Equipamentos e acessórios para "treinar" o bebê: precisa?

Equipamentos e acessórios para “treinar” o bebê: precisa?


29 de abril de 2015

O post de hoje, aqui na coluna Desenvolvimento Infantil, é sobre um assunto muito pertinente: a real necessidade de se usar equipamentos e acessórios para treinar o bebê a realizar coisas que ele faria dentro do seu próprio ritmo – sentar, ficar em pé, andar.

Muito interessante a visão da colunista Leila Suzuki Saita, que escreveu esse post. Vale a pena ser lido e, inclusive, compartilhado para esclarecimento de outras mães. Espero que gostem! Boa leitura.

andador bebe
Photo Credit: Avec Un via Compfight cc

Equipamentos e acessórios para “treinar” o bebê: precisa?

Por Leila Suzuki Saita

Olá mamães, espero que estejam bem! Nosso assunto hoje são os famosos equipamentos e acessórios que prometem “treinar” bebês a alcançarem mais rapidamente alguns marcos do desenvolvimento.  Mas a pergunta é: bebês precisam mesmo de treinamento?

Desde que o bebê nasce, as mães ficam todas orgulhosas se este já se mostra durinho ou se anda antes do primeiro aniversário. E, constantemente o bebê é comparado (de forma consciente ou não) com outras crianças.

Esta ansiedade, é claro, é explorada pela indústria, que lança uma quantidade cada vez maior de aparelhos e objetos para segurar os bebês, entretê-los, mantê-los em segurança, além de ajudá-los a se desenvolver com mais rapidez (e estes equipamentos, muitas vezes, ainda servem para facilitar a vida de quem desses bebês cuida).

Muito antes da cadeirinha semi-levantada para bebês ser obrigatória nos carros (onde ela é usada com real necessidade), variadas versões dela já faziam parte da lista de enxoval dos sonhos de toda mãe. Outras cadeirinhas, como o bumbo, e almofadas de diversos formatos são indicadas para posicionar o bebê na vertical desde os 4 meses. O andador, felizmente, vem se tornando obsoleto e já está com a venda proibida, porém seu substituto, o “jumper”, esta se popularizando.

Entretanto,  essa ânsia em ajudar acaba atrapalhando o bebê, limitando-o ou distraindo-o de seu principal trabalho, que é o de conhecer seu próprio corpo, aprender a controlar seus movimentos e usá-lo para satisfazer seus desejos.
 Ao restringir o movimento do bebê com equipamentos que sustentam seu corpo, estamos afetando não só o desenvolvimento de uma musculatura saudável, mas também sua percepção do próprio corpo, a qual se forma a partir da movimentação voluntária que o bebê executa nos primeiros anos de vida. Ou seja, o corpo pode demorar mais para se tornar um instrumento que ele domina e que serve aos seus objetivos.

Quando o bebê tem a oportunidade, desde cedo, de deitar-se no chão livremente e seu tempo para explorar o corpo e descobrir os movimentos é respeitado, ele pode se desenvolver com mais iniciativa própria, com melhor equilíbrio e alegria. É entusiasmante testemunhar o prazer do bebê em cada movimento novo que aprende, a perseverança com a qual exercita o movimento aprendido e o cuidado com que experimenta novas posições.

Essa persistência e repetição dos movimentos no chão permitem que o bebê adquira suas primeiras habilidades de locomoção, as quais são o rolar, rastejar e engatinhar. Estas são etapas intermediárias do desenvolvimento psicomotor da criança, que possibilitam que ela mude de posição e de lugar antes mesmo de saber andar. Assim, os deslocamentos no chão ampliam a capacidade de exploração do ambiente e de raciocínio do bebê na fase em que seus neurônios estão mais ávidos por novos aprendizados. Entretanto, nem sempre essas habilidades são valorizadas por alguns pais e profissionais.

Portanto, confiar na capacidade do bebê e acompanhar com interesse cada etapa do seu desenvolvimento, ao invés de limitá-lo em parafernálias modernas e artificiais, parece ser um dos caminhos para formar crianças com iniciativa, perseverança e autoconfiança.

Ft. Leila Suzuki Saita – Equipe PAEDI

Confira também esse vídeo sobre o uso de andadores: