Maternidade, culpa, reparação e auto-perdão | Macetes de Mãe
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Maternidade, culpa, reparação e auto-perdão


10 de agosto de 2019

Que a maternidade não é nada fácil todas nós já sabemos. Mas como tornar essa jornada mais leve, sem peso e sem culpa? Muitas vezes nós temos atitudes que não nos orgulhamos e nos punimos por isso. Então, vem a culpa e nos detona. Nesse post cheio de reflexão da psicoterapeuta Monica Pessanha, ela nos traz uma reflexão sobre reparação e auto-perdão. Porque às vezes, para ser mães melhores precisamos apenas nos perdoar.

Maternidade, culpa, reparação e auto-perdão

Eu sei que muito se fala sobre esses sentimentos, tenho certeza que você já leu muito a respeito. Minha reflexão hoje são sobre os detalhes dessas emoções que chegam quando as mães perdem o controle de seu estado interno.

Essa manhã me preparando para sair de férias, uma mãe me liga com voz de choro pedindo para retornar à terapia. Ela dizia não saber como ser a mãe que dá conta da raiva, e da agressividade quando os filhos não fazem o que ela quer ou quando não consegue fazê-los comer e dormir. Nesse mesmo telefonema ela me contou que disse ao filhos que iria arrumar uma outra mãe para eles. Eu não consigo nem imaginar o tamanho da dor de saber que falou palavras tão duras aos seus dois pequenos filhos. Aprendi a respeitar essa dor e os comportamentos que provéem de não conseguirem segurar seu estado interno.

Quase sempre nossas emoções na hora de educar os filhos se conectam com nossas histórias, com a forma como fomos criados, a forma como nossos pais agiam conosco. (é possível olharmos para os filhos na hora da raiva do mesmo jeito que nossa mãe nos olhava. Repetimos os padrões que não queremos repetir). Tudo se conecta no discurso falado aos nossos filhos. E no meio disso tudo estão as mães cansadas, com medo, um medo muito lá dentro de que as coisas deem errado.

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Sempre ouço as mães dizerem que sentem-se culpadas. Me preocupo quando elas não conseguem nomear o que acontece dentro delas nos momentos de crise existencial materna. Atrevo-me a dizer que elas choram em silêncio e quando esse silêncio fica ensurdecedor elas gritam. Agridem, se culpam e tentam reparar porque não conseguem encontrar a mãe perfeita que sonhavam em ser. E nesse lugar de reparação em busca da mãe perfeita criam um movimento compensatório. Mas a reparação é bonita demais para ser só compensatória. Reparar a falha é pedir perdão. E perdoar é a virtude do amor, algo que as crianças conhecem bem e estão pronta para exercer a suas mães. Peçam perdão sempre que necessário e digam eu te amo nos encontros com seus filhos. Faça da reparação o auto-perdão.

Todas as vezes que enfrentamos um problema e pedimos ajuda de alguém temos a esperança de que há algo a ser feito. Por isso, minhas percepções sobre a culpa é que ela é um aprendizado. E se temos algo a aprender, é porque temos como fazer diferente diante de uma outra situação que pode nos tirar do eixo. E nesse contexto já convido a reflexão sobre o que nos torna humanas: o que tem nas mães que as levam para longe da perfeição?

A falha! Quando falhamos, nosso lado humano pode respirar, pois paramos de brigar com aquele voz que diz que devemos ser super-humano. E quando percebemos isso, podemos começar a nos perdoar também (lembram, perdão é a virtude do amor, o quanto você tem se amado?) . Isso é muito bonito na construção da maternidade. E é aí que entra o auto-perdão.

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Proponho dois exércitos diários às mães. O primeiro: elas podem mudar! Mudar é uma oportunidade de fazer diferente. Não precisamos repetir nossas histórias, nem precisamos ter esse medo bem lá dentro de que as coisas deem errado, se elas acreditarem que podem em uma outra situação fazer diferente.

Depois devem perceberem que a leveza da maternidade está em ser suficientemente boa. Uma mãe suficiente é aquela que não transborda e nem falta. Quando tentam ser perfeitas transbordam, protegem demais, sufocam. Quando faltam promovem o desamparo. Ser suficientemente boa é não atender prontamente as necessidades dos filhos, mas é atender.

Eu sei não é fácil, até porque a maternidade é muitas coisas diferentes, para muitas mulheres diferentes. Mas eu já vivi no consultório experiências transformadoras com outras mães. É possível que ao longo do caminho, escolhemos lições que facilitam a maternidade. Não importa o quanto uma mãe nos procura no desespero. O que importa são as ações que vamos tomar juntos para ajudá-las a fazer as melhores escolhas par tornar a maternidade mais leve, sem culpa, com reparação e perdão.

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