Você não deve dizer: meu filho nunca faria isso | Macetes de Mãe
meu filho nunca faria isso

Você não deve dizer: meu filho nunca faria isso


5 de junho de 2018

Amamos tanto nossos filhos que muitas vezes parecemos cegas em relação às falhas deles. Não nos permitimos ouvir críticas e muitas vezes falamos com convicção: “meu filho nunca faria isso”. Isso é algo que aprendemos com a maternidade: nunca diga nunca! Não sabemos o significado da palavra nunca. A gente pronuncia essa palavra cem vezes por dia, mas na verdade não sabemos o que dizemos, principalmente quando somos mães. Esquecemos que crianças não sabem tomar decisões e quando tomam correm o risco de falhar. O fato do nosso filho ter feito algo que reprovamos, não significa que ele tenha um desvio de caráter.

Está tudo bem se seu filho fez algo que você desaprove e nem imaginava que ele pudesse fazer. Ele vai aprender com os erros que cometer. Vocês vão aprender. E com certeza, como mãe e pai que já passaram por isso, poderão ajudar outras famílias nesse processo.

O post de hoje é para todos pais e mães, porque é um conteúdo muito, muito importante. Nele eu divido com vocês a tradução livre de um texto originalmente publicado no portal Scary Mommy, em que uma mãe relata como é essa sensação de já ter batido no peito para dizer que seu filho nunca faria isso (mas fez). E como todas nós estamos sujeitas a passar por isso, achei que valia a pena compartilhar a história.

Tenho certeza que a leitura vai valer a pena e que vai trazer um pouquinho de conforto. Confira:

A única coisa que você nunca deve dizer como mãe: meu filho nunca faria isso!

“Meu filho nunca faria isso”. Eu disse isso! Eu disse sobre meus filhos quando eles eram bebês e depois quando eram crianças. Eu disse isso com convicção quando eles começaram a pré-escola. Corajosamente, descaradamente (e estupidamente) disse isso quando eles foram para o ensino fundamental e, em seguida, no ensino médio.

Eu disse a única frase que a gente nunca deve dizer como mãe: “meu filho nunca faria isso”.

Eu disse isso, muito porque eu não sabia nada melhor. Ou talvez eu achasse que sabia, porque a vida não tinha me dado um tapa na cara ainda, e eu realmente nunca pensei que aconteceria. Quer dizer, eu sou uma ótima mãe, e grandes mães não criam filhos que fazem coisas estúpidas. Elas não criam filhos que fazem coisas ruins. Grandes mães e pais só criam filhos bons e perfeitos.

Então a vida realmente me deu um tapa na cara. Fiquei humilde. E horrorizada, envergonhada – minha autoestima como mãe colocada em teste. E me lamentei por ter falado as palavras que não deveria ter dito.

Ah, mas eu já tinha dito isso tantas vezes e me sentia muito bem ao dizer. Até agora. E agora eu sei que nunca mais vou pronunciar a sentença: “meu filho nunca faria isso”.

Estou falando com você, mães e pais de um filho perfeito.

É muito fácil sentar e testemunhar a vida, pensando que sua família e seus filhos estão imunes às tentações e desejos que atormentam o resto de nós. É fácil dar um tapinha na cabeça do seu filho enquanto você está fofocando sobre o que o pequeno João fez na escola hoje e, despreocupadamente, dizer: “Meu filho nunca faria isso”.

É fácil presumir ignorantemente que a forma como você cria seus filhos os protege de tomadas de decisão imprudentes, pressão de colegas e outros comportamentos menos honrosos. Mas deixe-me ser a primeira a lhe dizer que é tudo uma grande besteira. Crianças vão ser crianças, e não, isso não é uma desculpa fraca para mau comportamento. É assim que somos capazes de explicar o livre-arbítrio juntamente com a funcionalidade cerebral subdesenvolvida. Em termos simples, as crianças não são capazes de tomar decisões adultas porque são crianças. A maioria dos adultos são incapazes de tomar decisões racionais, mas esperamos que nossos filhos sempre possam?

Você pode ser a mãe estranha e ter tido a sorte de criar o filho perfeito. Mas se você é como o resto de nós, lutando para sermos os melhores pais que podemos ser, bem-vinda ao clube. Sente-se, tome um pouco de vinho e deixe-me ser a primeira a dizer que isso também deve passar. Eu ficaria mais preocupada se tivesse criado um garoto que nunca aprontou de verdade, do que criar um que tenha apanhado mais de uma vez das consequências imprevistas de suas ações.

Seja consolada em saber que algumas das melhores lições de vida geralmente vêm logo após alguns dos maiores erros e fracassos.

Lembre-se também de que mesmo os melhores, mais brilhantes, educados e bem-comportados acabarão por fazer algo que você nunca, em um milhão de anos, acharia que eles fariam. E isso, na maior parte das vezes, tem muito pouco a ver com seus pais.

Se você está lendo isso, e concordando porque já aprendeu sua lição, e tirou “meu filho nunca faria isso” completamente do seu vocabulário, faça-me um favor e não o esconda. Fale abertamente com outras mães sobre as lutas reais que todas nós eventualmente passamos. Não precisa tentar manter a pose de “nós temos a família perfeita”.

Comece um diálogo com suas amigas mães, especialmente aquelas que ainda precisam enfrentar os desafios da adolescência, sobre como, devemos permitir que nossos filhos fracassem. Porque isso é uma oportunidade de aprendizado.

Lembre às mães que acham que isso nunca poderá acontecer com elas – os anos de rebeldia adolescente, o comportamento arriscado, a queda de notas – que certamente poderá acontecer sim.

Insista para contribuir com famílias que estejam passando por momentos difíceis com seus filhos. Ofereça apoio e compreensão, em vez de ficar no canto sussurrando: “Meu filho nunca faria isso”.

Porque a realidade é que todos nós estamos a um segundo de distância de uma decisão equivocada do nosso filho que, automaticamente, nos transforma nessa família com ‘aquela criança’. E essa família e essa criança? Eles são tão merecedores quanto nós de ajuda, cura e amor. Então, ao invés de vomitar, “não é meu filho”, que tal você dizer, “Isso poderia facilmente ter sido meu filho. Agora, o que posso fazer para ajudar?”