Entenda sobre pé torto congênito | Macetes de Mãe

O pé torto congênito (PTC) é uma alteração ortopédica que ocorre ainda na fase de desenvolvimento do bebê durante a gestação. Um pé que vinha com um desenvolvimento normal pode se tornar um pé torto durante o segundo trimestre de gestação (após o terceiro mês). Desse modo, ele pode ser detectado com ultrassonografia, mas apenas após a 16ª semana de gestação. Quando falamos sobre alterações genéticas, surgem logo algumas dúvidas muito comuns. A primeira delas é o questionamento sobre a chance de acontecer essa alteração. Sobre isso, existem algumas diferenças mas, em geral, na nossa população, a frequência da ocorrência dessa condição é de 1 caso para cada 1000 crianças caucasianas (brancas); entre japoneses, a frequência é a metade e na raça negra é 3 vezes maior. O pé torto congênito é 3 vezes mais comum no sexo masculino. Na maioria dos casos é bilateral (acomete os dois pés), mas quando ocorre apenas de um lado é mais comum a direita. Outro questionamento é: o que causa essa condição? Alguma coisa que é feita na gravidez pode provocar? Sabemos que essa é uma dúvida comum, pois a gestação é um momento no qual os pais e mães querem em geral se cuidar se preocupam com alguma atitude ou comportamento que possa trazer alguma condição diferente do habitual para o bebê. Mas calma. O que causa o pé torto? Não se sabe exatamente a causa! Nesses casos, usamos o nome congênito, que significa vir já no nascimento e também se usa o termo de saúde “idiopático” (sem causa determinada). Acredita-se que o pé torto congênito é uma alteração do desenvolvimento causada através de uma possível ativação de genes responsáveis pela geração da deformidade. Mas essa área da genética está ainda em estudo atualmente, sem resposta muito definitivas ainda. Alterações neurológicas também podem estar relacionadas nas possíveis causas. Os fatores em geral que os pais mais se preocupam são os chamados “ambientais”, ou seja, eventuais usos de medicações, infecções ou outras situações que poderiam ser evitadas. Esses fatores também podem estar relacionados, mas o único comprovado hoje em dia é o uso do medicamento misoprostol, que tem ação no trato gastrointestinal, e que infelizmente utilizado por conta própria por muitas (sem prescrição médica) como tentativa de provocar aborto. Mas existe tratamento? Sim!! Em primeiro lugar, toda criança com deformidade congênita deve ser avaliada e examinada como um todo, para excluir outras possíveis alterações congênitas associadas e também para identificar eventuais fatores etiológicos. É importante verificar se não se trata de parte de quadros de algumas síndromes ou de condições neurológicas. O diagnóstico é essencialmente clínico, ou seja, não tem necessidade absoluta de exames para identificar a situação. Os exames serão complementares para a avaliação do caso. O objetivo do tratamento é deixar o pé no formato e posição habituais, que seja funcional e não tenha dor. Atualmente, se usa técnica não cirúrgica, trabalhando-se com a capacidade de adequação das estruturas afetadas, considerando inclusive propriedades elásticas de alguns tecidos, baseando-se em uma reorientação do crescimento das cartilagens e ossos do pé. São realizadas manipulações dos membros afetados, seguidas de gesso, sendo feitas de forma seriada, o que se configura no tratamento inicial. O método mais realizado atualmente chama-se método de Ponseti. Na imagem abaixo, vemos uma das fases do tratamento. Fonte: ortopediabr.com.br Existe tendência de reservar o tratamento cirúrgico às eventuais deformidades residuais ou para casos mais complexos. Menos de 5% das crianças apresentam casos mais graves e difíceis de tratar. Qual o futuro de crianças com pé torto? A criança que é tratada corretamente pode apresentar ótimos resultados funcionais, e estéticos, muito próximos da normalidade. Entretanto, alguns estigmas da doença vão persistir mesmo após o tratamento, como o tamanho dos pés, que em geral, mesmo com o tratamento, é menor que um pé normal, assim como a panturrilha pode apresentar também um menor diâmetro. Mesmo assim, os pacientes tratados pelo método conservador (sem cirurgia) geralmente não tem dificuldades para participar de atividades físicas regulares no futuro. O importante é o acompanhamento regular e a adesão ao tratamento. E qual profissional devo procurar? O especialista para cuidar do pé torto congênito é o ortopedista pediátrico, que irá avaliar o tratamento mais adequado e irá realizar o seguimento. Com o apoio do profissional fisioterapeuta. A participação do pediatra é essencial para apoio nesse processo e para acompanhar o crescimento e desenvolvimento dessas crianças, bem como para investigação diagnóstica de outras eventuais situações de saúde. Em nosso canal falamos um pouco sobre a como identificar o desenvolvimento do bebê, dê uma olha e quaisquer dúvidas deixem nos comentários. Obrigada, e até breve! Referências bibliográficas: 1. Merllotti, MHR, Braga, SR, Santili, C. Pé torto congênito. Rev Bras Ortop. 2006;41(5):137-44 2. Guia de orientação de pais produzido pela Associação Primeiro Passo com base no manual “Pé Torto – tratamento de Ponseti” e no site www.petorto.com.br

