O que eu ensinei para o meu filho na vacina de ontem | Macetes de Mãe

O que eu ensinei para o meu filho na vacina de ontem


22 de novembro de 2017

Ontem foi dia de dar vacina nos meninos. Caê estava com uma vacina atrasada (uma que ele ainda precisava tomar ficou em falta por meses) e Leo precisava tomar a segunda dose da Meningo B (que não faz parte do calendário de vacinas, mas que nós decidimos dar).

Meninos odeiam tomar vacina (quem gosta? eu lembro que detestava também), e quando sei que é dia de vacina sei também que será um dia desafiador. Então, além de prepará-los para o que está por vir, eu também me preparo psicologicamente.

Na verdade, o prepará-los consiste em não falar nada que não precisa ser dito ainda. Mas também não mentir. Ontem a gente foi até o hospital para fazer alguns exames e aí eu aproveitei para atualizar essa vacinas, mas não contei isso com antecedência para os meninos para não deixá-los ansiosos.

Eles foram até lá sabendo que fariam os exames e quando lá chegamos os levei para a vacina e explique que, além dos exames que eles já sabiam que iriam fazer eles também tomariam vacina. Claro que eles ficaram furiosos, falaram que não tomariam, choraram, reclamaram que eu menti, etc… Na hora, respondi: “Eu não menti. Eu falei a verdade. Vocês vieram fazer exames, mas vão também tomar vacina. Só que não adiantava eu avisar isso antes porque vocês só iriam sofrer por antecipação. E essas vacinas são importantes para a saúde de vocês, é uma dorzinha na hora para garantir muita saúde por anos e anos.”.

Enfim, situação explicada, chegou a hora da vacina. Caê topou tomar antes, chorou um pouco, mas não foi nada demais.

Já Leo entrou em desespero. Ele esperou do lado de fora, acompanhado da moça que foi comigo, enquanto eu dava a vacina no Caê (antes perguntei se ele queria ir primeiro e ele disse que não, também disse que não queria ir junto e a enfermeira disse que era melhor entrar um por vez). Quando eu saí da sala de vacina com o Caê, Leo estava nitidamente em pânico, chorando, agarrado a uma mesa (gente, que dó, parecia um bichinho acoado). Cheguei até ele, disse que sabia que ele estava assustado e com medo, que sabia que ele não queria sentir dor, mas que a dor fazia parte, que ia ser só uma picada na hora e que depois passaria e ele ficaria bem. Mas que a vacina era importante então ele teria que tomar e pronto (falei com delicadeza, claro, mas fui firme. Acho que esse “ser firme” ajuda a convencer a criança de que ela vai tomar e não tem muito jeito, então ela acaba cedendo e vai).

Entrando na sala da vacina, outro chilique. Acho que se o Leo pudesse, ele teria pulado pela janela. Era um pavor nítido. Sentei com ele, expliquei pela milésima vez que era importante, era um dor pontual para trazer um benefício para toda a vida e esperei um pouco ele se acalmar.

Em determinado momento, resolvi usar outro discurso e aí disse para ele:

– Leo, pior que a dor que você irá sentir é esse medo todo que você está sentindo agora. O medo de esperar pela vacina é muito pior que a dor da vacina em si. Vamos tomar logo e acabar com isso? Quando você tomar a picada irá doer um pouco sim, mas depois acabou. Não tem mais medo, não tem mais espera, não tem mais ansiedade. Acabou!

E foi isso que convenceu o meu pequeno a se acalmar e tomar a vacina. Sim, porque no estado que ele estava seria impossível dar a vacina. Só mais uns dois profissionais viessem para me ajudar a segurá-lo.

Entendendo que o medo da dor e a angústia da espera eram pior que a própria dor, Leo cedeu e tomou a vacina. E depois, senti o alívio nos seus olhos, no seus braços, no seu corpo todo. Leo chorou um pouco de dor, mas logo passou e ele voltou a respirar aliviado.

De noite, antes de dormir, eu retomei com ele o episódio. Disse que é normal sentir medo de vacina, que vacina dói e dói muito, não dá para mentir, disse que eu mesma morria de medo e não queria tomar vacina nunca. Mas tomava porque era importante para mim. Como muita coisa na vida, que a gente não faz porque gosta, mas porque é muito importante e traz coisas boas para a gente.

Também, fiz questão de comparar a reação dele e a do Caê frente à vacina e esclarecer que ele não precisava se envergonhar de nada. Isso porque, o Caê foi para a vacina sem medo algum e o Leo ficou para trás morrendo de medo. Expliquei que o Caê só foi tomar a vacina sem sentir medo porque o Caê não sabia o que estava por vir. Sabia que ia tomar vacina, mas não lembrava direito da dor que ela causa. Por isso ele não teve medo. Porque ele desconhecia o que ela iria causar.

Já o Leo, sabendo da dor que a vacina traria, é claro que sentiu medo e chorou. Mas, por outro lado, ele foi muito forte. Muito mais forte que o irmão, porque ele enfrentou o medo apesar de saber o que estava por vir.

E assim, Leo dormiu feliz. Orgulhoso do que tinha vivido à tarde, e não com vergonha de ter chorado e sentido medo.