem suas disponibilidades e limitações, o que possibilitam formas mais ou menos amistosas de resolução de conflitos.

Há, entretanto, algo que nem sempre é lembrado, mas que não deveria, pois é o que garante que as frustrações do dia a dia não ganhem uma dimensão maior da que deveriam: são os adultos que sabem o que é melhor para as crianças!

Essa máxima pode parecer autoritária àqueles que desejam estabelecer relacionamentos democráticos com seus filhos, mas não é!

Pela experiência e por nossa maturidade cognitiva e emocional, sabemos que determinadas situações cotidianas são fundamentais para a garantia do bem-estar, mesmo quando elas interrompem algo prazeroso. Dormir, acordar, comer, trocar fralda/ir ao banheiro, vestir-se, escovar os dentes… são ações rotineiras e devem ter o status que merecem: fazem parte da rotina e, portanto, precisam ocorrer de modo razoavelmente previsível, principalmente para as crianças!

Fazer, cada uma delas, de forma parecida (ritualizada) e garantir a participação das crianças, atribuindo-lhes pequenas responsabilidades, costuma eliminar boa parte das chamadas “negociações”. Na medida em que a saída de casa se torna mais organizada (roupas trocadas, café da manhã tomado, dentes escovados e cada qual segurando, ao menos parte de seus pertences), elimina-se grande parte da tensão deste momento.

Tudo bem que, às vezes, o script seja cumprido com louvor; mas, ao chegarem ao carro, a criança irá se dar conta de que esqueceu daquele brinquedinho que ela nem liga muito! Paciência! Este é o melhor remédio! Se houver disponibilidade de tempo (ou mesmo interna!), talvez valha a pena voltar para buscá-lo. Mas, se não for possível, tudo bem ouvir um pouco do choro, de reclamação, dar colo, solidarizar-se com o aborrecimento pelo esquecimento e buscar artifícios para mudar o foco de atenção. Afinal, isto é que dá dinamismo ao cotidiano!

Ao convivermos com as crianças, aprendemos sobre outras formas de relacionamentos, mais verdadeiras e intensas. Sob seu ponto de vista, o tempo tem uma dimensão plástica: quero agora, transforma-se em não quero nunca e depois em já, já! Como adultos, devemos nos contagiar pelo encantamento infantil, que faz com que tudo seja possível, mas sem perdermos de vista que os critérios estabelecidos por elas, não seguem uma lógica intencional, cabendo a nós o papel de condutores de suas ações. Assim conseguimos garantir, com bom humor e afeto, o cuidado com seu bem-estar, integridade física e apostando sempre em seu desenvolvimento autônomo.

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