Gravidez após aborto espontâneo | Macetes de Mãe
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Gravidez após aborto espontâneo


14 de outubro de 2018

Quando a gente engravida, segue todos os cuidados à risca para que nós e o bebê fiquemos saudáveis durante as 40 semanas que todo mundo espera que dure a gestação. Mas a vida não é uma conta matemática certinha. Assim como o bebê pode nascer antes do prazo previsto, também podemos sofrer um aborto espontâneo.

Um aborto é sempre uma grande perda. Junto com o bebê, perdem-se sonhos, planos e esperança. É uma dor que vem carregada de dúvidas e medos. Uma das dúvidas comuns é quanto tempo depois podemos engravidar após um aborto espontâneo. Para responder essa questão, contamos com a ajuda da Dra. Ana Carla Nicolielo, ginecologista e obstetrícia pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado.

Além de responder essa dúvida, Dra. Ana Carla, explica o que é o aborto e as possíveis causas. Confira!

O que é o aborto?

O abortamento é definido como interrupção da gestação antes de atingir a viabilidade fetal, que ocorre com 24 semanas de idade gestacional. Se ocorrer antes de 13 semanas é considerado precoce, de 13 a 24 semanas se classifica como tardio. Sua incidência é de 15 a 20% das gestações clinicamente diagnosticadas e 80% das interrupções acontece no primeiro trimestre de gestação. Pode ser um evento isolado ou repetido. Sabendo que a maior parte ocorre aleatoriamente em função de embriões que possuem alterações cromossômica. Ou seja, alterações genéticas.

Uma gestação após um abortamento espontâneo, compreensivamente pode gerar uma ansiedade, insegurança e muitas dúvidas. Principalmente, sobre a chance de um novo evento. A ocorrência de apenas um abortamento espontâneo não aumenta o risco de um próximo abortamento numa segunda gestação. O risco de um próximo abortamento torna-se relevante quando fechamos o diagnóstico de abortamento de repetição.

Possíveis causas de um aborto

A definição de abortamento de repetição na literatura é muito controversa, em um protocolo de novembro de 2017, RECURRENT PREGNANCY LOSS – Guideline of the European Society of Human Reproduction na Embryology – ESHRE, foi definido como aborto de repetição duas ou mais perdas antes de 24 semanas de idade gestação, quando o diagnóstico de abortamento de repetição for estabelecido, cabe uma investigação mais detalhada para identificação de fatores de risco e determinar sua possível causa, as principais são: trombofilias hereditárias ou adquiridas, obesidade, tabagismo, diabetes mellitus não controlado, hipotireoidismo, idade materna avançada, alterações anatômicas e algumas vezes não conseguimos determinar a causa. Uma vez a causa seja identificada, o tratamento e acompanhamento adequado, que se inicia no período de pré concepção, minimiza muito a chance de um novo abortamento.

Gravidez após aborto espontâneo

Outra dúvida muito frequente é quanto tempo precisa esperar para uma próxima gestação?

Isso vai depender do período que o abortamento ocorreu, se foi precoce ou tardio, se houve a necessidade intervenção cirúrgica, como curetagem uterina ou aspiração manual intra uterina. Por via de regra se o abortamento foi precoce, espontâneo e sem complicações, a espera de no mínimo um ciclo menstrual, já se pode tentar engravidar. Obviamente, cada caso deve ser individualizado. Sobretudo, nos casos de abortamento de repetição, o acompanhamento médico é essencial para o sucesso de uma próxima gestação.

O aconselhamento é de que seja controlada a causa, como por exemplo, nos casos de diabetes, ter um adequado controle metabólico, quando temos um diagnóstico de trombofilia medidas implementadas já na consulta pré concepcional podem mudar o desfecho e o prognostico da futura gestação, mudanças de alguns hábitos tem grande relevância, como parar de fumar e perda de peso. Como esse acompanhamento conseguimos determinar o melhor momento para começar a tentar engravidar. A coisa mais importante de se fazer é tornar sua gravidez o mais saudável que puder.

Outra questão que eventualmente aparece é, caso haja necessidade de intervenções cirúrgicas como curetagem uterina e aspiração manual intra uterina (AMIU), aumenta o risco de um novo aborto? Mesmo que raro, pode acontecer o que chamamos de sinéquias uterinas (cicatrizes), que são causa de abortamento de repetição. Mas lembre-se, são raras.

Leia também: perda gestacional – relatos de leitoras

Perder um bebê é algo que nenhum casal espera passar, mas essa experiência não vai impedi-los de tentar engravidar novamente. Uma gestação saudável é possível.

Para a maioria das mulheres e seus parceiros, a interrupção da gestação representa a perda de um bebê e as esperanças e planos investidos nessa criança. Sentimento de perda e luto, comuns após uma única perda, podem se intensificar com perdas repetidas. Portanto, acompanhamento multidisciplinar contando com o apoio psicológico pode ser considerado como uma opção viável.

Caso não haja uma patologia que tenha influenciado o curso da gestação anterior, em uma nova gravidez, é pouco provável que um aborto aconteça novamente. O melhor, nesse momento, é munir-se de informações e orientações do seu obstetra para sentir-se segura e confortável, para planejar e curtir uma gestação saudável.