Meu filho fingiu que um galho era uma arma e aqui está o que aconteceu | Macetes de Mãe

Meu filho fingiu que um galho era uma arma e aqui está o que aconteceu


6 de novembro de 2018

Mamães, o post de hoje é sobre o quanto aprendemos com nossos filhos. E sobre como a educação que damos aos nossos filhos está sendo assimilada por eles.

Esse texto foi publicado originalmente no site Scary Mommy e está com uma tradução livre aqui para o Macetes. Vale lembrar que, estamos falando da realidade americana, mas a educação que passamos para nossos filhos é algo universal, afinal, pais e mães do mundo todo vivem preocupados em passar os melhores valores possíveis. E esse texto é uma afirmação de que nossos filhos absorvem sim as mensagens que transmitimos a eles.

Meu filho fingiu que um galho era uma arma e aqui está o que aconteceu

por Katie J

Eu tenho um filho de 3 anos que é engraçado, enérgico, louco, sensível, doce, brincalhão e, além disso, enche meu coração com mais alegria do que eu poderia imaginar. Ele é o garoto do meio, entre suas duas irmãs. Ele muda rapidamente entre querer ser um pirata, um unicórnio ou um tigre. Sua cor favorita é azul, ele adora correr, saltar, jogar bola, pintar as unhas de azul, dançar, cantar e o que ele chama de “atirar armas”. Aqui está o problema.

Deixe-me começar observando: eu sou uma mãe liberal, mas nem tanto. Eu sou daquelas mães que perguntam à mãe do amiguinho, quando ele vai brincar na casa dele, se guardam uma arma na casa. E, se ela tiver, é melhor que esteja descarregada, trancada e eu ainda quero ver pessoalmente onde ela está guardada e como. Se não, meu filho não vai brincar lá.

Quando descobrimos que teríamos um menino, eu sabia que ajudar meu garotinho a se tornar um homem gentil, sensível e atencioso era minha maior prioridade. Quando eu estava grávida dele, fiz uma lista mental de coisas que nunca deixaria de fazer e uma lista de coisas que eu o encorajaria a tentar. Por isso, no topo da minha lista estava “Eu nunca vou deixar ele fingir que atira com uma arma. Nunca.”

Então quando ele completou dois anos e meio, literalmente tudo se tornou uma espada, um arco e flecha ou uma “arma de tiro” como ele os chama. Qualquer coisa pode ser uma arma de tiro… Mãos, pistolas de água, pedaços de papel, trilhos de trem e, na maioria das vezes, pedaços de pau. Meu coração afundou.

Estatísticas assustadoras começaram a gritar em minha mente:

– A violência armada é a segunda principal causa de morte das crianças americanas.*

– Mais de 2.700 crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos) são mortos a cada ano.**

– Mais de 14.000 são baleados e feridos a cada ano.**

Nem pensar! Eu estava colocando um fim nisso. Nenhum filho meu estaria fingindo atirar em nada. Expliquei a Henry, repetidamente, sobre o perigo das armas, as implicações de até fingir atirar com uma delas. Eu li livros sobre ser aventureiro com outras armas menos realistas e menos perigosas. Piratas com espadas, magos com varinhas, escritores com canetas! Ele gostava das histórias, ouvia o que eu tinha a dizer, mas seu corpo de criança pequena não conseguia parar de transformar tudo em “atirar em armas”.

Estávamos na casa dos meus sogros e ele encontrou uma velha arma de brinquedo que parecia um rifle de caça. Perdi a cabeça. Eu fiz eles se livrarem daquilo. Eu poderia dizer que eu parecia maluca, mas há uma grande diferença entre uma criança brincando, fingindo com uma vara e uma criança, uma c-r-i-a-n-ç-a, se familiarizando com uma arma realista e pensando que é um brinquedo. Não. Não. E não.

O rifle de brinquedo de Grammy e Pops foi removido, mas eu não consegui remover todos os demais: brinquedos, pedaço de papel, palito ou suas mãozinhas. É extremamente difícil ensinar seu filho a não se envolver na abstrata brincadeira de transformar um bastão em uma arma. Enfim, esse garoto tem uma imaginação e um desejo de aventura que rivaliza com a minha capacidade de controlar o que ele faz.

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Mas eu estava tão farta das brincadeiras de armas. Eu vi o suficiente. Ele estava em nosso quintal da frente, pegou um graveto e apontou para a árvore fazendo um barulho estranho. E me dizendo que estava “atirando em um dragão”. Eu me ajoelhei e expliquei que as armas machucam as pessoas, elas não são brinquedos e ele nunca poderia tocar em uma. Eu estava quase chorando, o que pode parecer dramático, mas os tiroteios nas escolas são tão comuns agora que nem viram manchetes. E estou arrasada com a falta de interesse de nosso país no controle de armas. E eu serei amaldiçoada se meu filho pensar que armas são brinquedos.

Depois que eu expliquei, mais uma vez, sobre como as armas machucam as pessoas e como eu sei que ele não quer machucar ninguém, então ele colocou a “arma de tiro” no chão, colocou a pequena mão gordinha no meu ombro e disse: “Mamãe, minha arma de tiro não machuca as pessoas, tem água saindo para pulverizar o dragão, sem machucar.” Então, ele se inclinou e sussurrou: “Também não é realmente uma arma de tiro, é só um galho.”

Caramba. Ele tinha me escutado. Sua “arma de atirar” dispara água. É só um galho. Pude entender, ele com seus 3 anos me ouvia.

Eu certamente continuarei a educá-lo sobre a importância das brincadeiras seguras, o perigo das armas reais, a importância de nunca, nunca tocar em nada que pareça uma arma. Mas, se ele quiser pegar um galho e apontar para um dragão imaginário e me dizer que ele “pegou o dragão”, eu vou deixá-lo.

As estatísticas são de Everytown para ‘Gun Safety Research’, referências a seguir:

* Centros para Controle e Prevenção de Doenças. Relatórios de Lesões Fatais da WISQARS, Principais Causas da Morte, Estados Unidos. Dados de 2016. Veja também: Heron M. Mortes: Causas principais para 2015. Relatórios de Estatísticas Vitais Nacionais, Hyattsville, MD: National Centro de Estatísticas de Saúde. 2017; 66 (5).

** Centros de Controle e Prevenção de Doenças. Relatórios de lesões da WISQARS. Os dados usaram uma média de 5 anos, 2012-2016.