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o poder do leite materno

O poder do leite materno na proteção contra alergias


25 de novembro de 2018

Uma das coisas que mais se fala quando o assunto é maternidade é sobre o poder do leite materno. E a importância do aleitamento materno. Sabemos que o bebê deve ser, sempre que possível, amamentado exclusivamente no peito até 6 meses e, depois, receber leite materno como alimentação complementar até, pelos menos, 2 anos.

O leite materno é tão poderoso porque possui proteínas essenciais para o corpo humano. Ele é, inclusive, um poderoso alimento na proteção contra alergias.

Nesse post, a Dra. Marcia Toraiwa, pediatra e mãe do Guilherme, explica como leite materno age na proteção contra alergias. Confira e compartilhe!

O poder do leite materno na proteção contra alergias

Eu amamentei dois filhos e, como todas que já passaram por isso, sei bem as dificuldades que existem na primeira vez que se inicia o aleitamento materno exclusivo. Mas calma, amamentar não é fácil até você pegar o jeito, até seu leite descer, até você acertar direitinho a posição e parar de ter fissuras nos mamilos, até você ficar calejada e aquela “fisgadinha” inicial, quando o bebê pega o peito, diminuir.

Há luz no final do túnel, só precisa de paciência que em poucos dias amamentar fica fácil. E no segundo filho você já tira de letra (nem se lembra das dificuldades que teve com o primeiro, meu marido é testemunha! Risos), e então amamentar se torna muito gostoso.

O aleitamento materno proporciona diversos benefícios não só para o bebê, mas para a mãe também! E são bastante conhecidos, mas sempre vale a pena relembrar: previne mortalidade infantil por infecções, aumenta o quociente de inteligência, reduz o risco de obesidade futura, previne cólicas (por ser mais facilmente digerido), proporciona melhor desenvolvimento da arcada dentária do bebê ao sugar o peito, aumenta o vínculo entre a mãe e o bebê, proporcionar sensação de bem-estar materno, auxilia no retorno ao peso pré-gravidez da mãe (amamentar consome em média 800 calorias por dia), previne sangramento uterino, (pois amamentar estimula o útero a se contrair), previne mortalidade materna por câncer de mama e ovários, é prático, “barato” e de fácil acesso. Além desses benefícios, é importante acrescentar que o leite materno é uma importante arma na prevenção das alergias.

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A alergia é a doença dos nossos tempos. Portanto, estima-se que pelo menos 30% da população tem ou terá alguma manifestação alérgica ao longo da vida. Esse número parece pequeno vivendo em uma cidade como São Paulo, onde temos a sensação de que todo mundo tem pelo menos uma rinite.

As manifestações alérgicas são parte de uma reação inflamatória geradas pelo nosso sistema de defesa e, ao nascimento, o bebê nasce com todo seu organismo com forte tendência a gerar inflamações, característica de sua imaturidade. Então o amadurecimento adequado do sistema de defesa do recém-nascido deverá trazer equilíbrio a esse estado inflamatório, para que ele só ocorra realmente quando for necessário e “tolerar” certas substâncias sem gerar uma reação desnecessária, uma reação alérgica.

Para atingir esse equilíbrio diversos fatores são importantes, inclusive a flora intestinal materna. Você já parou para pensar que todos falam em bactérias boas na flora intestinal, mas quem é que diz quais são boas e quais devem ser eliminadas? Pois são justamente os anticorpos.

As bactérias no intestino materno estimulam a produção de anticorpos específicos para eliminar aquelas bactérias, que são indesejáveis e levam a secreção de substâncias, que irão sinalizar que outras deverão ser toleradas, pois são “boas”. Além disso, as bactérias da flora materna irão digerir fibras alimentares e produzir outras substâncias que também serão passadas pelo leite materno (principalmente ácidos graxos de cadeia curta como, por exemplo o ALA, um tipo de ômega 3) e auxiliarão o sistema de defesa (imune) do bebê a atingir seu equilíbrio. Esses anticorpos e substâncias tolerogênicas serão secretadas também no leite materno, auxiliando o intestino do bebê a selecionar de forma adequada suas primeiras bactérias para compor sua própria flora intestinal, protegendo assim, contra as alergias e inflamações desnecessárias.

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Por isso a importância dos probióticos e do ômega3 durante o terceiro trimestre de gravidez e todo o período de amamentação exclusiva.

O leite materno no intestino do recém-nascido também favorece o amadurecimento da mucosa. Isso diminui a passagem de proteínas que podem levar a futuras alergias alimentares.

Porém a tendência inflamatória do bebê não se restringe ao sistema gastrointestinal. Quando o amadurecimento do sistema imune ocorre de forma adequada também estamos prevenindo as inflamações por todo o corpo, como na pele, onde se manifestam na forma de dermatites, desde as mais leves e de curta duração até as mais graves e crônicas, como a dermatite atópica. Ou no sistema respiratório cujas inflamações podem se manifestar como uma crise de “chiado no peito”. Ou broncoespasmo, que pode ser o início de uma asma. Ou naquele nariz que fica escorrendo quase que continuamente, como uma rinite.

E manter o leite materno durante a introdução das papas de frutas e das salgadas é um fator de proteção. Há estudos que mostram menor incidência de alergias alimentares nos bebês em que a introdução dos novos alimentos ocorreu paralelamente ao aleitamento materno.

Essa proteção contra alergias é para a vida toda. Há estudos científicos que demonstram a diminuição da incidência de alergias no geral até os cinco anos de idade. E prevenindo a asma e a rinite entre os cinco e 18 anos. Mesmo para as mães que amamentaram exclusivamente somente por três a quatro meses. Portanto, não importa quanto tempo terão para o aleitamento exclusivo, quanto mais tempo melhor, e seis meses é o ideal. Mas o tempo que vocês conseguirem já trará grandes benefícios ao seu bebê!

Assista também, no Canal MdM, esse vídeo sobre os 10 benefícios que ninguém te conta sobre amamentação:

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