Postectomia (cirurgia de fimose) - nossa experiência

Postectomia (cirurgia de fimose) – nossa experiência


19 de abril de 2016

Quem nos acompanha nas redes sociais (Snapchat, Instagra e Facebook – todas com o perfil “macetesdemae”, tudo junto e minúsculo), sabe que, há alguns dias, o Leo passou por uma cirurgia de Postectomia, que é a cirurgia que é feita para corrigir um probleminha conhecido como fimose (Explicando rapidinho: fimose é o estreitamento e a aderência do prepúcio à glade.  95% das crianças nascem assim, mas a tendência é que essa pele se despreenda gradualmente. Se isso não acontecer, aí há necessidade de cirurgia).

Assim que souberam da cirurgia, muitas mamães entraram em contato cheias de dúvidas e eu prometi que faria um post detalhado, explicado direitinho, como é que tudo aconteceu.

Então, aqui estou eu, com o prometido post. Espero que essas respostas esclareçam as dúvidas que muitas mamães tem sobre o problema fimose. Caso alguma dúvida não tenha sido respondida ainda, deixe-a nos comentários que eu respondo e atualizo o post.

postectomia
Photo Credit: Lotus Carroll via Compfight cc

Como é que nós soubemos que a cirurgia seria necessária:

Essa era a dúvida de muita gente. Bom, na verdade, eu desconfiava que a cirurgia seria necessária desde que o Leo tinha 2 aninhos, mais ou menos, mas o pediatra dele achou melhor aguardar e ver como o problema evoluiria (por volta de 3 anos, 90% das crianças deixam de ter o problema, por isso que a cirurgia só é indicada após essa idade. E até os 7 anos). O Leo sempre teve o pipi bem fechadinho, mesmo eu fazendo massagem diariamente. Quando eu passava pomada (uma indicada para ajudara abrir o pipi), chegava a abrir mais, mas aí eu parava com a pomada e voltava a fechar. Nos últimos seis meses, o Leo teve dois episódios em que o pipi dele infeccionou (por mais que a gente seja super atenta à higiene e não descuidasse nunca disso), e aí o pediatra chegou à conclusão que não teria jeito, seria necessário fazer a postectomia. Pelo histórico dos últimos meses, as infecções seriam recorrentes, e aí era melhor corrigir o quanto antes, pois tenderia a ficar pior (quanto mais inflamações, mais machucada fica a área e mais difícil de abrir).

Como foi marcada da cirurgia:

O pediatra do Leo indicou um cirurgião da sua confiança, que já tinha experiência nesse tipo de cirurgia, e nós fomos conhecê-lo. Fizemos uma consulta para o cirurgião conhecer o caso e confirmar a necessidade de cirurgia (Segundo ele, o caso do Leo não teria solução sem uma postectomia). Nessa consulta, o médico pediu exames de saúde do Leo (exames básicos de sangue) e explicou como tudo correria.

Como foi a cirurgia:

Como o Leo tinha que estar em jejum para fazer a cirurgia, nós chegamos no hospital às 5h da manhã e ele foi operado às 7h. O tempo total da cirurgia foi de 1h. Uns 40 minutos antes de iniciar a cirurgia o Leo tomou o seu primeiro anestésico, via oral, e ficou meio sonolento. Segundo o médico, esse procedimento é para causar amnésia e evitar traumas (ele não lembraria de nada a partir daquele momento). Depois que ele foi levado para a sala de cirurgia, já bem sonolento, ele tomou mais duas anestesias: uma geral, feita via inalação, e uma local.

Como foi o pós-operatório – primeiro dia (sábado):

No hospital:

Assim que a cirurgia acabou, eu pude encontrar o Leo na sala de pós-operatório. Ele estava dormindo. De lá, fomos levados para o quarto e lá permanecemos até 12h30min, que foi quando o Leo teve alta e viemos para casa. Ele acordou umas 2h após o fim da cirurgia e estava um pouco tonto e ainda cansado. O médico nos alertou que, nas primeiras horas, ele poderia ficar sem apetite, ter náuseas e até vomitar. Leo não reclamou de náuseas, não vomitou mas ficou sim sem apetite por umas 6 horas. Voltou a se alimentar só no final do dia.

Leo deixou o hospital com um curativo local, que foi retirado no dia seguinte, e com a indicação de uso de remédios básicos para dor (dipirona, paracetamol), que deveriam ser dados a cada 3 horas no primeiro dia, a cada 6 horas no segundo dia e interrompidos no terceiro dia (o que fizemos).

