Reprodução Assistida, também conhecida como Fertilização in Vitro é hoje uma alternativa para quem sonha em ter filhos e não consegue. É claro que não é um processo tão simples, exige estrutura psicológica e muita resiliência.
No post de hoje, a nossa colunista Dra. Maria do Carmo, fala o que dizem os estudos sobre reprodução assistida, as técnicas e seus custos. Confira!
Reprodução assistida: o sonho de ter filhos
Infertilidade afeta de 15 a 20% da população, segundo OMS
Algumas pessoas pensam a vida inteira em ter filho(s), este reconhecimento do fato vem das suas mais antigas lembranças do próprio existir, das brincadeiras de bonecas, das imagens de seu próprio núcleo familiar. Para outro grupo, esta vontade fica meio esquecida diante dos desafios da vida, das necessidades primeiras de estudos, trabalho, carreira, a busca de algo sólido materialmente, “para depois” pensar na vinda de filhos, até porque este projeto “precisaria” ser a dois e esta segunda parte muitas vezes também não está ao lado ou disponível para o mesmo projeto parental.
Estudos mostram quais doenças levam a dificuldade
Na América Latina hoje, em dados a serem publicados em breve pela Rede Latinoamericana de Reprodução Assistida (REDLARA), através do seu registro de casos do ano de 2018, 74% dos tratamentos são realizados em mulheres acima de 35 anos. Em nosso país também é visível, por dados do IBGE, o aumento de partos nestas faixas etárias. A postergação do projeto parental vai definir dificuldades ou maiores empecilhos na sua realização.
Para as mulheres fundamentalmente se pode esperar uma diminuição progressiva da sua reserva ovariana, o aparecimento de doenças como: endometriose, o comprometimento das trompas uterinas, por processos inflamatórios prévios causados por infecções sexualmente transmissíveis. Enquanto para os homens, este custo orgânico começa a se delinear mais a partir dos 40 anos, também espelhado por seus hábitos alimentares, de vida, etc.
OMS reconhece infertilidade como doença e deficiência
A infertilidade (a dificuldade de ter filhos), hoje é um fato real, afetando de 15 até 20% da população, um em cada quatro casais, ou mais de 186 milhões de indivíduos, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como uma doença e também relatada como importante deficiência. Assim, quando ocorre uma situação de infertilidade a energia cai, frequentemente as pessoas se veem como um fracasso, cai a auto-estima, e neste momento a própria relação se estremece, entre casais, com seus amigos, e as relações de trabalho.
Técnicas de reprodução assistida e seus custos
As técnicas de reprodução assistida vem, então, preencher um espaço de alta demanda nas nossas sociedades, mas não se tornam simples, visto que também demandam de seus usuários um alto custo, seja dos aspectos emocionais, relacionais, da montanha russa de emoções durante os tratamentos e suas expectativas, assim como da vivência resultantes a cada etapa de tratamento ou a cada final de ciclo e, claro, do lado financeiro. Aliás, este emocional pode se estender também durante a gravidez, pelo parto, pelos cuidados ao recém-nascido, merecendo portanto uma atenção do obstetra e pediatra neste sentido.
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O progresso das técnicas é indubitável, os processos muito se modificaram desde o nascimento de Louise Brown, em 1978, mas ainda fica difícil para os pacientes escutarem suas chances e perspectivas, seja nos casos mais difíceis ou até mesmo naqueles onde investigado o que se pode investigar, “não há uma causa aparente”, simplesmente a gestação não ocorre.
O mesmo ocorre sobre possibilidades de se avançar em diagnósticos quando de quadro genéticos familiares, o quanto se deseja buscar e suas consequências para escolhas. Estas situações simplesmente deixam as pessoas surpresas ou tornam-se incompreensíveis quando da falta de um rótulo definido para a infertilidade ou motivo de sofrimento quando a definição de testar outras pessoas da família se esbarra em indivíduos que simplesmente “não querem saber” (e tem este direito).
É preciso o preparo psicológico
E daqui, seguramente, deriva um grande ponto na sucessão de tratamentos sem sucesso, o limite (ou os limites) desta que chamo “aventura” que é um projeto Gravidez-Reprodução Assistida. Não se trata simplesmente definir ou incluir mais um profissional, no caso uma psicóloga, nos tratamentos, ou traduzir um ciclo de tratamento tão somente por aparelhagens.
A questão é mais ampla, trata-se seguramente de incluir cuidados, por parte de toda a equipe, todo o tempo. Incluir significa acolher, entender, escutar e ouvir, dialogar, explicar escolhas, conversar e conversar e conversar. A presença humana ou do humano, é um elo que não pode ser perdido.
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A partir daí as escolhas e caminhos poderão ser mais suavizados, os mesmos limites provavelmente poderão ser melhor definidos e escolhidos, as escolhas de outros envolvidos pode ser aceita (quando nos casos de doenças genéticas), nosso trabalho de cada dia como especialistas estará melhor conduzido.
Enquanto isto, vale a observação preventiva: se uma mulher tem entre 30 e 35 anos, o ginecologista deve orientar numa parada do anticoncepcional por 2 meses, checar a reserva ovariana (pelo hormônio antimulleriano e-ou pela contagem dos folículos antrais através de ultrassonografia transvaginal no início de um ciclo).


Referências:
Gordijn, B., Have, H.t. All in the family. Med Health Care and Philos 23, 1–2 (2020). https://doi.org/10.1007/s11019-020-09938-3. Acesso 11-04-21
Sadanandappa MS. Learning lessons from a toddler. Elife. 2020 Jun 10;9:e59587.doi: 10.7554/eLife.59587. Acesso 11-04-2021.
WHO | Global prevalence of infertility, infecundity and childlessness.2012. Acesso 11-04-21
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