Quando dizer não às crianças (e a importância disso) | Macetes de Mãe
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Quando dizer não às crianças (e a importância disso)


16 de junho de 2018

Sabemos da necessidade de dizer “não” às crianças, mas não sabemos como e quando dizer não – essa palavrinha tão simples. Não gostamos de negar nada a um filho, mas o “não” é importante porque faz a criança entender que nem sempre ela vai conseguir ter ou fazer o que deseja. E quando dizemos “não” estamos desenvolvendo neles a capacidade de tolerância para lidar e superar desafios.

No texto de hoje, a psicóloga Bruna Moreira, especialista em Neuropsicologia, comenta sobre a importância de falarmos “não” para os nossos filhos. E como podemos fazê-lo de forma segura e confiante.

Quando dizer não aos filhos?

Por Bruna Moreira, psicóloga especialista em Neuropsicologia

A criança nasce como uma folha em branco, sem conhecimento de regras, sem saber o que é bom ou ruim. Os pais são responsáveis por ensinar e orientar aquilo que acreditam ser correto ou incorreto. Pais que sabem quando dizer não aos pequenos demonstram que estão no caminho certo. Como resultado, a palavra “não” faz parte do processo de amadurecimento e desenvolvimento da criança. Não existe idade para começar a disciplinar. Portanto, em cada etapa do desenvolvimento da criança existe um conhecimento daquilo que se pode ou não fazer. Ajudar os filhos a lidar com as frustrações e orientá-los sobre o que é razoável ou não, os torna mais seguros, flexíveis e provavelmente os tornarão adultos responsáveis que saberão lidar com as decepções que a vida proporcionará.

Os filhos serão capazes de desenvolver a capacidade de saber se defender do que não faz bem e, sobretudo, impor seus próprios limites. É exatamente esse o trabalho dos pais: mostrar aos filhos que nem sempre o ‘sim’ será possível. Com isso, estarão dando raízes profundas para as crianças se tornarem pessoas capazes de dizer ‘não’ também. Assim, como para recusar o convite às drogas. Disciplina não é castigo, e sim ensinamento. Cada etapa do desenvolvimento exige um conhecimento daquilo que a criança pode ou não fazer. Quando um bebê engatinha na direção de uma mesa de vidro, ou para a sacada, cozinha, e olha para trás buscando o rosto da mãe ou do pai, é porque ela sabe que de lá virá o comando de que aquilo não é permitido.

Leia também: limites – como estabelecê-los de forma que a criança compreenda e colabore

O não deve SEMPRE vir acompanhado da tranquilidade e certeza de que não representa falta de amor e afeto. Muitas vezes dizer: “eu gosto muito de você, mas o que você está fazendo está errado e eu reprovo!”, garante para a criança a certeza de que a negação não está vinculada com a perda de amor dos pais. A segurança e a convicção dos pais geram um sentimento de tranquilidade para a criança, ele sabe que tem alguém no controle.

Disciplina oferecida de forma correta, firme e carinhosa fornece a base para que a criança tenha um desenvolvimento adequado e uma vida adulta saudável, com competência social.

Um erro muito comum

Um erro comum dos pais está na estratégia de substituir a sua ausência, conduzindo seus filhos a um mundo onde “tudo pode”. Devido ao trabalho fora, à falta de tempo com a família e o “medo” que os adultos têm do mundo. Criam bolhas para os filhos morarem e oferecem a eles um pequeno mundo que pode ser frustrante futuramente. Pois verão que o mundo real não é como eles desejam e que as coisas nem sempre acontecem conforme a vontade deles.

Os pais devem sim policiar os seus filhos, ensinando-lhes os momentos em que podem dizer sim e não. Para que não sofram as consequências desastrosas de os verem crescer mimados e indisciplinados achando que podem fazer tudo. Algumas dessas crianças que crescem sem disciplina e orientação corretas, passam por grandes conflitos de personalidades entre as fases da pré e da adolescência. Por não terem a certeza do que é correto e do que não é correto fazer.

Como consequência, são facilmente influenciáveis e sujeitas ao encontro com pessoas de péssimas índoles ou drogas em suas vidas. Por isso, a importância das divisões por parte dos pais, dos momentos corretos para concordarem ou não com a vontade dos filhos que não podem e nem devem ser criados como donos de si nem de suas vontades.

A educação dos filhos deve ser em sintonia

É imprescindível que os pais ajam em sintonia na educação dos filhos; o casal precisa planejar as orientações que eles deverão seguir. Isso fará com que os filhos sintam uma confiança inabalável, assim, irão crer que podem contar com o amor e o apoio dos pais. Essa ação conjunta é sentida pelos filhos como expressão da grande importância que eles possuem na vida dos pais.

O equilibrio da educação: Não privar tudo e não deixar fazer tudo

Bom senso é sempre a medida certa e é fundamental na educação. O carinho aliado a um tratamento disciplinador, com limites claros e bem estabelecidos promove a segurança emocional que os filhos precisam. Em conclusão, criança sem afeto entra em depressão. E crianças que ficam soltas demais tendem a se perder, portanto, a ficar sem referência. Seja uma referência que os filhos terão orgulho de levar para a vida, de compartilhar com os amigos e no fim sentir orgulho dos “nãos” que ouviu enquanto crianças. Os filhos irão agradecer por ter tido pais que souberem a hora certa de dizer “não”.

Demonstre confiança e amor

Os filhos precisam ser convencidos de que são amados e a disciplina é uma grande ferramenta. Portanto, estabelecendo regras, rotinas e desenvolvendo um vínculo saudável, entenderão que não precisam usar a revolta para chamar atenção e ganhar afeto. Dessa forma, não se sentirão ainda tentados a usar de meios autodestrutivos tais como os vícios de modo geral. A confiança, juntamente com o amor, é o elo que deve prevalecer na relação pais e filhos.

Assertividade

Num momento os pais dizem “sim”, em outros “não”; primeiro aceitam, depois mudam de ideia. Os filhos não entendem porque uma hora podem e outra não e passam a desrespeitar as determinações dos pais. Os limites fazem parte da construção de todo indivíduo, mas os pais precisam estar atentos para utilizá-los de forma assertiva.

Os limites ajudam a formar a estrutura da personalidade dos filhos e, por tamanha importância, devem ser aplicados com todo cuidado. Mas nisso existe outro fator relevante, os pais nunca devem se esquecer de que os filhos aprendem por imitação e, portanto, eles devem exemplificar os limites que impõem. Coerência é fundamental! Seja um bom exemplo ao seu filho, tenha educação ao chamar atenção, seja compreensivo quanto as birras e entenda o porque daquilo. Aprenda que o reforço positivo pode ser praticado com um abraço, elogio, passeio e não presentes. Aprenda que você é o responsável pela crianção de seu filho, ele com certeza seguirá seus passos quando adulto. Então seja um exemplo dentro de casa.

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