Incompetência ístmo cervical: o que é e como tratar | Macetes de Mãe
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Incompetência ístmo cervical: o que é e como tratar


2 de dezembro de 2018

Nos últimos tempos, recebi muitos pedidos para falar aqui no blog e no Canal MdM sobre Incompetência Ístmo Cervical (IIC). Eu não conhecia quase nada sobre o assunto, então, pedi para um de nossos colunistas uma ajudinha.

É sempre bom poder contar com um profissional que entenda do assunto. Acabou que aprendi muito! Incompetência Ístmo Cervical é como um defeito do canal cervical que não tem a capacidade de suportar o peso da gestação sem se dilatar.

Mas quem explica melhor todos os detalhes sobre Incompetência Ístmo Cervical e ainda fala sobre tratamento, é o Dr. Marcelo Marinho, diretor Médico do Centro de Reprodução Humana FERTIPRAXIS e colunista aqui do MdM. Confira abaixo!

O que é e como tratar Incompetência ístmo cervical

Entende-se por Incompetência Ístmo Cervical (IIC) a incapacidade, fraqueza da musculatura do ístmo cervical. Ou seja, uma parte específica do colo uterino que é responsável pela sustentação e manutenção da gestação na medida que ela evolui. Colo do útero é uma parte de ligação entre o corpo do útero (onde aloja-se a gestação) e a vagina. Em seu interior existe um canal, um trajeto bem fino, pelo qual passa a menstruação mensalmente enquanto a mulher não está grávida. Ao longo de toda a gravidez este canal deve permanecer longo, comprido e fechado até o finalzinho da gravidez. Nas suas últimas semanas, quando então lentamente fica amolecido e fino, começa a se dilatar e abrir. Como uma preparação para o trabalho de parto.

De uma maneira anormal e patológica o colo uterino de algumas mulheres apresenta essa musculatura mais fraca e incapaz de se manter fechado à medida que a gestação avança. Por isso, fica mais curto e dilata-se mesmo na ausência de contração ou dor. Apenas pelo volume da gestação, ocorrendo o abortamento. Ou mesmo o parto prematuro (antes de 37 semanas completas). Este fenômeno pode ocorrer em fases distintas da gestação, no 2º ou 3º trimestre da gravidez. Dependendo do momento em que ocorre trata-se de abortamento (se até 24 semanas completas) ou de parto prematuro (se após 24 semanas e até 37 semanas). A menos que seja efetivamente bem conduzida e tratada, há uma clara tendência a que se repita em cada gravidez. Constituindo-se em causa importante de abortamento espontâneo tardio ou de parto prematuro.

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Em nossa experiência na clínica Fertipraxis – Centro de Reprodução Humana – lembro-me bem de um caso muito delicado de um casal que já havia tido dois episódios de abortamento tardio, após tratamento de fertilização in vitro. Muito frustrados e desanimados, partimos para a terceira tentativa. Mais uma vez com sucesso planejamos a realização de um procedimento cirúrgico chamado cerclagem do colo uterino. Ou seja, um tipo de ponto especial, de modo circular, ao redor do mesmo, que visa manter essa musculatura íntegra e capaz de permanecer fechada para sustentar a gravidez pelo maior tempo possível. O resultado foi o melhor possível. Ela iniciando o trabalho de parto após 36 semanas, pouco antes do esperado, porém em ótimas condições clínicas ao nascimento.

É importante o conceito de que a IIC pode ser de causa congênita ou adquirida. E que leva à perdas de gestações normais que poderiam ser evitadas. Apesar de poderem ser de origem congênita que levam à alterações do útero, em sua maioria decorrem de trauma nesta região do colo uterino. Como os causados por dilatações intempestivas nos casos de abortamentos prévios. Sejam provocados ou mesmo para esvaziamento uterino nos casos de abortamento espontâneo retido. Outros tipos de trauma são consequência da aplicação de fórcipe em partos anteriores, em colos não completamente dilatados ou por pacientes que passaram por cirurgias de retirada de segmento (parte do colo), como tratamento cirúrgico de lesões precursoras do câncer do colo uterino ou mesmo do câncer em fase bem inicial.

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O diagnóstico da IIC pode ser feito fora ou durante a gravidez. Quando fora da gravidez, o obstetra se baseia na história clínica de antecedentes obstétricos (abortamentos anteriores). E também em exames complementares, como, por exemplo, a histerossalpingografia, exame de radiografia da pelve antes e após a injeção de contraste no útero com a finalidade de avaliar tanto a anatomia das trompas quanto da cavidade uterina, sendo muito útil na identificação de pequenas dilatações da região mais interna do canal do colo. Durante a gestação, a avaliação clínica (toque digital) é sempre de fundamental importância na identificação do afinamento progressivo do colo e posterior dilatação. Além do exame de toque pelo obstetra, a ultrassonografia transvaginal é muito útil em identificar o encurtamento progressivo do colo e dilatação do orifício interno. Sendo este, o método mais utilizado para o diagnóstico precoce da IIC durante a gestação.

O tratamento de fato efetivo para a IIC é o cirúrgico. Chamado de cerclagem, é o reforço do colo uterino com um tipo especial de ponto, utilizando um fio inabsorvível. Ou seja, resistente e que não se desfaz com o passar do tempo. Justamente para não permitir o afinamento e a dilatação do colo. Deve ser realizada de preferência entre 12 e 16 semanas e, quando bem indicado e realizado de forma adequada, é capaz de prevenir em muitos casos tanto o abortamento quanto o parto prematuro.

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