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Curetagem: o que é e como é feita?


17 de fevereiro de 2019

Curetagem é um procedimento conhecido por ser feito num momento muito triste na vida de uma mulher. Quando ela tem um aborto espontâneo. Mas como e por quem é feita a curetagem? Aonde é realizado? Por que é necessário realizar esse procedimento? Todas essas dúvidas são respondidas nesse texto, escrito pelo Dr. Roberto de Azevedo, médico ginecologista e obstetra. Confira!

O que é e como é feita a Curetagem?

O procedimento médico popularmente conhecido como curetagem é uma das cirurgias em ginecologia e obstetrícia mais executadas no mundo. O objetivo dela é o de retirar material de dentro da cavidade uterina para liberação da mesma. E posteriormente, para análise clínica do material. A sua indicação mais comum é frente a quadros clínicos de abortamento que ocorrem no primeiro trimestre da gestação. Quando não evoluem de maneira espontânea ou completa. Contudo, além da sua aplicação frente a quadros obstétricos, ela pode ser realizada para a obtenção de amostras de endométrio em casos suspeitos de patologias ginecológicas. Nesses casos, é chamada de curetagem semiológica.

Diante das situações de abortamento, o procedimento pode ser realizado de forma tradicional, através do uso da pinça de Winter associada à raspagem uterina com a cureta fenestrada. Existe também uma forma mais moderna e segura de ser executada, quando o esvaziamento uterino é realizado à vácuo. Esse método é conhecido como AMIU, ou Aspiração Manual Intra Uterina.

Além de darmos preferência a realização da curetagem com uso da AMIU, sempre que possível, devemos avaliar a possibilidade de guiar o procedimento com uso de ultrassonografia. Tal fato ajuda a diminuir o tempo do procedimento. Assim como diminui as chances de complicações. Tais como a perfuração uterina e a permanência de restos ovulares, obrigando a necessidade de repetição da cirurgia.

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Além dessas complicações, é importante ressaltar que curetagens uterinas podem levar a formação de aderências uterinas conhecidas como sinéquias. Essa situação pode ocorrer em até 20% dos procedimentos executados para resolução de quadros de abortamento. Futuramente podem levar a dificuldades de gravidez. Para evitar, ou tratar precocemente essa complicação, muitos ginecologistas acabam por indicar uma revisão da cavidade uterina através de histeroscopia após a realização de uma curetagem. Quando realizada através de AMIU, as chances de formação de sinéquias são reduzidas. Em função das complicações descritas, muitos médicos procuram tentar a resolução de um quadro de abortamento de forma conservadora. Isto é, tentam fazer com que a paciente elimine o material ovular espontaneamente ou com ajuda de medicações.

Um outro ponto importante a ser lembrado nos casos de abortamentos, principalmente aqueles onde ocorrem manipulação cirúrgica, como uma curetagem por exemplo, é o de checar a tipagem sanguínea materna. Sempre que a mãe possuir sangue com fator RH negativo e o pai for RH positivo, ou desconhecido, é necessário proceder com a administração da vacina anti RH para evitar a sensibilização da mãe e proteger uma gestação futura dos riscos da doença hemolítica fetal.

Sempre que os casais desejaram a realização de uma avaliação genética do abortamento, é importante que seja realizada curetagem. Esse tipo de estudo é importante, principalmente para os casais que apresentam quadros de abortamento de repetição.

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Por fim, é sempre interessante lembrarmos que existem métodos de diminuir a chance de um casal apresentar um abortamento através da realização de uma fertilização in vitro com análise genética pré-implantacional dos embriões a serem implantados. Dessa forma, é possível optar pela transferência apenas de embriões cromossomicamente normais – os ditos euploides. Assim, é possível evitar a principal causa de abortamento entre os casais que é a implantação de embriões geneticamente anômalos. As taxas de aborto entre casais que testam seus embriões antes de uma transferência, de acordo com a literatura, é inferior a 10%, enquanto na população geral gira em torno de 20-25% das gestações.