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Engravidar acima do peso tem algum problema?

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Tenho recebido muito essa dúvida lá no Canal: tem algum problema de engravidar acima do peso?

Eu não sou especialista no assunto, mas acredito que temos que cuidar de tudo que é em excesso. Durante a gestação, é comum já ganharmos alguns quilinhos e sei que o peso muito acima pode representar alguma complicação. Então, é importante cuidar.

Para esclarecer essa dúvida, busquei ajuda do nosso colunista, o Dr. Alfonso. Confira!

Engravidar acima do peso tem algum problema?

A obesidade é algo que incomoda muitas mulheres, e atualmente quase uma epidemia. Nossa oferta de comidas deliciosas é constante, e é muito difícil se manter com peso adequado.

Para as mulheres obesas é muitas vezes um massacre, e a chamada “gordofobia” presente em muitos ambientes. Assim, temos que evitar que esta pressão, sobre as mulheres que estão acima do peso, fique ainda maior quando estas vão ao seu ginecologista. Porém, temos que informar estas pacientes sobre os efeitos da obesidade sobre a fertilidade e riscos que aumentam durante a gravidez. Isto pode ajudar a mudar o foco da perda de peso. Reduzir o peso traz uma série de benefícios, ajudando esta mulher a engravidar com mais facilidade, manter a gravidez e ter menos complicações durante a gravidez, e ao final, um filho mais saudável.

Entenda o que é obesidade

Primeiro, temos que definir obesidade. Para isto o IMC (índice de massa corpórea), que é o peso dividido pela a altura duas vezes, ainda é o parâmetro mais utilizado. IMC acima de 30 é considerado obesidade. A partir daí, temos uma série de prejuízos para termos um bebê.

Alterações no ciclo menstrual e na função ovariana são mais comuns naquela com excesso de peso. Tais alterações prejudicam a fertilidade por gerarem uma ovulação ausente ou irregular. E sem ovulação não há bebê. Muitas mulheres com anovulação crônica (ausência de ovulação), corrigirão o problema apenas com a perda de peso.

Mulheres obesas possuem perda da qualidade dos óvulos. Mesmo quando partimos para métodos de reprodução assistida, verificamos uma pior resposta dos ovários às medicações de estímulo ovariano. Em muitas necessitamos utilizar mais hormônios e mesmo assim podemos ter uma resposta prejudicada. Da mesma maneira, a qualidade destes óvulos também é prejudicada, com pior evolução dos embriões formados, mesmo em laboratório durante a fertilização in vitro.

A obesidade parece também afetar a receptividade endometrial, que é a camada do útero onde o embrião se implanta. Assim, mesmo que tenhamos um embrião de boa qualidade, este pode não se implantar no útero e virar um bebê. De mesma maneira, a taxa de abortamento também é maior nesta população. Isto é, temos mais perdas de gestações iniciais naquelas mulheres acima do peso.

Diabete gestacional e hipertensão

Durante a gravidez também temos um aumento das complicações como diabetes gestacional e hipertensão, como pré-eclâmpsia ou eclampsia, e ao final maior risco de prematuridade, E tudo isto traz maior risco para mãe e bebê, inclusive com aumento de mortalidade e sequelas para ambos. E aí temos nosso maior medo, que é a sequela em uma criança para o resto da vida.

Leia também: exames na gravidez

Vejo diariamente as radicais mudanças que a maternidade causa para todas as mulheres. Muitas que eram workaholics, reduziram o trabalho; outras que bebiam diariamente, repentinamente perderam a vontade de beber; a descrição do amor que surge já no plano de engravidar é comum. O desejo de ter um filho traz uma energia e vontade de mudança que devem ser canalizados para ajudar nesta perda de peso. A mudança de hábito de vida é o primeiro passo para constituirmos uma família saudável. A redução de peso traz uma melhor ovulação, qualidade ovular e implantação embrionária, e ao final, maior fertilidade. Reduz complicações durante toda gravidez, e ao final traz maior segurança para a mãe e filho.

E não podemos esquecer o pai

Também não podemos esquecer do papai. A obesidade também prejudica a qualidade dos espermatozoides. Perder peso também pode ajudar este homem a ter seu filho e criá-lo com mais saúde e longevidade.

Muitas mulheres e homens obesos são férteis e terão filhos saudáveis em famílias felizes. Porém, a obesidade é algo que pode prejudicar e colocar nosso amado bebê em risco. Informar e incentivar mudanças de hábito de vida, e até ajuda multiprofissional com nutricionista, psicólogos e profissionais de educação física, é nossa obrigação e sempre o passo inicial e fundamental. Naqueles futuros mamães e papais obesos, que as mudanças de hábito de vida falhem, a opções medicamentosa e cirúrgica podem ser consideradas, pois também comprovaram benefícios para a fertilidade e gravidez.

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