Mães de filhos pequenos, não deixem mães mais experientes fazerem você se sentir mal | Macetes de Mãe

Mães de filhos pequenos, não deixem mães mais experientes fazerem você se sentir mal


9 de julho de 2019

Quando somos mães de filhos pequenos, ouvimos vários conselhos e palpites e, entre eles, o de aproveitar mais a cada momento da criança. Mas nem sempre isso é possível, pois às vezes estamos cansadas ou até mesmo esgotadas com toda a demanda que uma criança pequena gera.

O texto abaixo, uma livre tradução do site Scary Mommy, fala justamente disso. Mas não desanime e, sobretudo, quando tiver com seus filhos maiores, não dê conselhos desse tipo. Leia o texto, você vai refletir e vai gostar.

Mães de filhos pequenos, não deixem mães mais experientes fazerem você se sentir mal

Por Ellen Hunter Gans

“Oh meu Deus, sinto falta quando meus filhos tinham essa idade. Aproveite cada momento.”

Foi o que uma mulher me disse na farmácia, pois eu estava na fila de antibióticos para o meu sexto ataque consecutivo de mastite. Eu estava com meu segundo filho no colo, ainda no meu peito ardente e dolorido enquanto eu tinha que ficar de olho no outro, de dois anos de idade, para impedi-lo de derrubar todo o corredor de cuidados femininos.

Nota: a farmácia pode ou não ter filmagens de segurança, enquanto ele tentava sair correndo pela porta automática e o sensor de movimento abria e fechava numa perfeita harmonia coreografada.

Eu não estava absorvendo nada além da gaze nos meus mamilos rachados e a crescente suspeita de que eu tinha, de fato, arruinado a minha vida me iludindo que eu poderia dar conta de uma criança, quanto mais duas.

Um filho é como um.

Dois filhos são como 20.

E até um filho… parece um monte de crianças.

Para que eu não pareça muito negativa, vamos voltar um pouco com a gratidão obrigatória. Sim, gratidão é obrigatória para apaziguar os ânimos, mas também é genuína. Ficar e estar grávida foi extremamente difícil para mim. Passei a vida inteira economizando e uma boa parte da minha sanidade foi junto neste processo. Eu agradeço a qualquer poder maior que esteja lá fora todos os dias, pois eu tive a sorte de nascer em uma época em que alguém como eu pôde ter filhos.

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Mas mesmo que meus filhos tivessem sido o produto de um pouco de tequila barata e de uma noite relaxada de quinta-feira, minha perspectiva seria a mesma:

Estou honrada por ser mãe.

Mas, meu Deus, isso é difícil.

E é especialmente difícil quando o mundo inteiro esquece como é difícil cada etapa.

Isso acontece em todo lugar. No Parque. Na Biblioteca. Na fila da farmácia…

“Só espere até eles caminharem. É quando fica difícil.”

“Só espere até eles serem dois. É quando fica difícil.”

“Só espere até eles começarem os esportes e as atividades. É quando fica difícil.”

“Só espere até eles chegarem na adolescência. É quando fica difícil.”

Eu gostaria de fazer um pedido: Que tal não botar mais medo nas mães, hein? Vamos todos falar com base no estágio em que a mãe está.

E sempre… Sempre teremos óculos de lentes cor-de-rosa sobre os estágios passados.

Eu vejo vocês, mães de crianças com menos de 3 anos.

E eu nunca, jamais, darei conselhos do futuro a você neste momento.

Porque você está nas sementes.

Você está “ligada” 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Você está em estado de vigilância constante.

Mesmo que você seja bem calma por natureza, a cultura da mamãe está empenhada em fazer você enlouquecer com tudo. É tudo mortal: protetor solar, escadas em playgrounds, bolachas recheadas.

O mundo quer que você seja mais leve, trabalhe muito, limite o tempo em frente às telas, entreviste pré-escolas, nutra seu potencial, deixe o bebê liderar a escolha dos petiscos e faça-o ouvir Mozart.

“Shampoo seco é muito bom, porque dura por quatro aplicações.”

“Shampoo seco é muito bom, porque dura por quatro aplicações. Eu não consigo dormir bem desde os quatro meses da gravidez. Estou profundamente ressentida por não conseguir articular conversas racionais com meu marido e por trocar o nome do cachorro pelo nome do bebê… Eu estou apenas tentando manter todos vivos.”

E então a senhora na farmácia faz você pensar que você deveria estar saboreando tudo isso. Se esbaldar em cada momento. É como areia na palma da mãe. POOF, de repente, acabou.

Por favor, ouça-me: você está ótima. Você está no modo de sobrevivência, e é exatamente onde você deveria estar.

Eu fico toda sentimental quando vejo bebês que ainda dobram os joelhos até o peito quando são pegos no colo. Mas também sei que, com toda aquela fofura no joelho, vem as noites sem dormir, a ansiedade implacável, as dúvidas e a insegurança.

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Isso significa que você não pode aproveitar a fase em que está? Claro que não. Cheirar a cabeça do bebê. Deixar suas risadas fazerem sua cortina do pós-parto sacudir de alegria (você sabe exatamente o que eu quero dizer). Alegrar-se quando sua criança corre em seus braços, gritando “MAMA!”. Enfim, isso é realmente muito bom.

Mas NÃO permita que mães de crianças mais velhas a deixem se sentir culpada por você não estar saboreando adequadamente o momento. Para a maioria de nós, na melhor das hipóteses, é um borrão gigantesco anotado por alguns belos momentos da nossa escolha.

A nostalgia é perfeitamente normal e compreensível. Mas isso não é motivo para culpa. Você tem o suficiente no seu prato, mamãe. Você é você. Aguenta aí. O modo de sobrevivência não é permanente. Sempre haverá desafios para contestar, mas você já sabe disso. Você não precisa de uma mãe nostálgica, exausta, que a envergonhe para se preocupar com antecedência.

E quando você sair das sementes, você verá uma mãe toda sentimental com um bebê pequeno e você vai pensar “Owwwnn. Doce bebê.” E você vai dizer a ela que seu bebê é fofo. Recomendará um pouco de creme para o mamilo se ela perguntar, e você vai deixar por isso mesmo. E você continuará no futuro sabendo que pode lidar com o estágio que vem a seguir.