Em casa:

Leo chegou em casa já bem, andando, conversando, sem reclamar. Mas assim que foi a primeira vez ao banheiro, para fazer xixi, chorou muito. Ele reclamou de dor local (o médico avisou que, nas primeiras 24h, haveria bastante dor local por conta da urina em contato com o corte) e também assustou com o curativo. Entretanto, alguns minutos após, assim que passava a dor, ele já esquecia o assunto e agia normal: brincava, via TV, conversava. Tudo normal. No fim do dia ele voltou a se alimentar normal também. E a gente ia dando a medicação para dor a cada 3h. Nesse dia, por orientação do médico, ele não tomou banho. Apenas lavamos o cabelo e limpamos o corpo com um pano úmido. Nessa noite, ele acordou uma vez chorando e reclamando de dor. Disse que fez xixi (na fralda) e doeu. Trocamos a fralda e ele voltou a dormir.

Como foi o pós-operatório – segundo dia (domingo):

No segundo dia a medicação para dor passou a ser de 6 em 6h. Nesse dia também retiramos o curativo no consultório do médico. Leo seguia reclamando e chorando para fazer xixi e, por estar exposto o pipi, ele acabou colando na cueca e, quando tivemos que tirá-la, acabou machucando a área. Leo chorou muito e a alternativa foi, nesse dia, colocar fralda nele com filme plástico em volta da fralda para ela não entrar em contato com o pipi e não ter risco de colar (uma leitora também indicou fazer dois furos numa toca de banho nova e vesti-la como se fosse uma cueca. Não cheguei a testar, mas achei boa a ideia). O banho, a partir desse dia, passou a ser de chuveiro (ele toma banho de ofurô, mas o médico pediu para dar de chuveiro, em função da água corrente ser mais higiênica) e para lavar o local eu fazia uma água com sabonete líquido diluído e jogava em cima (não esfregava. Nem tocava na verdade). À noite, ele dormiu de fralda sem o plástico. A partir desse dia, também passei a aplicar uma pomada com corticóide e antiinflamatório no local, duas vezes ao dia.

Como foi o pós-operatório – a partir do terceiro dia em diante:

A partir do terceiro dia Leo já ficou sem medicação para dor (apenas com medicação local – pomada). Ele seguia reclamando para fazer xixi, mas já não chorava mais. Nesse dia, mantivemos ele de fralda, porque ela colava menos no pipi que a cueca, mas já sem o plástico protetor (entretanto, ele fazia xixi na privada, não na fralda. Ou seja, ela foi usada como se fosse uma cueca mesmo, pelo simples fato que o pipi colava menos na fralda que na cueca e assim ele sentia menos dor ao tirar).

A partir do quarto dia Leo parou de reclamar para fazer xixi (mas ainda pedia para termos cuidado ao colocar ou tirar a fralda), a partir do quinto dia ele voltou a usar cueca e, a partir do sexto dia, comecei a lavar a área encostando no local.

Toda a primeira semana, o Leo ficou em casa, sem ir para a escola, por orientação médica (evitar que se machucasse, para termos todos os cuidados de higiene, para podermos aplicar a medicação direitinho). Leo poderá retomar as atividades físicas normais quando fizer um mês de realização da cirurgia (até lá, poderá brincar, mas não poderá praticar exercícios físicos e nem brincadeiras mais perigosas, para evitar algum machucado no local).

Segundo o médico, os pontos deverão sair totalmente em torno de três semanas após a cirurgia.

Minha opinião sobre o problema da fimose e a necessidade de cirurgia:

Nenhuma mãe quer expor seus filho a uma cirurgia desnecessária. Por mais simples que ela seja, como é o caso da postectomia, existe a necessidade de anestesia, e anestesia é sempre um risco. Por isso, avalia a necessidade de cirurgia com um médico de sua confiança e, se possível, escute uma segunda opinião (nós fizemos isso). Em sendo necessário realmente, busque um médico qualificado e de confiança para realizar o procedimento (o médico que operou o Leo foi indicação do pediatra dos meninos. E eu super indico! Passo o contato se alguém quiser).

Sinta-se segura sobre a cirurgia, sobre a real necessidade dela, sobre a equipe médica escolhida para o procedimento. Se necessário, pesquise, converse, pergunte. Tire todas as suas dúvidas, até não restar nada lhe incomodando. Só assim você poderá passar para o seu filho a segurança necessária para ele fazer a cirurgia sem medo (ou com o mínimo de medo possível).

Eu não achei a cirurgia complicada. Na verdade, achei bem simples o pré-operatório e a operação em si (durou só uma hora). Apenas o pós que é um pouco mais chatinho (dor local), mas também só por 2 ou 3 dias.

Assim, meu conselho para os pais que terão que fazer essa cirurgia é: acalmem seus corações que ela não é o fim do mundo. É uma cirurgia simples. E tirem todas suas dúvidas, sintam-se seguros, para assim conseguirem passar confiança para a criança, pois isso é muito importante.

Aqui nesse post há outras dicas para preparar as crianças psicologicamente para procedimentos delicados como cirurgias.

Espero ter ajudado. Quem precisar o contato do médico é só mandar um email para shirley@macetesdemae.com que eu passo o contato.