Troca na fala: até quando é normal? | Macetes de Mãe
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Troca na fala: até quando é normal?


2 de março de 2019

Que é comum a criança fazer troca na fala todos nós sabemos, mas até quando? Falar errado pode fazer parte do processo de aquisição da fala, mas precisamos ficar atentos se a criança persistir falar errado até certa idade. Nesse post, nossa colunista Dra. Raquel Luzardo, fonoaudióloga e especialista em linguagem, fala sobre quais sons a criança deve aprender e até quando. Confira!

Troca na fala: até quando é normal?

Alguma das queixas mais constantes no consultório são os fatos da criança ainda não pronunciar corretamente o “R” ou trocar o “X” pelo “S”. E a primeira coisa que eu sempre procuro passar para os pais é: “Calma! Nós vamos conseguir identificar o problema e resolvê-lo”.

Até os quatro anos de idade, é normal que a criança faça troca na fala. Ou seja, trocas de sons. Depois disso, o esperado é que ela já esteja apta a produzir todos os sons, incluindo os encontros consonantais, como: dr, pl, tl (palavras como pedra, planta, atleta…).

Os problemas de fala se caracterizam pela dificuldade ou impedimento na produção dos sons (fonemas). As alterações mais comuns são:
trocas: /balata/ para barata
omissões: /peda/ para pedra
distorções: som muito próximo, mas diferente do padrão.

Essas trocas na fala podem ter diferentes causas, como:

  1. Problemas de natureza neurológica => áreas motoras do sistema nervoso podem estar lesadas, dificultando a geração e transmissão de impulsos nervosos, acarretando prejuízos na movimentação da musculatura responsável pela produção dos sons da fala. Dificuldades deste tipo são comuns em crianças com lesões motoras, como na paralisia cerebral.
  2. Problemas de natureza músculo – esqueletal => nestes casos a fala estará prejudicada por deformidades ou alterações nos órgãos responsáveis pela produção da fala. Como é o caso da musculatura facial, lingual, do palato e demais estruturas envolvidas. Podemos citar, como exemplo, os problemas decorrentes das fissuras labiais e palatais.
  3. Desvios fonológicos => se caracterizam por alterações sem uma causa orgânica. Embora a criança possua uma integridade neurológica e das estruturas envolvidas na fala, existe uma dificuldade específica para a pronúncia de alguns fonemas. Na maior parte das vezes, são problemas deste tipo que levam as crianças ao tratamento fonoaudiológico.

Como ajudar meu filho?

É provável que seu filho necessite de tratamento fonoaudiológico. Mas isso não quer dizer que os pais não tenham um papel importante nesse momento. Pelo contrário, a família tem uma importância bastante significativa na hora de incentivar a criança.

De modo geral, algumas regras podem ajudar:

– Se a criança está com a fala infantilizada, provavelmente, os pais estão oferecendo a ela padrões também infantilizados de pronúncia. Neste caso, o papel dos responsáveis é mostrar ao pequeno, modelos mais apropriados, de fala não alterada. Se os pais são muito exigentes e seus filhos estão com dificuldades para falar em função de tal nível de expectativas, devem se tornar mais compreensivos e tolerantes;

– A criança precisa ser incentivada a falar. É claro que ela pode ser corrigida, mas de forma indireta, sem a necessidade de ficar treinando palavras, sem uma carga de ansiedade ou ridicularização. Por exemplo, se a criança diz “O caio da mamãe quebo” (O carro da mamãe quebrou), eu repetirei a mesma frase, mostrando, ao que compreendi o que ela queria dizer e, ao mesmo tempo, dando-lhe o padrão de pronúncia correta: “Puxa! O carro da mamãe quebrou?”. Estas podem ser formas eficientes e naturais de se ajudar alguém que tem dificuldades.

Desenvolvimento da fala

Podemos dizer que, para a maioria das crianças, a idade média com que começam a falar é a de 12 meses de idade. Ou seja, por volta de um aninho. Algumas são mais apressadas, iniciam as primeiras palavras por volta de 9 – 10 meses. Outras, um pouco mais lentas, por volta dos 18 meses. Portanto, de 1 a 1 ano e meio, é a variação de tempo em que se espera que as crianças comecem a falar as primeiras palavras.

Se seu filho está nesta faixa de idade, a qualquer momento as primeiras palavras poderão surgir. Porém, se ao chegar aos dois anos de idade, ainda não estiver falando, convém procurar um fonoaudiólogo para uma avaliação de rotina.

Mas não é necessário ficar esperando até os dois anos de idade para se saber se uma criança terá problemas em relação à fala. Observe se seu bebê gosta de brincar com sons, como se estivesse falando sozinho. Verifique se, apesar de não falar, ele é comunicativo ou não. Bebês muito silenciosos podem vir a apresentar dificuldades para se comunicar. De qualquer forma, sempre que houver uma dúvida, um fonoaudiólogo pode orientar apropriadamente a família. Orientações para melhor estimular o bebê, quando necessário, podem ser feitas.

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