Entenda sobre pé torto congênito


23 de novembro de 2019

Uma leitora muito querida pediu que eu falasse aqui sobre pé torto congênito. Eu não sou especialista e não posso falar sobre o tema. Então, pedi para que nossa colunista, a pediatra Mariana Sampaio, falasse um pouco sobre o assunto.

Nesse post, você confere o que é o pé torto congênito, as causas, o tratamento e qual o tipo de médico que deve procurar se achar necessário. Confira!

Conhecendo sobre o Pé torto congênito

Hoje vamos falar sobre um tema que não é a realidade de todas as famílias, mas é uma situação relativamente comum e um assunto que gera muitas dúvidas!!

Esse assunto é o pé torto congênito, abreviado pela sigla PTC.

O que é pé torto congênito

O pé torto congênito é uma alteração ortopédica complexa que inclui alterações de todos os chamados tecidos músculo-esqueléticos localizados abaixo do joelho, ou seja, alterações dos músculos, tendões, ligamentos, ossos, vasos e nervos

Essa condição é caracterizada por uma aparência do pé torcido ou até mesmo totalmente invertido. Devido essa aparência, é comum a preocupação de que cause dor ou desconforto para o bebê, mas isso não acontece.

O pé torto congênito (PTC) é uma alteração ortopédica que ocorre ainda na fase de desenvolvimento do bebê durante a gestação. Um pé que vinha com um desenvolvimento normal pode se tornar um pé torto durante o segundo trimestre de gestação (após o terceiro mês). Desse modo, ele pode ser detectado com ultrassonografia, mas apenas após a 16ª semana de gestação.

Quando falamos sobre alterações genéticas, surgem logo algumas dúvidas muito comuns.

A primeira delas é o questionamento sobre a chance de acontecer essa alteração.

Sobre isso, existem algumas diferenças mas, em geral, na nossa população, a frequência da ocorrência dessa condição é de 1 caso para cada 1000 crianças caucasianas (brancas); entre japoneses, a frequência é a metade e na raça negra é 3 vezes maior. O pé torto congênito é 3 vezes mais comum no sexo masculino. Na maioria dos casos é bilateral (acomete os dois pés), mas quando ocorre apenas de um lado é mais comum a direita.

Outro questionamento é: o que causa essa condição? Alguma coisa que é feita na gravidez pode provocar?

Sabemos que essa é uma dúvida comum, pois a gestação é um momento no qual os pais e mães querem em geral se cuidar se preocupam com alguma atitude ou comportamento que possa trazer alguma condição diferente do habitual para o bebê. Mas calma.

O que causa o pé torto?

Não se sabe exatamente a causa! Nesses casos, usamos o nome congênito, que significa vir já no nascimento e também se usa o termo de saúde “idiopático” (sem causa determinada).

Acredita-se que o pé torto congênito é uma alteração do desenvolvimento causada através de uma possível ativação de genes responsáveis pela geração da deformidade. Mas essa área da genética está ainda em estudo atualmente, sem resposta muito definitivas ainda. Alterações neurológicas também podem estar relacionadas nas possíveis causas.

Os fatores em geral que os pais mais se preocupam são os chamados “ambientais”, ou seja, eventuais usos de medicações, infecções ou outras situações que poderiam ser evitadas. Esses fatores também podem estar relacionados, mas o único comprovado hoje em dia é o uso do medicamento misoprostol, que tem ação no trato gastrointestinal, e que infelizmente utilizado por conta própria por muitas (sem prescrição médica) como tentativa de provocar aborto.

Mas existe tratamento?

Sim!! Em primeiro lugar, toda criança com deformidade congênita deve ser avaliada e examinada como um todo, para excluir outras possíveis alterações congênitas associadas e também para identificar eventuais fatores etiológicos. É importante verificar se não se trata de parte de quadros de algumas síndromes ou de condições neurológicas. O diagnóstico é essencialmente clínico, ou seja, não tem necessidade absoluta de exames para identificar a situação. Os exames serão complementares para a avaliação do caso.

O objetivo do tratamento é deixar o pé no formato e posição habituais, que seja funcional e não tenha dor. Atualmente, se usa técnica não cirúrgica, trabalhando-se com a capacidade de adequação das estruturas afetadas, considerando inclusive propriedades elásticas de alguns tecidos, baseando-se em uma reorientação do crescimento das cartilagens e ossos do pé.

São realizadas manipulações dos membros afetados, seguidas de gesso, sendo feitas de forma seriada, o que se configura no tratamento inicial. O método mais realizado atualmente chama-se método de Ponseti. Na imagem abaixo, vemos uma das fases do tratamento.

Fonte: ortopediabr.com.br

Existe tendência de reservar o tratamento cirúrgico às eventuais deformidades residuais ou para casos mais complexos. Menos de 5% das crianças apresentam casos mais graves e difíceis de tratar.

Qual o futuro de crianças com pé torto?

 A criança que é tratada corretamente pode apresentar ótimos resultados funcionais, e estéticos, muito próximos da normalidade. Entretanto, alguns estigmas da doença vão persistir mesmo após o tratamento, como o tamanho dos pés, que em geral, mesmo com o tratamento, é menor que um pé normal, assim como a panturrilha pode apresentar também um menor diâmetro.

Mesmo assim, os pacientes tratados pelo método conservador (sem cirurgia) geralmente não tem dificuldades para participar de atividades físicas regulares no futuro.

O importante é o acompanhamento regular e a adesão ao tratamento.

E qual profissional devo procurar?

O especialista para cuidar do pé torto congênito é o ortopedista pediátrico, que irá avaliar o tratamento mais adequado e irá realizar o seguimento. Com o apoio do profissional fisioterapeuta. A participação do pediatra é essencial para apoio nesse processo e para acompanhar o crescimento e desenvolvimento dessas crianças, bem como para investigação diagnóstica de outras eventuais situações de saúde. Em nosso canal falamos um pouco sobre a como identificar o desenvolvimento do bebê, dê uma olha e quaisquer dúvidas deixem nos comentários.

Obrigada, e até breve!

Referências bibliográficas:

  1. Merllotti, MHR, Braga, SR, Santili, C. Pé torto congênito. Rev Bras Ortop. 2006;41(5):137-44
  2. Guia de orientação de pais produzido pela Associação Primeiro Passo com base no manual “Pé Torto – tratamento de Ponseti” e no site www.petorto.com.br

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